Quarta-feira, 17 de Julho de 2019
Intervenção policial

Estudo do CNMP aponta que letalidade da polícia amazonense reduziu 50% em dois anos

Para especialistas, os estudos não refletem a realidade e dados são questionáveis



interven__o_policial.jpg Em 2015, 43 pessoas morreram durante ações policiais no Amazonas. Este ano, as ocorrência caíram para 23 (Euzivaldo Queiróz)
15/12/2016 às 05:00

As mortes  decorrentes de intervenções policiais tiveram uma redução de 50% no Amazonas nos últimos dois anos, segundo dados divulgados pelo Conselho Nacional de Ministério Público (CNMP), que produziu um relatório para acompanhar ocorrências dessa natureza em todo País. Mas para especialistas, as estatísticas ainda não refletem a realidade da violência brasileira.

De acordo com o relatório, em 2015 o Amazonas registrou 46 mortes em ocorrências policiais. Até o início de dezembro deste ano foram registrados 23 casos, totalizando 69 mortes durante intervenções da polícia nos  dois últimos anos. O estado ficou atrás apenas do Pará, que no mesmo período registrou 237 mortes. 

Os dados apresentados pelo CNMP foram coletados do Sistema de Registro de Mortes Decorrentes de Intervenção Policial, criado pelo órgão no ano passado, mas ainda não refletem um retrato fiel da violência policial seja pela falta de informações repassadas pelos próprios órgãos de Segurança Pública, ou pela falta de manutenção pelo MP de alguns estados.

A proposta do Conselho é alimentar o banco de dados e assim implementar ferramentas que possibilitem o efetivo acompanhamento dos casos registrados. 

Na visão do Procurador-Geral do Ministério Público do Amazonas (MPAM), Fábio Monteiro, O MP amazonense tem feito a sua parte e colaborado com as informações das duas promotorias de Controle Externo da Atividade Policial (Proceap). Ainda segundo Monteiro,  o “julho sangrento” de 2015, quando mais de  30 pessoas foram assassinadas em um único final de semana,  pode ter sido um dos fatores que alavancou os números do estado naquele período. “Esse ano nós observamos uma redução  e isso tem a ver com as estratégias da SSP não só de combate ao tráfico de drogas, mas também de tratar com rigor o policial que destoa do que é esperado”, explicou. 

Para o sociólogo Davyd Spencer, esses estudos são importantes mas não podem ser o único parâmetro para analisar a violência no País. “Essas estatísticas são questionáveis e nem sempre elas refletem a realidade. Então, é necessário criar outras metodologias que possam construir um controle social e sensibilizar as pessoas. O indicador é importante, mas não pode ser único meio”, destacou. 

Segundo Spencer, a violência policial é considerada alta porque o perfil das polícias brasileiras ainda é mais combativo do que cidadão. “O processo civilizatório é deficitário e as instituições não controlam a violência”, opinou. 

 

Estados mais violentos

Entre os estados que apresentaram os maiores índices de mortes em ocorrências policiais, no biênio 2015/2016,  Rio de Janeiro, São Paulo e o Paraná foram os que lideram o ranking. Em dois anos, os policiais cariocas mataram 833 pessoas, enquanto os paulistas mataram 625 pessoas, e os paranaenses tiveram 374 registros no mesmo período. Os estados de Roraima (1) e Bahia (2) foram os que apresentaram os índices menores. 

No entanto, o Conselho Nacional do Ministério Público (CNMP) reforçou que os dados compilados ainda estão em construção no Sistema de Registro de Mortes Decorrentes de Intervenção Policial. A proposta é que o banco de dados funcione como ferramenta para acompanhar de perto as ocorrências de violência policial. 

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