Quarta-feira, 30 de Setembro de 2020
CENTENÁRIO

Ex-governador José Lindoso completaria 100 anos nesta sexta-feira

Em homenagem à data, uma missa será celebrada na Igreja Nossa Senhora de Nazaré, onde o ex-governador se casou com Amine Daou Lindoso, em dezembro de 1948



WhatsApp_Image_2020-08-20_at_11.11.52_CA7ECA9B-8838-41D4-992C-01AF9D21C495.jpeg (Fotos: Divulgação)
20/08/2020 às 12:04

Referência de dedicação e amor à vida pública, o ex-governador do Amazonas, José Bernardino Lindoso, completaria 100 anos, nesta sexta-feira (21), se estivesse vivo. O político permanece como um dos principais nomes na história do Estado, tendo ocupado também os cargos de deputado federal e senador.

Lindoso nasceu em Manicoré, distante 332 quilômetros de Manaus, filho de Zacarias Afonso Lindoso e de Zenóbia Pereira Lindoso. Era casado com Amine Daou Lindoso, com quem teve sete filhos. Faleceu em Brasília, no dia 25 de janeiro de 1993.



Em homenagem à data, será celebrada, nesta sexta-feira (21), às 19h, uma missa na Igreja Nossa Senhora de Nazaré, onde o ex-governador se casou com Amine, em dezembro de 1948. A família destaca o legado deixado para o Amazonas através de sua atividade política, educacional e jurídica.

“Temos muito orgulho do legado que ele deixou, pois meu pai era acima de tudo um humanista. Ele sempre se preocupou muito com o direito das pessoas, com o povo amazonense, com a valorização do homem do interior. Agora, relembrando, vemos como ele era à frente de seu tempo. E, como pai, deixou uma marca profunda e memórias maravilhosas na vida de cada um de seus filhos”, conta a filha mais nova, a procuradora do Estado Clara Maria Lindoso e Lima.

O advogado e escritor Pedro Lindoso, também filho do ex-governador, enfatiza que além de ter exercido diversas funções, sempre com muita dedicação e ética, Lindoso era o pilar da família. “Ele foi um homem de sucesso como político, como advogado, como professor da Universidade Federal do Amazonas mas, principalmente, ele foi um homem que que fez o seu dever de casa como pai”, afirma.

Advogado e professor, Lindoso teve uma ampla atuação na academia. Em 1954, obteve o título de doutor em direito pela Faculdade de Direito do Amazonas, onde assumiu interinamente no ano seguinte a cátedra de Direito Civil, tornando-se em 1958 livre-docente de Economia Política. Também lecionou na Universidade de Brasília (UnB).

Também foi secretário de Educação, além de delegado regional e diretor regional da administração conjunta do Serviço Social do Comércio (Sesc) e Serviço Nacional de Aprendizagem Comercial (Senac). Membro da Academia Amazonense de Letras, dedicou-se ainda ao jornalismo, atuando como redator de O Jornal, em Manaus, e diretor da Folha Acadêmica.

Lindoso iniciou a vida política em 1962, elegendo-se primeiro suplente de deputado federal na legenda da coligação formada pela União Democrática Nacional (UDN) e o Partido Social Democrático (PSD). Em 1966, se elegeu deputado federal e foi membro efetivo das comissões de Constituição e Justiça e de Serviço Público e suplente da Comissão de Valorização Econômica da Câmara dos Deputados.

Em 1970, se elegeu senador pelo Amazonas, tornando-se membro efetivo das comissões de Constituição e Justiça, de Redação e de Segurança Nacional e suplente das comissões de Relações Exteriores, do Distrito Federal e de Economia no Senado.  Deixou o Senado em janeiro de 1979 e assumiu em fevereiro o Governo amazonense.

Antes da Constituição de 1988, Lindoso se candidatou à deputado federal e sua campanha consistiu, fundamentalmente, na publicação do livro Estado, Constituinte e Constituição, pela editora Saraiva, no qual explicava, de maneira acessível, o que era a Constituição e o que representava ser deputado constituinte.

Entre outros trabalhos, publicou “Do Estado — aspecto da socialização no direito constitucional brasileiro” (1947), “Valorização econômica da Amazônia” (estudo, 1947), “Preliminares sobre o estudo da economia política” (1952), “Elementos de economia política” (tese, 1953), “O Estado brasileiro e a evolução do direito civil” (estudo, 1960) e “Vinte anos de CLT” (1963).

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