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Manaus
GALERIAS

Ex-camelôs retirados das ruas do Centro sofrem com falta de clientes nas galerias

Permissionários receberam promessa de virarem microempreendedores, mas estão adoecendo e passando dificuldades 07/06/2018 às 15:22 - Atualizado em 07/06/2018 às 15:23
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Simone investiu quase R$ 20 mil e só atende três clientes por semana no local (Foto: Jair Araújo)
Álik Menezes Manaus (AM)

Sem qualquer tipo de assistência da Prefeitura de Manaus, permissionários da Galeria dos Remédios, localizada na rua dos Barés, no Centro, dizem estar adoecendo e passando dificuldades para honrar compromissos e até mesmo para comprar alimentos. O motivo? Falta clientes. Os permissionários afirmam que, apesar de gigantesca, a estrutura não é atrativa para a população, não possui lojas âncoras para atrair a clientela nem serviço de atendimento como agências bancárias ou caixas eletrônicos 24 horas.

Há quatro anos nessa situação, permissionários atribuem os problemas ao projeto inacabado e as promessas não cumpridas do prefeito Arthur Neto. Dos 202 permissionários, apenas 30 se esforçam para manter as lojas abertas. “Fomos enganados e desrespeitados”, disse Virgínia da Silva Corrêa, que trabalhou na Praça do Relógio por mais de 30 anos. Nos tempos “de rua”, comprou terreno, construiu casa e adquiriu até um sitio. Hoje, a comerciante não consegue sequer garantir comida para a família.

“Eu abro minha lojinha todos os dias, mas não vendo nada. Passo uma semana para vender uma peça de roupa e às vezes meu faturamento semanal não passa de 20 reais. Essa situação que a gente está passando não é vida, ninguém merece isso. A gente é obrigado a continuar aqui, mesmo sem ganhar nada. A prefeitura ameaça tirar nosso boxe se a gente não vier mais. Mas me diga o que a gente vem fazer aqui? Sofrer. Minha vida se resume a sofrimento nesses últimos quatro anos”, lamentou.

Chorando, Antônia de Fátima, de 57 anos, tem uma pequena loja no local, funciona de segunda a sexta-feira. A comerciante contou que, após desde a inauguração da galeria, convive com estresse, pressão alta e problemas emocionais, causados, segundo ela, pela falta de apoio aos permissionários, que reflete no fluxo de clientes. “Estou doente. Não vendo mais nada, não consigo pagar as contas mínimas. O Artur tirou a gente da rua para morrer de fome, ter problemas de saúde  e passar miséria aqui nessa galeria”, disse.

Relatos de prejuízos, problemas de saúde e nome sujo “na praça” são comuns na Galeria dos Remédios e outras. Nos últimos anos, os permissionários afirmam estar vivendo um pesadelo. Dois permissionários morreram por problemas de saúde que os amigos atribuem à situação após a mudança para o local.

“Tem dois amigos que morreram, não aguentaram esse sofrimento. Tem pessoas aqui que estão com depressão, pressão alta e tudo o que é doença. O cara tirou a gente da rua e  caça a gente quando tentamos ir lá fora vender algo. O que vai ser dessa gente?  Antes eu ajudava as pessoas, mas agora dependo de caridade”, relatou Ilanize Baraúna, de 58 anos.

Centro continua ocupado

A cabeleireira Simone Miranda, 32, disse que investiu mais de R$ 19 mil para montar um salão no local, mas o número de clientes não passa de três por semana. Antes de ser obrigada a deixar as ruas, Simone vendia merenda. Contudo, nos últimos  anos está vendo o patrimônio desaparecer. “Eu vendia lanche de menos de dois reais e consegui compra minha casa e carro, mas agora não consigo nem comprar comida. Isso é justo?”, questionou.

Para ela, a prefeitura está omissa. Segundo os permissionários, após a saída deles das ruas o número de ambulantes triplicou. “Nós éramos três mil e duzentos. Tiraram dois mil e empurraram para essas galerias. Mas agora tem venezuelano, haitiano e gente de tudo que é canto trabalhando nas ruas. Eles podem e a gente não?”, disse Simone. 

Cronograma de ações

Os permissionários querem que o prefeito se manifeste e pague pelo menos um auxílio de mil reais para que eles possam continuar no local até que estratégias sejam definidas para alavancar o fluxo de clientes.

 Sobre o fraco movimento na galeria, a Subsecretaria Municipal do Centro Histórico (Subsemch) afirmou que a crise econômica afetou não só os lojistas de dentro das Galerias Populares, mas o comércio como um todo e que a Prefeitura de Manaus tem trabalhado campanhas publicitárias e ações pontuais dentro dos centros de compras populares, com o objetivo de fomentar o fluxo de pessoas, especialmente nas datas sazonais.

Quanto à Bolsa Auxílio paga a alguns empreendedores do projeto “Viva Centro Galerias Populares”, a prefeitura informou que o benefício está sendo concedido para aqueles que ainda estão na efetivação de seus negócios e que mantém suas bancas abertas. Para solicitar a bolsa, o permissionário deve buscar orientação junto à pasta de Assistência Social (Semmasdh).

Reunião

Permissionários das galerias Espírito Santo, Remédios, no Centro, e do Shopping Phelippe Daou (o T4), na Zona Leste, se reuniram em assembleia na tarde de ontem para tratar dos problemas da falta de clientes nos espaços e ausência de fiscalização em camelôs clandestinos. A ata assembleia será levada ao conhecimento da Casa Civil municipal. Os trabalhadores não descartam voltar a ocupar as calçadas em protesto

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