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Manaus
INOVAÇÃO

Estudantes do AM apresentam nos EUA bomba de água que usa energia solar

O evento reúne estudantes de 75 países interessados em apresentar soluções para questões ambientais 11/11/2018 às 14:38
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Bomba projetada pelos jovens amazonenses pode ser usada para captação de água para a casa ou para a irrigação. Foto: Jair Araújo - 06/nov/2018
Cecília Siqueira Manaus (AM)

Capaz de superar qualquer barreira, o conhecimento é a ferramenta mais poderosa para a construção de um futuro melhor. E é superando limites geográficos que três jovens amazonenses vão levar mundo afora sua contribuição para resolver a problemática da escassez de recursos hídricos: uma bomba de água movida à energia solar.

Os estudantes Ana Carolina Lopes, 14; Victor Souza, 14; e Maicon dos Santos, 15, emplacaram seu projeto na Genius Olympiad, que acontece em  junho de 2019, em Nova Iorque (EUA). O evento reúne estudantes de 75 países interessados em apresentar soluções para questões ambientais através de cinco categorias: ciências, artes e música, escrita, negócios e robótica.

O voo foi alçado com a apresentação do projeto de captação de água de forma sustentável durante a 6ª Feira de Ciências da Amazônia (FCA), realizada durante os dias 6 e 7 deste mês, na Arena Poliesportiva Amadeu Teixeira. A feira aconteceu em paralelo à 15ª Semana Nacional de Ciência e Tecnologia no Amazonas – SNTC 2018.

Ana Carolina diz que, por funcionar através de luz solar, o equipamento pode ser usado em comunidades mais longínquas, onde a energia elétrica é gerada por motores que funcionam a base de diesel ou é inexistente. “É muito importante em termos sociais porque tem auxiliado na preservação ambiental. Pode ser usado em uso doméstico ou em agricultura familiar. É importante, pois usamos a luz solar, que faz a captação da água para a irrigação das plantas. Além de servir às comunidades ribeirinhas aqui do Amazonas; porque mesmo vivendo em meio à maior bacia hidrográfica de água doce do mundo, ocorre muita falta de água”, diz a estudante.

O trio cursa o 9º ano do ensino fundamental na Escola Municipal Lucila Freitas, localizada na comunidade José Bonifácio, dentro do bairro Colônia Santo Antônio, na Zona Norte de Manaus. Com o projeto de captação de água de forma sustentável, os jovens já estão na segunda versão do aparato.

Primeira vitória

O pontapé inicial para a ida à premiação foi dado com a apresentação do projeto “Aprendendo Através da Construção de um Motor Stirling Solar”, que ganhou medalha de ouro na categoria Matemática Aplicada, na modalidade Anos Iniciais do Ensino Fundamental, durante a 1ª Feira Amazonense de Matemática, organizada pela Universidade Federal do Amazonas (Ufam) em outubro.

Mentor e coordenador dos garotos, o professor de Ciências Naturais Cláudio Vieira conta que a pesquisa e práticas foram totalmente desenvolvidas pelos adolescentes.

“Usamos como fontes tanto trabalhos acadêmicos, quanto a internet, então adaptamos a bomba d'água de pistões líquidos para que ela fosse utilizada como a bomba que vai encher um tanque gravitacional com água. Esse tanque gravitacional serve de reservatório para que essa água reservada possa ser impulsionada para residência ou para lavoura de algum agricultor pela bomba carneiro. A bomba d'água de pistões líquidos funciona por aquecimento e esse aquecimento nós utilizamos a luz do sol para evitar qualquer tipo de energia poluente em respeito ao meio ambiente e aos corpos de água”, explica.

Em busca de outras credenciais

A princípio, apenas o aluno Vitor Fernando Maia de Souza foi credenciado para representar o Amazonas na Feira Genius, que acontece de 17 a 22 de junho de 2019, representando o grupo. O jovem fará a demonstração do equipamento e a apresentação verbal do projeto a outros pesquisadores e estudantes.

Segundo o professor Cláudio Vieira, os alunos Ana Carolina e Maycon Wesley aguardam a chance de também serem credenciados, já que a feira disponibilizou apenas dois credenciamentos  até agora.

Desenvolvido há aproximadamente cinco meses, o aparato já foi destaque em outros eventos anteriores, como o Movimento Cinetífico Norte-Nordeste (Mocinn), que ocorreu em 2016.

Personagem: Cláudio Vieira, professor de Ciências Naturais

O projeto surgiu a partir de uma ideia difundida já  há 3.800 anos. É pouco difundida no Brasil, mas é utilizada em comunidades que tem dificuldades no acesso à água. Então nós adaptamos para a Amazônia e demos nossa cara ao projeto. Estamos trabalhando nesta versão há pelo menos cinco meses.

A exposição é gratificante, pois o aluno que participa de uma feira de ciências desse tipo vai ser marcado para o resto da vida, então a intenção dele é seguir em frente e futuramente ser um pesquisador na universidade e desenvolver suas ideias. Eu só faço incentivá-los a desenvolver as pesquisas, buscar algo melhor, pensando no outro e no meio ambiente. São eles os alunos multiplicadores, os que participam efetivamente do projeto, fazem os desenhos, vão para as feiras disseminar a ideias.

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