Sábado, 04 de Abril de 2020
JUSTIÇA

Ex-policial suspeito de participar de chacina será julgado na próxima terça (3)

Francisco Marques dos Reis, o “Max”, é apontado com autor da "Chacina do Novo Milênio" em que quatro pessoas foram mortas. O caso ocorreu em 2015 e a única testemunha foi morta em 2018



ex-pm_Max_7912ADC6-8289-472D-86B4-D3DABF763659.JPG Francisco Marques dos Reis, o “Max”, cumpre pena por outros crimes. Foto: Reprodução / Internet
28/02/2020 às 08:03

Apontado pela polícia como autor de mais de 30 homicídios, o ex-policial militar Francisco Marques dos Reis, o “Max”, sentará no banco dos réus, pela segunda vez, na próxima terça-feira, dia 3 de março, para ser julgado por quatro homicídios que ficou conhecido como a “Chacina do Novo Milênio". O caso ocorreu no dia 27 de fevereiro de 2015. 

Max, que está sendo chamado de “Anjo da Morte”, terá três promotores trabalhando na sua acusação e a previsão é que o julgamento na 3ª Vara do Tribunal do Júri da Comarca de Manaus, no Fórum Ministro Henoch Reis, na Zona Centro-Sul, dure no mínimo quatro dias.  O nome do juiz que presidirá a sessão ainda não foi divulgado.



As vítimas da chacina Edney Souza dos Santos, Ivan Teixeira Pessoa, Denilson Lobo Rodrigues e Keitiane Nunes Goldinho, foram executados a tiros, no quintal de uma casa, localizada na comunidade Novo Milênio, bairro Santa Etelvina, Zona Norte de Manaus, na tarde do dia 27 de fevereiro.

No dia 13 de março do mesmo ano, a polícia prendeu o ex-policial militar Max, Rangel Silva de Araújo, a namorada de Rangel, Andreia Cardoso Barata, e Anadú Amaral de Souza como suspeitos de participarem de um grupo de extermínio, contratados para matar Ivan, conforme informou o então delegado titular da Delegacia Especializada em Homicídios e Sequestros (DEHS), Ivo Martins.

 Edvania Souza dos Santos, na época com 17 anos de idade, conseguiu sobreviver ao esconder-se no forro da casa. Ela se tornou a única testemunha do caso, mas em março de 2018 foi encontrada morta e em estado avançado de decomposição na avenida das Flores, no bairro Nova Cidade, Zona Norte. 

De acordo com o pai dela, o servente Edigar dos Santos, 50, ela recebeu uma mensagem no celular e saiu sem dizer para onde iria. Como não retornou, a mãe da vítima, Maria de Souza Amorim, procurou a delegacia e registrou um boletim de ocorrência. No BO, a família relatou que a jovem estava jurada de morte.

Absolvido em 2018

Na primeira vez que Max sentou no banco dos réus para ser julgado pela "Chacina do Novo Milênio" foi em março 2018 e acabou sendo absolvido por falta de provas. O promotor de justiça que atuou na acusação Rogério Marques recorreu da decisão do conselho de sentença. Para Marques, a decisão dos jurados foi contrária às provas existentes nos autos processuais. Ele garante que os réus são extremamente perigosos e que os jurados se sentiram intimidados para condená-los. “Creio que a maioria (dos jurados) se sentiu intimidada. As provas eram seguras”, afirmou.

De acordo com as investigações, o ex-policial foi apontado como o chefe de uma milícia e responsável por mais de 30 homicídios na capital. A chacina teria sido motivada pela disputa por um terreno.

Na opinião do promotor, a absolvição de Max e Rangel foi um incentivo à impunidade e ao surgimento de mais milícias na cidade. Marques acredita que os jurados tenham ficado com medo de retaliações dos dois réus. “Durante o tempo todo do julgamento os réus ficaram cara a cara com os jurados”, disse Marques.

Rogério Marques também explicou que as testemunhas relataram, durante os depoimentos, terem sofrido ameaças de morte. Uma delas, Edvania, foi encontrada morta e em avançado estado de decomposição em uma área de mata na avenida das Flores, na Zona Norte.

Edvania foi a única sobrevivente do crime. Ela foi arrolada como testemunha do Ministério Público do Estado do Amazonas (MP-AM) e deveria ter sido ouvida durante o julgamento em 2018. Outra testemunha confidencial também temeu ser morta e não compareceu ao julgamento. No final, os jurados absolveram Max e Rangel por 4 a 3 votos.

Sem provas, além do ex-PM e de Rangel, Anadú do Amaral de Souza, 28, e Elias de Souza Cândido Rodrigues Junior também chegaram a ser presos pelo crime. No entanto, conforme o promotor, não foram encontradas provas de que os dois tivessem ligação com o quádruplo homicídio. Eles foram absolvidos.

Outros casos

Max, que é considerado pela polícia como “serial killer”, está preso em uma unidade da Polícia Militar onde já cumpre pena por outros homicídios. Conforme investigações feitas pela polícia ele era contratado para matar e mesmo depois de preso, na Companhia de Guarda da Polícia Militar, no Monte das Oliveiras,  na Zona Norte, ele saía para cometer crimes.

Repórter de A Crítica

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