Sexta-feira, 20 de Setembro de 2019
Maus Caminhos

Ex-governador Melo chega na Justiça Federal para passar por interrogatório

Conforme as investigações do MPF, o então governador liderava o grupo formado pelo secretariado que teria envolvimento com o esquema que desviou milhões da Saúde do Estado



melo_xxxxxx_BB919E4C-3484-45EB-9B7D-A5DDB97DB5DB.JPG Foto: Jair Araújo
08/08/2019 às 09:15

O ex-governador José Melo (PROS) acaba de chegar à sede da Justiça Federal na manhã desta quinta-feira (8) para ser interrogado, às 9h, no processo oriundo da Operação Maus Caminhos, que investiga desvios milionários na Saúde do Estado. Ele é alvo das fases denominadas “Custo Político” e “Estado de Emergência”.

Melo chegou às 8h48 acompanhado do advogado, José Cavalcanti. Abordado pela imprensa, ele repetiu o discurso da última terça-feira, quando estava acompanhando a esposa e ex-primeira dama Edilene Oliveira em seu interrogatório, de que não poderia falar com os jornalistas.

A Justiça Federal iniciou na terça-feira uma série de audiências dos réus no processo da Operação Maus Caminhos. Além da ex-primeira dama, cinco ex-secretários da gestão de Melo foram ouvidos: Evandro Melo (Administração), Raul Zaidan (Casa Civil), Afonso Lobo (Fazenda), Pedro Elias e Wilson Alecrim (Saúde).

José Melo (PROS) foi preso pela Polícia Federal na manhã do dia 21 de dezembro de 2017, durante a operação Estado de Emergência, uma das fases da operação Maus Caminhos. Melo foi preso no sítio de sua propriedade, localizado em um ramal no município de Rio Preto da Eva, na Região Metropolitana de Manaus.

Cinco dias depois da prisão, Melo chegou a ser liberado, mas foi preso novamente no último dia de 2017, após decisão da juíza federal Ana Paula Serizawa.

Chefia do núcleo político

Na denúncia apresentada pelo Ministério Público Federal (MPF), consta o detalhamento das condutas criminosas de cada um dos investigados que compõem o núcleo político da organização criminosa.

Conforme as investigações, o então governador José Melo, liderava o grupo formado pelo secretariado que compactuava com os crimes de corrupção cometidos pelos réus da operação Maus Caminhos.

De acordo com a denúncia do MPF, Melo avalizou e permitiu a continuidade do esquema, que começou a operar desvios em verbas da Saúde antes de sua gestão. A denúncia assinala ainda que Melo nomeou pessoas de confiança, "as quais, cada uma na sua área, assentiriam e colaborariam diretamente com a livre atuação da organização criminosa, sempre mediante o pagamento de propina".

Mensagens enviadas pelo médico e empresário Mouhamad Moustafa, apontado como líder da organização criminosa, a Priscila Marcolino, integrante do núcleo financeiro da organização, fazem menção a Melo por meio de codinomes e mostram a relação existente entre o médico e o governador à época da prática dos desvios de verbas.

Em determinado trecho de conversa entre Mouhamad e o ex-secretário de saúde Wilson Alecrim, em que os dois se desentendem, o empresário deixa claro que só aceitaria ordem se fosse dada diretamente pelo governador e não pelo então secretário de saúde, evidenciando não apenas a vinculação de José Melo, mas também seu papel de chefe do núcleo político.

Casal tentou obstruir as investigações

A ex-primeira dama, Edilene Oliveira, teve a prisão preventiva decretada no dia 4 de janeiro de 2018, com o marido já preso, após decisão da juíza federal Jaíza Maria Pinto Fraxe. Segundo a magistrada, os dois envolvidos teriam também ocultado e destruídos elementos de provas, obstruindo as investigações. Após o pagamento de fiança, o casal deixou a prisão no dia 27 de abril de 2018 após quase 120 dias de reclusão.

Melo e Edilene cumprem medidas cautelares, tendo que usar tornozeleira eletrônica para monitoramento, não podendo se ausentar de Manaus e do Estado, além de não poder entrar em contato com outros acusados do processo.

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