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Manaus
Zona Leste

Ex-funcionários invadem terreno de empresa para reivindicar pagamento de rescisões

A Vulcaplast declarou falência em 2012 e até hoje conta com débitos. Há cinco anos cerca de 1.300 ex-colaboradores tentam receber o pagamento de seus direitos trabalhistas 19/09/2016 às 12:38 - Atualizado em 19/09/2016 às 13:53
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Não há previsão para os ex-funcionários saírem do local. Fotos: Rafael Seixas
Rafael Seixas Manaus (AM)

Cerca de 50 ex-funcionários da Vulcaplast Industria da Amazônia LTDA ocuparam nesta segunda-feira (19), por volta das 9h, a sede da empresa, localizada no bairro Coroado, na Zona Leste de Manaus. Com falência decretada em 2012, os ex-colaboradores da fábrica, que produzia materiais como moldes para TVs de LED, alegam que só irão sair do local quando tiveram uma reposta sobre o pagamento dos débitos trabalhistas.

Segundo a ex-operadora de impressora de serigrafia, Maria Elizabeth, 54, só irão sair do terreno quando chegar um juiz ou o proprietário da empresa, Ricardo Rosseti Moraes, para prestarem esclarecimentos sobre a prestação das dívidas.

“Estamos cansados. Já faz cinco anos que estamos nessa peleja. Tinha tudo aqui e hoje não tem nada. Quando ele [Ricardo Rosseti] fechou a fábrica foi um desespero e ninguém recebeu nada. Ele mesmo veio depenar a empresa e ninguém faz nada, nem Justiça e nem juiz. Por isso, nós decidimos invadir. Cada um vai tirar um pedaço do terreno e fazer a sua casa. Pelo que nós ficamos sabendo, o terreno será a garagem do mini shopping que estão construindo aqui na frente”, declarou.

O ex-mecânico de manutenção da Vulcaplast, Wilson Varela, 53, contou à reportagem que todos os benefícios trabalhistas eram descontados no contracheque dos funcionários. Mas, ao fazer uma consulta no Instituto Nacional do Seguro Social (INSS), foi surpreendido com a notícia de que a empresa não depositava há dois anos e quatro meses os valores referentes ao INSS e ao Fundo de Garantia do Tempo de Serviço (FGTS).

“No contracheque vinha tudo descontado. Não tivemos outra solução, o Ricardo está tirando isso tudo daqui. Tinha máquinas, água, luz, tudo... O que vamos receber depois? Nós temos família. Vamos ficar aqui até que alguém possa vir nos dar uma luz porque a Justiça está muito lenta”, afirmou o ex-funcionário.

“Está interando cinco anos que saímos daqui. O cara foi embora e nos deixou dentro da empresa com todo mundo produzindo. Pagou? Não. Eu graças a Deus estou empregado, mas há muita gente aqui que está desempregada. O que fizeram é crime, todo mundo sabe que é, mas quem fez isso tem dinheiro e todo mundo sabe que quem tem dinheiro não vai preso em nosso País”, acrescentou, complementando que muitos não receberam Seguro-Desemprego e nem rescisão.

A ação coletiva

O presidente do Sindicato da Indústria de Material Plástico do Estado do Amazonas (Sindiplast), Francisco Brito, explicou que os trabalhadores entraram com o processo coletivo por conta do não pagamento dos direitos trabalhistas.

“O processo coletivo foi julgado e sentenciado. A partir daí, a Justiça nomeou o proprietário da empresa como fiel depositário. Ele tinha que tomar conta e preservar o local até ser vendido para pagar os trabalhadores, mas ele não fez isso. Como fiel depositário, ele mesmo está destruindo a empresa. Por que isso? Para a empresa não valer nada e não pagar ninguém. Ela estava avaliada pela Justiça em R$ 35 milhões, hoje não vale nem R$ 1 milhão. Ele fez isso para destruir e poder recomprá-la”, disse. 

Ainda segundo o sindicalista, aproximadamente 1.300 ex-funcionários entraram com ações contra a empresa. A ação coletiva conta com 523 pessoas, fora outras 700 de processos individuais. “Isso vai totalizar quase R$ 30 milhões [em débitos]”, complementou.

Processo e representante

A Secretaria-Geral Judiciária do Tribunal Regional do Trabalho (TRT) da 11ª Região informou que a ação coletiva N° 0000038-58.2012.5.11.0002, movida contra a Vulcaplast, tramita na 2ª Vara do Trabalho e se encontra no setor de mandados judiciais para reavaliação de possível leilão do prédio para pagamento dos débitos trabalhistas.

A reportagem também entrou em contato com o escritório da advogada que representa a Vulcaplast, Joselma Rodrigues da Silva, para comentar as denúncias feitas contra a fábrica e seu cliente, mas até o fechamento desta edição não obteve retorno.

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