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Extintores de incêndio veicular com carga ABC continuam em falta em Manaus

O consumidor tem corrido de um canto para o outro à procura do produto que estava sendo vendido a partir de R$ 70. Mas é possível encontrar extintores custando até  R$ 150 em postos de combustíveis 11/03/2015 às 21:05
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Comerciantes alegam que fabricantes não estão dando conta das encomendas de extintores por falta de matéria-prima
Cinthia Guimarães ---

O Ministério de Cidades solicitou ao Departamento Nacional de Trânsito (Detran) o adiamento por mais 90 dias da obrigatoriedade dos extintores de incêndio veicular com carga ABC. No entanto, as lojas especializadas de Manaus praticamente estão sem estoques do produto. O consumidor tem corrido de um canto para o outro à procura do produto que estava sendo vendido a partir de R$ 70. Mas é possível encontrar extintores custando até  R$ 150 em postos de combustíveis.

Os extintores ABC seriam obrigatórios a partir do dia primeiro de janeiro deste ano. O prazo havia sido estendido para o dia 1º de abril e agora vai ser adiado para 1º de julho.

O motivo da falta do produto seria a dificuldade das fabricantes nacionais – Resil, Kidde e Protege – em importar a substância monóxido de amônia, matéria prima para fabricação dos extintores encontrada em países como China e México.

“O produto base é importado. As fabricantes não estão conseguindo importar a tempo e também de passar pela inspeção do Ibama (Instituto Brasileiro de Meio Ambiente e Recursos Renováveis) e entregar as encomendas aos lojistas”, explicou o proprietário da Protenorte, José Carlos Cardoso.

A reportagem esteve em cinco lojas especializadas e em todas elas o produto estava em falta. Na loja Protenorte, no bairro de Petrópolis, zona Sul, o estoque de 850 extintores chegou no dia 28 de fevereiro e só durou uma semana e, por enquanto, não há previsão para que a loja seja reabastecida devido às dificuldades que os fabricantes estão enfrentando para atender à demanda nacional.

A alta procura dos clientes também fez esgotar em apenas dois dias o estoque de extintores na Emops, na avenida Constantino Nery, São Geraldo, zona Centro-sul. Agora a previsão é que os produtos encomendados só cheguem a partir do dia 23 deste mês. “As fábricas não estão conseguindo entregar a demanda. Não é a culpa do lojista, é do fabricante”, justificou a consultora de vendas Laura Veloso.

O problema é o mesmo na loja Benayon Auto Peças, na Praça 14, zona Sul, que não conseguiu se abastecer desde fevereiro, quando acabou o lote de extintores. O extintor veicular de um quilo estava sendo comercializado a R$ 85.

A Auto Peças Sousa, na Cachoeirinha, zona Sul, está sem o produto desde dezembro do ano passado quando o produto foi esgotado devido a alta procura dos motoristas que tinham deixado para se regularizarem na última hora, na ocasião do primeiro prazo.

Francisco Aelson Amaral já tinha ido a cinco estabelecimentos comerciais em busca de comprar dois extintores, um para o seu carro e outro para o carro do seu filho, e não havia encontrado. “Procurei pelo extintor em janeiro e não consegui, mas como o governo prorrogou eu resolvi esperar para comprar este mês e não consegui até agora”, disse o técnico em refrigeração.

Eficiência

O extintor tipo ABC, composto de monóxido de amônia, é mais eficiente para conter as chamas de três tipos de incêndios: com materiais sólidos, líquidos inflamáveis e equipamentos elétricos. Já o tipo BC é composto de bicarbonato de sódio, indicado para combater incêndios da classe B (líquidos inflamáveis) e C (equipamentos elétricos).

O tipo ABC começou a equipar carros mais novos a partir de 2009 e tem validade de cinco anos. Quem tem carro produzido depois do segundo semestre de 2010 não precisa trocar, mas quem tem carros fabricados antes desse período deve providenciá-lo em breve.

O motorista que a partir do dia 1º de julho não estiver utilizando o novo extintor ao ser pego em barreira policial ou blitz do Departamento Estadual de Trânsito (Detran), pode pagar multa de R$ 127,69 e perder cinco pontos na carteira.

Fim da recarga

Ao definir 2015 como nova data-limite para circular com o modelo antigo de extintor, o Contran focou principalmente os consumidores que optavam por recarregar o extintor, isto porque, diferentemente do antigo modelo (extintor BC), o extintor ABC é descartável e tem validade de cinco anos. O extintor deve ser trocado quando terminar a validade de 5 anos dada pelo fabricante; caso ocorra uma despressurização; e caso ele tenha sido usado.

Procon-AM multou lojas com preços abusivos

Em janeiro, quando houve uma verdadeira corrida dos motoristas para comprar o extintor e atenderem as exigências das autoridades de trânsito, o Departamento Estadual de Trânsito do Amazonas (Detran-AM) e o Departamento do Programa Estadual de Proteção, Orientação e Defesa do Consumidor (Procon) do município e do Estado realizaram uma série de fiscalizações em estabelecimentos que vendem extintores automotivos ABC, depois de receberam várias denúncias de que o equipamento estava sendo comercializado por até R$ 250 em alguns pontos da cidade.

“Como teve uma grande correria em Manaus dos motoristas querendo comprar extintores, os preços se elevaram. O que antes custava cerca de R$ 50 a R$ 70, passou a ser vendido por até R$ 250. Nós vamos fiscalizar aproximadamente 11 estabelecimentos durante a semana e se o preço abusivo for constatado, multaremos de acordo com o artigo 39 do Código da Defesa do Consumidor”, explicou à época o ouvidor do município, Alessandro Cohen.

O superfaturamento pode ser identificado quando um equipamento é vendido por um valor e em pouco tempo passa a ser comercializado por um preço muito mais alto. No caso dos extintores, foram aproximadamente 300% de aumento.

O Procon Manaus alertou que os comércios que estivessem superfaturando o equipamento podem ser autuados e obrigados a pagar entre 100 e até 1 milhão Unidades Fiscais do Município (UFMs) - cada UFM é R$ 83,78.

Agora os condutores terão pouco mais três meses para se regularizarem.

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