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Manaus
Paixão a toda prova

Eternos namorados vindo de um tempo 'diferente', casal está junto há 60 anos

Casados há 60 anos, e de uma época onde o namoro era rígido, seo Elias e dona Maria superaram muitos problemas mas estão unidos até hoje dando exemplo e vitalidade, simpatia e bom humor 11/06/2016 às 16:15 - Atualizado em 12/06/2016 às 07:34
Show 60anos
O casal dá lição de amor há 60 primaveras, permanecendo firme em um mundo bem diferente de antigamente /Fotos: Jander Róbson/Free Lancer
Paulo André Nunes Manaus (AM)

Em tempos onde relacionamentos amorosos estão durando cada vez menos, o casal Elias Alves dos Santos, de 81 anos, e Maria Marisa Portela dos Santos, 76, vai contra a corrente do desamor: eles completaram 60 primaveras de casados este ano e demonstram, no dia a dia, que pretendem ser eternos namorados.

Ambos se casaram em 18 de março de 1956 na Igreja de São Francisco, no que hoje é o quilômetro 25 da AM-010 (Manaus/Itacoatiara). Cearense da cidade de Canaã, na época ela tinha 14 anos e despertou a paixão do futuro marido, que foi agricultor e motorista nascido na comunidade de Autaz-Mirim, em Autazes (a 118 quilômetros de Manaus) e pertence a etnia mura. Foi paixão à primeira vista, que resultou em 10 filhos (3 homens e 7 mulheres), 48 netos e 58 bisnetos!   

Namoro de antigamente

Antes de casar, nada de contato físico como nos dias de hoje, conta dona Maria, que noivou durante 8 meses com seo Elias. “Nossos pais não deixavam a gente sozinhos. Não podíamos pegar na mão, não tinha agarrado nem nada disso. E só saía de casa casada”, explica ela.

A matriarca diz que o namoro de hoje em dia é bem diferente do de antigamente. “Antes havia mais respeito. O namoro de hoje em dia não presta. Tá muito pra frente, agarrado, muita loucura. Se fosse como nós, vários casais continuariam juntos”, ressalta ela.

Seo Elias concorda com a amada. “Geralmente a mocidade de hoje só quer casar e separar logo. Não fomos assim. Além disso, a Maria nunca me deu motivos para ir embora”, conta ele. 

Ambos também superaram problemas de saúde, mas enfrentaram as dificuldades com bom humor e sorriso estampado no rosto, como se voltassem ao tempo em que eram crianças. Seo Elias perdeu a visão do olho direito após ser infectado por uma bactéria, depois de entrar em contato com lixo, meses após fazer uma cirurgia no local. Em seguida, fez outra cirurgia para extirpar um câncer do estômago.

Dona Maria se recupera de uma cirurgia também para extirpar um tumor surgido na mandíbula esquerda - ela faz quimioterapia, mas conta estar bem e espera, em breve, que as sessões finalizem.

Até o fim

Amores como os deles não têm prazo de validade. Nem precisa, pois a vida os uniu como se o objetivo fosse dar um belo e grande exemplo de união e parceria. “Nós só vamos nos deixar quando morrermos. A gente se gosta, se ama e vai levando a vida como Deus quer e servindo de exemplo para outras pessoas”, ensina dona Maria.

“Até hoje eu estou com a minha velha e só vou me separar quando for da vontade de Deus”, conta o eterno apaixonado.

Vitalidade a toda prova no dia a dia

O casal  seo Elias e dona Maria Marisa dá outro exemplo também aos mais novos: de vitalidade à toda prova no dia a dia. Ele é o que acorda mais cedo na casa localizada na Vila Alfredo Nascimento: às 4h já está de pé para fazer o café; em seguida varre a residência, limpa algo aqui, algo alí, e depois vai para a sala de estar assistir a TV, pois todo  guerreiro precisa de descanso, claro.

Mas ficar parado não é coisa para o ex-agricultor e motorista, que frequentemente pega o ônibus para locais como o Centro da cidade. Antes desta entrevista, que foi feita à tarde, pela manhã ele esteve próximo ao Mercado Municipal Adolpho Lisboa para pesquisar preços de peças para roçadeira. E tem mais: se precisar de algum pequeno serviço de carpintaria ele está a postos.

Já dona Maria Marisa se acorda às 6h, com o cheirinho do café do esposo, mas conta só sair da cama mesmo por volta às 7h.

Uma das atividades que funciona como terapia para ela é confeccionar artesanatos como porta-guardanapos, porta-papel higiênico e abafador de bolos, que são vendidos pelas filhas dela a R$ 12, R$ 20  e R$ 25, respectivamente.

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