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Manaus
PROJETO INOVADOR

Estudantes do Colégio Militar de Manaus apresentam ‘lixeira educativa’ no RS

A lixeira detecta resíduos de metais ou plásticos e alerta se a pessoa descartou o material no local correto. Os estudantes participam da 33ª edição da Mostra Internacional de Ciência e Tecnologia (Mostratec) 22/10/2018 às 01:23 - Atualizado em 22/10/2018 às 09:09
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Mostra de C&T começa amanhã em Novo Amburgo (RS). Foto: Euzivaldo Queiroz
Priscila Rosas Manaus (AM)

Imagina você descartar um determinado resíduo em uma lixeira e ela “avisar” que o material não deveria ser colocado ali?  Essa ideia foi colocada em prática por quatro alunos do Colégio Militar de Manaus (CMM) que irão  representar o Amazonas na 33ª edição da Mostra Internacional de Ciência e Tecnologia (Mostratec),  evento que começa amanhã (22),  em Novo Hamburgo, Rio Grande do Sul.

O projeto apresentado pelos alunos Mário Marszalek, Gabriel Joaquim Almeida, Letícia Araújo e Amanda Neves chama-se Trash ID,  trata-se de uma espécie de “lixeira educativa” que detecta resíduos de metais ou plásticos e alerta se a pessoa descartou o material na lixeira correta.  “Nós colocamos dois tipos de sensores: um detector de presença e um detector de material (metal). Eles captam a informação e mandam para o arduíno (placa mãe), que coordena tudo o que está acontecendo. Ele passa essa informação para o módulo de áudio que reproduz a faixa determinada”, explica o estudante Gabriel Joaquim.

O protótipo foi criado, principalmente, para conscientizar os colegas e a população em geral  acerca da coleta seletiva. “Na teoria, ela existe. Na prática, não. O pessoal não respeita, seja por preguiça ou comodismo. As  regiões Norte e Nordeste possuem estados que são deficitários nessa questão. Manaus possui uma das taxas mais caras do Brasil”, fala Mario Marszalek, um dos integrantes do grupo.

“É impossível falar de coleta seletiva sem falar de reciclagem. Porque ela só se torna possível quando existe a coleta seletiva de fato. Cada resíduo sólido possui seu método. É inviável realizar esse processo sem separar cada material. Isso vai impactar, no futuro, na reposição e nos métodos nos quais o Brasil pesquisa para depositar os seus resíduos sólidos”, alerta Gabriel.

Educação infantil

Para o grupo de alunos, seria interessante a implantação do projeto em uma escola de educação infantil.  Assim, as crianças estariam sendo estimuladas a seguirem a coleta seletiva e aprendendo ao mesmo tempo.  “Se a criança desde pequena tem essa noção de sustentabilidade, então, podemos aprofundar com outras questões como preservar o planeta e garantir um futuro melhor. Elas são o nosso futuro”, explica Marszalek.

O intuito dos estudantes é continuar com o projeto sempre buscando melhorias. Para Mario Marszalek, mesmo que os grandes centros urbanos possuam tecnologias para a separação adequada da lixo, elas geralmente são opções caras. Por isso, as pessoas continuarão recorrendo aos antigos métodos. “Podemos articular isso em sociedades menores com a colaboração humana. A própria Zona Franca pode produzir (a lixeira) em massa e reduzir bastante o preço”, diz. “Numa visão do futuro, nós podemos criar outras lixeiras abrangendo todos os tipos de materiais”, complementa Gabriel. Mas, antes que isso aconteça, eles buscarão a implementação do projeto dentro do próprio colégio.

Pela primeira vez participando da Mostratec, os alunos enxergam o evento como uma oportunidade. “Ao mesmo tempo dá  medo, mas é uma honra”, fala Gabriel. Já para Marszalek, a Mostra representa também uma possibilidade de enxergar o futuro. “Você acaba vivenciando mais, tem mais conhecimento, melhora suas possibilidades, aprende a ser mais eficiente e a trabalhar em equipe”, pontua.

Para deficientes

O estudante Pedro Henrique Abreu Tiradentes, do CMM,  também irá participar da Mostratec com um sistema de sinalização sonora para orientar deficientes visuais. O sistema se baseou em sensores seguidores de linha, gerenciados pela plataforma arduíno.

O que é a Mostra de Ciência e Tecnologia?

A Mostratec reúne jovens cientistas entre 14 a 20 anos de todos os estados brasileiros e do Distrito Federal. A Fundação Escola Técnica Liberato Salzano Vieira da Cunha, organizadora do evento, estima receber mais de 30 mil visitantes nos três dias do evento.  Nesta edição da feira serão apresentados 755 projetos divididos entre 420 na Mostratec com estudantes do Ensino Médio e Técnico e 335 na Mostratec Júnior, divididos em alunos do Ensino Fundamental com 263 projetos e da Educação Infantil com 72 projetos, distribuídos em 13 diferentes áreas.

Além do Brasil, participam estudantes de 21 países: África do Sul, Argentina, Bielorrússia, Bósnia e Herzegovina, Cazaquistão, China, Colômbia, Dinamarca, Espanha, Estados Unidos, Hungria, Índia, Indonésia, Itália, México, Paraguai, Peru, Porto Rico, Tunísia, Turquia e Uruguai.

Proposta é para educar as crianças

Para o professor Helber Astolpho, orientador dos alunos do CMM na Mostratec,  o projeto Trash ID é um trabalho diferenciado.   “É uma forma de conscientização até porque já existem lixeiras que separam o lixo de forma mecanizada. Mas isso não induz a nenhum tipo de educação ambiental”, explica o orientador.

Para Astolpho, a partir do momento que a criança descarta o metal na lixeira destinada ao metal, ou o plastico no local destinado para esse tipo de material, automaticamente, ela realiza separação seletiva e, demonstra assim, a sua consciência ambiental. “Esse é o principal objetivo (do projeto”, afirma.

Conforme  professor, o projeto iniciou em agosto, com reuniões às segundas-feiras. “Eles já chegaram a um nível bem interessante que é a detecção. Acreditamos que em menos de um mês, irá funcionar a parte sonora do protótipo”, garante ele.

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