Quarta-feira, 20 de Novembro de 2019
SAÚDE

Estudo na FCecon avalia relação do HPV com câncer de cabeça e pescoço

A Fundação Cecon é uma das dez unidades de todo o País que participam de um estudo realizado pelo Hospital Moinhos de Vento, de Porto Alegre (RS)



Fcecon_19EE5C4F-1739-4B14-8C59-8CF27F954D14.jpg Foto: Divulgação
09/10/2019 às 17:36

O Amazonas terá em 2020 um perfil epidemiológico com dados que podem mostrar a relação do Papilomavírus Humano (HPV) com os casos de câncer de cabeça e pescoço, o que poderá auxiliar no tratamento dessa doença futuramente. A Fundação Centro de Controle de Oncologia do Estado do Amazonas (FCecon) é uma das dez unidades de todo o País que participam de um estudo realizado pelo Hospital Moinhos de Vento, de Porto Alegre (RS).

O estudo, encomendado pelo Ministério da Saúde com recursos do Programa de Apoio ao Desenvolvimento Institucional do SUS (PROADI-SUS) ao Hospital Moinhos de Vento, avalia a relação do câncer de cabeça e pescoço com o HPV no Brasil.



“Estudos principalmente fora do Brasil mostram uma associação do HPV com o câncer de cabeça e pescoço. Mas não temos dados a nível nacional para fazer essa associação e servir de base para planejamento de políticas públicas. Então a motivação do estudo é ter dados em nível nacional que sirvam como dados representativos para embasar políticas públicas”, explica a pesquisadora Silvia Pauli, do Hospital Moinhos de Vento.

Casos

Em Manaus e na FCecon, serão recrutados até julho de 2020 aproximadamente 25 pacientes que têm câncer de cabeça e pescoço com diagnóstico recente, sendo homens e/ou mulheres maiores de 18 anos e que não tenham realizado nenhum tratamento prévio para este tipo de neoplasia.

Serão recrutadas outras 25 pessoas para compor um grupo chamado “controle”, que são aqueles que não têm câncer, mas que se tivessem seriam atendidos na Fundação Cecon.

Também serão analisados os(as) companheiros(as) desses participantes. O objetivo é comparar os que têm câncer de cabeça e pescoço com aqueles que não têm a doença para ver se há a presença do vírus.

Dados

Segundo a enfermeira do Hospital Moinhos de Vento, Camila B. Dall’Aqua, a pesquisa consiste na aplicação de um questionário com várias perguntas sobre hábitos de vida, comportamento sexual, tabagismo, alimentação e fatores associados ao câncer de cabeça e pescoço e ao HPV.

“Além disso, é realizada uma coleta de material biológico desses participantes”, explica Camila, ressaltando que a coordenação do projeto no hospital gaúcho é da médica epidemiologista Eliana Wendland.

O material biológico será coletado das regiões oral, genital e anal dos participantes, nos locais onde o vírus costuma estar localizado. Também haverá a coleta de sangue.

Com o cruzamento dos três grupos, será possível checar qual o caminho do vírus, como acontece a transmissão, quais os principais tipos de HPV relacionados ao câncer de cabeça e pescoço, e se há concordância com o paciente e seu parceiro sexual, considerando o fato de que estes parceiros podem estar expostos aos mesmos fatores de risco do que os indivíduos com a doença.

Indicadores X Prevenção

O perfil epidemiológico que resultará do estudo apontará dados que podem fortalecer a definição de estratégias tanto na prevenção (por exemplo, ampliar a vacinação contra o HPV), quanto no tratamento do paciente de forma mais direcionada.

“Temos a possibilidade de também fazer um perfil do nosso paciente, o perfil epidemiológico, para a gente conhecer as características desse nosso paciente, a possibilidade de discutir e montar estratégias de tratamento dentro das nossas realidades”, disse a enfermeira da FCecon, Júlia Mônica Benevides, responsável pelas coletas de materiais.

Troca de experiências

Na primeira semana de outubro, profissionais do Hospital Moinhos de Vento estiveram na Fundação Cecon para realizar um treinamento com a equipe que fará a coleta de dados em Manaus.

Para a pesquisadora e responsável pelo estudo na Fundação Cecon, Tatiana Pires, outra conquista da pesquisa é envolver alunos de iniciação científica, de mestrado e profissionais da FCecon no treinamento e no processo de recrutamento de pacientes, de coletas e entrevista. “Há uma troca entre os pesquisadores. Os alunos de iniciação científica estão participando e foram treinados junto com a gente para serem coletadores e entrevistadores”, afirma.

O estudo, que termina a coleta de dados em julho de 2020, só está em andamento após aprovação no Comitê de Ética em Pesquisa (CEP) das instituições envolvidas.

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