Domingo, 18 de Abril de 2021
INVASÃO NO WHATSAPP

Extorsão virtual: criminosos usam WhatsApp para golpes em busca de dinheiro no AM

Estelionatários invadem contas no aplicativo para roubar e pedir dinheiro se passando pelos usuários verdadeiros. Especialista lista dicas de como identificar e evitar possível golpe



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15/02/2021 às 07:40

Com o avanço tecnológico e a popularização das redes sociais, crimes cibernéticos têm sido cada vez mais frequentes. As vítimas vão desde pessoas anônimas, políticos e até mesmo órgãos públicos. No Amazonas, os golpes aplicados através de plataformas como o WhatsApp têm feito vítimas diariamente, e o estelionato está entre os crimes mais frequentes aplicados pelos golpistas.

Dados do Sistema Integrado de Segurança Pública (Sisp) revelam que no Amazonas os golpes que entram no segmento ‘Invasão de Dispositivo Informático’ passaram de 252 em 2019, para 517 em 2020, o que representa aumento de 105% no registro de casos. Além de envolver casos de golpe pelo WhatsApp, a estatística da SSP também engloba invasão de computadores e outros aparelhos de smartphones. O aumento expressivo no número de casos pode ter relação com o contexto de isolamento social pela pandemia da Covid-19, onde mais pessoas passaram a utilizar de forma frequente o smartphone como meio de comunicação.



É o caso da estudante de jornalismo, Carol Guerra (20), que teve sua conta do WhatsApp invadida por criminosos que tiveram acesso aos seus contatos, e em nome dela, pediram dinheiro emprestado para vários amigos. “Foi uma situação extremamente complicada, eles ficaram com acesso ao meu WhatsApp por volta de 13h30 até 21h, e não paravam de mandar mensagem pra todo mundo pedindo dinheiro”, disse a estudante, ao destacar que os criminosos conseguiram extorquir mais de R$ 3,5 mil com o golpe.

Carol conta que tudo começou quando ela tentava cancelar um voo, porque sua família e ela havia contraído o coronavírus. Sem sucesso no atendimento pela companhia aérea, a estudante resolveu fazer um desabafo em uma rede social da empresa, contando a situação de saúde de sua família e reclamando da qualidade do atendimento.

O comentário foi o suficiente para que os criminosos colhessem informações e entrassem em contato com a vítima, se apresentando como atendente da companhia aérea. Com a desculpa de que precisavam confirmar o atendimento, os golpistas convenceram Carol de informar um código de seis números enviado pelo WhatsApp por mensagem SMS, necessário para concluir a autenticação da conta em outro celular.

O advogado em direito digital, Aldo Evangelista, explica que com a tática os criminosos conseguem, na verdade, o PIN, uma senha de segurança de seis dígitos do aplicativo.  “Ao abrir o seu WhatsApp em outro smartphone, o criminoso de imediato tem acesso aos grupos, não necessariamente tem acesso aos contatos, mas nos grupos tem os nomes das pessoas, aí eles entram em contato com essas pessoas se passando por você e aplicam o golpe”, disse.

De acordo com o advogado, esse golpe é caraterizado como crime de estelionato, que segundo o Código Penal, é praticado ao “obter, para si ou para outrem, vantagem ilícita, em prejuízo alheio, induzindo ou mantendo alguém em erro, mediante artifício, ardil, ou qualquer outro meio fraudulento”. A pena é reclusão de um a cinco anos e multa.

Ao serem vítimas desse crime, Evangelista aconselha que as pessoas procurem um advogado especialista em direito digital, ou procurem a Delegacia Civil de Crimes Cibernéticos. “Em Manaus, ela funciona dentro da Delegacia Geral, mas na Delegacia Civil existe também a opção de você fazer o boletim de ocorrência online dessa situação”, destacou.

Tipos de golpes

O analista de suporte e rede de computadores e especialista em segurança digital, Weverton Rodrigues, afirma que existem pelo menos quatro tipos de golpes relacionados ao WhatsApp, com diferentes abordagens. Confira:

- A primeira forma é quando o golpista entra em contato com a vítima através de um site ou rede social dizendo que a pessoa foi sorteada ou que tem um atendimento especial, e solicita o código de autenticação para confirmar o atendimento.

- Na segunda abordagem, o criminoso não precisa de contato com a vítima, ele usa outro número de celular com foto de perfil da vítima e entra em contato com os amigos dessa pessoa, dizendo que trocou de número e precisa de ajuda financeira. Nesse tipo de golpe, o criminoso geralmente escolhe pessoas influentes, como foi caso do ex-candidato a prefeito de São Paulo, Guilherme Boulos, que precisou acionar a Justiça por conta de uma falsa conta que pedia dinheiro em seu nome.

- Na terceira forma, o criminoso consegue o número da vítima em alguma rede social ou anúncio, vai à operadora de celular, enganar o atendente e resgata esse número para acessar o WhatsApp da vítima e aplicar os mesmos golpes.

- Já a quarta abordagem é mais complexa, segundo o especialista, porque envolve um vírus específico, e funciona por meio de uma invasão tanto pelo navegador do computador quanto pelo celular Android. Essa forma é de fato a clonagem do WhatsApp e não um sequestro como nas abordagens anteriores.

Caiu no golpe? Saiba o que fazer

Segundo o analista Weverton, para cada tipo de caso tem uma solução diferente, e o primeiro caso é o mais comum, tendo feito vítimas diariamente, como foi o caso da estudante Carol Guerra. “O que é realmente eficaz é a vítima ter ciência de que existem esses tipos de golpistas”, destacou.

O advogado em direito digital afirma que as pessoas devem ser proativas ao receberem mensagens suspeitas de alguém pedindo dinheiro por algum problema. “É sempre bom ligar pra pessoa pra confirmar a história, porque apesar de o WhatsApp está com o golpista, o número da pessoa normal está funcionando”, disse.

Conforme o advogado, ao ser vítima do estelionatário, uma alternativa também é mandar um e-mail de imediato para o suporte do WhatsApp e pedir para suspender a conta. A mensagem deve ter uma descrição da situação e o boletim de ocorrência em anexo, que a vítima pode obter de forma online pela Delegacia Interativa. Segundo ele, comunicar a operadora de celular sobre o fato e trocar o chip pelo mesmo número, também funciona para derrubar a conexão do criminoso.

“Já para quem foi vítima desse golpe e chegou a transferir dinheiro, o que eu oriento é as pessoas entrarem em contato de imediato com o seu banco explicando a situação, pedindo para o banco tomar providência para devolver esse dinheiro, ou seja, cancelar essa transferência. Em alguns casos, devido a isso ter sido feito de forma rápida, foi possível recuperar todo o valor ou parte desse valor”, pontuou.


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