Sexta-feira, 23 de Outubro de 2020
AÇÃO SOLIDÁRIA

Estudantes da UniNorte fazem reparos e serviço de pintura em instituição de idosos

A ação solidária fez parte do projeto “Revitalizando para Reabitar” da disciplina Programa Interdisciplinar Saúde Comunidade (Pisc), que envolve vários cursos da área de Saúde da UniNorte



WhatsApp_Image_2019-11-25_at_10.48.40_A2352B60-5031-4ABE-9195-49AECB622E54.jpeg Foto: Jair Araújo
25/11/2019 às 11:11

Você não precisa esperar pelo Natal para fazer o bem sem olhar a quem. É o que fizeram universitários da UniNorte, ao ajudar na pintura e reparos na iluminação do dormitório e um quarto da Fraternidade dos Amigos e Irmãos da Caridade (Faic), que está localizada na rua Libertador, 55, bairro Nossa Senhora das Graças, Zona Centro-Sul. O espaço abriga 10 idosos e funciona em uma área ao lado da Igreja Católica de Nossa Senhora das Graças, sobrevivendo de doações de colaboradores e do trabalho de voluntários.

A ação solidária fez parte do projeto “Revitalizando para Reabitar” da disciplina Programa Interdisciplinar Saúde Comunidade (Pisc), que envolve vários cursos da área de Saúde onde é trabalhado, junto aos alunos, o processo de trabalho interdisciplinar dentro das comunidades. De 8h até por volta de 16h um grupo de alunos e colaboradores “recrutados” em grupos sociais pegou literalmente a “mão na massa” para pintar as paredes de dois espaços do local e trocar lâmpadas de locais antes escurecidos da estrutura, dando mais vida ao prédio. 



“O processo se dá de uma visita institucional onde se levantam as demandas e, a partir desse levantamento elabora-se um projeto, e é sobre esse projeto que eles vêm e desenvolvem o trabalho”, comentou a  assistente social e professora da UniNorte, Ana Paula Angiole, que também esteve presente à ação, no último sábado. 

Mudando cenário

A universitária do curso de Fisioterapia, Larissa Medeiros, 23, contou que, ao chegar ao local, antes do dia da intervenção propriamente dita, os alunos não gostaram do que viram.  “Quando chegamos aqui percebemos que o ambiente precisava de uma atenção maior, pois a parede estava descascada, a tinta já não era tão nova e o ambiente não tão salubre para a necessidade dos idosos. Agora o local está bem iluminado, mas as lâmpadas anteriores não eram tão fortes e boas para eles”, comentou a estudante, informando que foram trocadas as lâmpadas da cozinha e do banheiro.

“É uma construção além da faculdade, que trouxe um horizonte para nós do qual provavelmente não viveríamos se não fosse proposto pela própria UniNorte porque eu não conheceria pessoas de outros cursos, idosos que saíram da situação de rua e essa realidade que é muito diferente do que a gente vive. E os jovens estão muito longe disso, e pra nós é uma experiência única e grata. A carga positiva com a qual estamos saindo, hoje, vai trazer uma influência além do profissional que vamos levar para a vida toda. Estamos crescendo como pessoas e profissionais da área da saúde. Acolhemos a Fraternidade em nossos corações e queremos voltar mais vezes”, garante ela, que estava em companhia da sua mãe, a jornalista Elis Medeiros, que reforçou a ação na Fraternidade.

“Somos tão abençoados por Deus todos os dias, e Ele nos dá tantos privilégios, como em primeiro lugar a saúde, da qual muitos desses idosos já não têm, pois alguns chegam aqui debilitados, com algumas doenças que vão degenerando ... e essas pessoas que estão aqui na Faic só querem o mínimo pra ser felizes. Passamos por aqui e a vontade é de ajudar de outras formas. Isso vai aquecendo o nosso coração, animando e gerando outros sonhos de ajudar outras pessoas. Pra mim, estar ajudando nesse projeto é uma forma de agradecer a Deus por tudo que Ele tem me dado e compartilhar com outras pessoas que eu nem conhecia, de um lugar que eu também nunca tinha vindo. Todo ser humano precisa dessa experiência que tivemos neste sábado”, afirmou a jornalista.

Um dos idosos assistidos na Fraternidade que foi beneficiado pela ação é João de Oliveira Lima, de 78 anos, que traz na alma e literalmente no corpo as marcas de 50 anos morando nas ruas do Centro da cidade, mais precisamente na rua dos Andradas, imediações do Mercado Municipal Adolpho Lisboa: ele é totalmente cego do olho direito e parcialmente do esquerdo, segundo o próprio, por agressões sofridas há anos nesta área do Centro Histórico da cidade.

Para seu João, como ele é carinhosamente chamado por todos na Fraternidade, a pintura foi fundamental, mesmo que ele só veja vultos. “Achei legal essa iniciativa dos universitários pois demonstra carinho por nós todos aqui da Fraternidade”, ele, sorrindo, dando um banho de simpatia a quem sentava à beira da sua cama para ouví-lo.

Ana Paula Angiole, assistente social e professora da Uninorte

“No caso dessa instituição os meninos vieram porque queriam porque queriam trabalhar com os idosos. E nós estávamos com uma certa dificuldade porque nossa turma é do horário da noite. E nas instituições, à noite, os idosos estão dormindo. O único que nós abriu as portas foi a Faic através do seu presidente Jorge Luiz Batista do Nascimento, que permitiu que os meninos viessem em um sábado conhecer, conversar com os idosos e identificar as demandas que estavam aqui. E a primeira demanda foi a necessidade de estar adequando o quarto minimamente para os idosos porque a pintura eram muito escura e você sabe que os idosos têm dificuldade de visão. A iluminação era inadequada e foi partindo desse princípio que os alunos pensaram em fazer esse pequeno reordenamento dentro desse espaço, proporcionando a esses senhores uma melhor qualidade na questão do seu próprio ambiente. Eu, enquanto profissional, assistente social de carreira, e enquanto professora do Centro Universitário do Norte, me sinto extremamente envaidecida da instituição proporcionar a nós e aos alunos a possibilidade de romper os muros da faculdade e chegar à essa instituição. E eu me envaideço ainda mais de ver os meus alunos, que são de cursos diferenciados como Farmácia, Serviço Social, Psicologia, Estética e Biomedicina, que fazem parte desse projeto trabalhando interdisciplinarmente tendo um olhar ampliado para a realidade social. Isso me envaidece muito porque esses alunos serão profissionais sensíveis com essa população, pois a população brasileira caminha para a velhice, para o envelhecimento. Já estamos tendo uma população de idosos muito grande. E estamos tendo uma situação mais agravante que é o abandono desses idosos. O olhar desses meninos, desses alunos para essa realidade, ela me envaidece muito pois tenho certeza que serão profissionais diferenciados no mercado”.

Repórter de A Crítica

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