Domingo, 21 de Abril de 2019
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EDUCAÇÃO

Ex-reitores criticam projeto que desmembra Ufam em três universidades

Para Nelson Fraiji, mudança irá reduzir drasticamente a capacidade de atuação nas microrregiões onde serão constituídas. Hidembergue Frota afirma que projeto é desmonte da interiorização da Ufam


15/03/2019 às 20:43

Dois ex-reitores da Universidade Federal do Amazonas (Ufam), Nelson Fraiji e Hidembergue Frota, criticam o projeto que prevê o desmembramento da instituição em três universidades federais no Estado, proposto por meio da mensagem presidencial nº 799 de 28/12/2018.

Nelson Fraiji, que foi reitor de 1994 a 1997, classifica a proposta como “absolutamente equivocada, profundamente demagógica e literalmente deslocada do propósito de solucionar os problemas de capacitação e investigação que temos que resolver”. Para Hidembergue, se aprovado e implementado, o projeto significa o desmonte da Ufam.

A criação de duas universidades, a Universidade Federal do Médio e Baixo Amazonas e a Universidade Federal do Médio e Alto Solimões, pelo desmembramento da Ufam, veio ao apagar das luzes da gestão do ex-presidente Michel Temer, desconsiderando a autonomia didático-científica, administrativa e de gestão financeira e patrimonial garantida constitucionalmente à Ufam, apontam os docentes.

No entendimento de Nelson Fraiji, em vez de potencializar todo o esforço até aqui implementado pela Ufam, a mudança irá reduzir drasticamente a sua capacidade de atuação nas microrregiões onde serão constituídas, dado que as novas instituições não terão a capacidade docente e de infraestrutura dispostas hoje na universidade para lidar com o largo espectro da formação de nível superior, assim como para os desafios da pesquisa e da extensão.

“A pulverização das estruturas da Ufam, com a proposta de criação das novas universidades, reduz e amesquinha a função institucional de cada uma das universidades propostas dada a sua estrutura reduzida e precária, tanto no sentido da infraestrutura quanto do quadro docente”, adverte ele, que é médico hematologista.

Além disso, observa Fraiji, está predisposto a estas futuras universidades serem meros produtores de diplomas nas áreas restritas às dos cursos que já estão instituídos e sem a integração da formação acadêmica com a pesquisa e extensão.

“Na proposta está determinada que não haverá aumento de despesas e, por isso, os recursos estarão congelados ao que ela possui na sua criação, o que indica o objetivo de elevar o número de matriculas a qualquer custo, para alcançar o previsto no Plano Nacional de Educação: expandir as matriculas de nível superior no setor público em 40 % ao ano para que a meta seja atingida até o ano de 2024”, explica.

Outro aspecto é o fato desta proposta não ser discutida e ainda ser exclusiva da Ufam, deixando as demais universidades da região fora. “A Universidade Federal do Pará (UFPA) também compartilha de muitos problemas semelhantes aos da Ufam, na esfera da formação de seus jovens e nos desafios da pesquisa, com o nosso estado. Então, porque esta brilhante ideia não foi proposta para fatiar a UFPA?”, questiona o ex-reitor.

Desmonte

Outro crítico do projeto é professor Hidembergue Ordozgoith Frota, que foi reitor da Ufam por dois mandados, entre 2001 e 2009. De acordo com ele, não se trata apenas de um simples desmembramento, mas do desmonte do processo de interiorização vitorioso de mais de quatro décadas da Ufam.

“Os recursos que ora o MEC pretende despender para realizar o mesmo que a Ufam já vem realizando nas regiões do médio e baixo Amazonas e do médio e alto Solimões, seriam melhor usados na implantação de duas novas unidades acadêmicas no alto rio Negro e na calha do rio Juruá”, afirmou Hidebergue.

Para ele, se a Ufam pudesse contar com esses recursos, poderia ser dada continuidade ao processo de interiorização na instituição, que tem se mostrado capaz de realizar essa missão, e atenderia aos jovens amazonenses das regiões que ainda não têm acesso aos cursos de nível superior.

Ao destacar a vocação amazônica da Ufam, Hidembergue, que é professor titular do Departamento de Física/ICE, lamenta a iniciativa do Poder Executivo, e a aparente anuência da Reitoria. “O jogo já foi jogado, a portões fechados, sem a presença de seus principais players, o Conselho Universitário, órgão máximo de deliberação da Universidade, a comunidade universitária e a sociedade amazonense”, afirmou.

Ao destacar como fato natural que todos os amazônidas sejam favoráveis à criação de novas universidades federais no Estado, Hidembergue sugere que se dê prioridade à criação de novas oportunidades de curso superior nas mesorregiões cujas populações ainda não estejam assistidas por instituições federais de ensino superior. Como por exemplo, na Mesorregião Norte Amazonense, onde se inclui o município de São Gabriel da Cachoeira, no Alto rio Negro, e na Mesorregião do Sudoeste Amazonense, na qual se situa o município de Eirunepé, no rio Juruá.

Para Hidembergue, entretanto, as “novas universidades” se destacam pela criação de novos cargos comissionados e funções gratificadas, no total de 324 cargos, o que corresponde a uma despesa para o contribuinte de mais de R$10 milhões anuais.

“Em contraste com esse alto custo operacional para o aumento da máquina administrativa, o MEC nada oferece de investimento em infraestrutura para a criação de novos campi associados a essas novas universidades”, disse o ex-reitor.

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