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Facções estão desorganizadas e podem ser vencidas, alegam promotores

A declaração dos promotores é baseada nas conversas que têm com criminosos durante as audiências criminais. “Que as facções estão aí, isso não restam dúvidas. Mas uma coisa é certa: elas não estão tão organizadas como se  vendem" 22/06/2013 às 19:12
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Para Fábio Monteiro, o crime de “Frankzinho do 40” é um típico recado que tem a função de servir de exemplo para os grupos rivais e mostrar qual é o destino e o sofrimento que tem quem tenta desafiá-los
Joana Queiroz Manaus, AM

Membros do Ministério Público Estadual (MPE) que atuam na área criminal dizem que as facções criminosas com atuação, principalmente, nas unidades prisionais da capital, não estão tão bem organizadas como anunciam e que o estado ainda tem o comando. A prisão de sete integrantes da facção criminosa denominada de Família do Norte  (FDN), semana passada, pode ter enfraquecido a estrutura  da facção já que um dos presos, o criminoso Vainer dos Santos Magalhães, o “Pepê”, é considerado um dos braços fortes da FDN.

A declaração dos promotores é baseada nas conversas que têm com criminosos durante as audiências criminais. “Que as facções estão aí, isso não restam dúvidas. Mas uma coisa é certa: elas não estão tão organizadas como se  vendem. E se as instituições de segurança trabalharem de forma organizada ainda temos condições de vencer essa guerra”, declarou o promotor de Justiça e coordenador Centro de Combate ao crime Organizado (Caocrimo), Fábio Monteiro.

O promotor Ednaldo Moura disse que  a facção criminosa denominada de Família do Norte, que seria um braço do Primeiro Comando da Capital (PCC) na região, está sendo considerada a maior do Estado, vem buscando o controle das cadeias e oferece algumas vantagens para quem se filia ao grupo: proteção dentro e fora das prisões. “Eles estão tentando se organizar aos moldes do PCC, mas ainda não estão totalmente organizados”, afirma Moura.

Os promotores apontam as mortes do traficante Frank Oliveira da Silva, o “Frankzinho do 40”, e do presidiário Antônio Carlos Costa Uchoa, o “Tonga”, ocorridas no mês passado, como sendo uma possível ação das facções criminosas. “Frankzinho do 40” liderava uma ramificação do tráfico de droga na capital  e estaria fazendo frente aos outros grupos.

Para Fábio Monteiro, o crime de “Frankzinho do 40” é um típico recado  que tem a função de servir de exemplo para os  grupos rivais e mostrar  qual é o destino e o sofrimento que tem quem tenta desafiá-los. Além disso, é uma forma de demonstrar ao Estado o poder e a força  que tem.

Fábio Monteiro acredita que o alinhamento das instituições de segurança – polícias Civil  e Militar, MPE e judiciário e as demais secretarias – pode reprimir o crescimento da criminalidade instituída. A criação do Regime Disciplinar Diferenciado (RDD), para os presos que hoje estão no controle dos presídios,  é uma das medidas defendidas por Fábio Monteiro.

Segundo o promotor, essas lideranças seriam colocadas em celas individuais e teriam seus direitos e comunicação com o mundo fora da cadeia limitados.  Para os promotores, os presos começaram a se organizar depois que foram transferidos para presídios federais onde tiveram contato com lideranças de facções criminosas como o PCC,  de São Paulo, e o Comando Vermelho (CV), do Rio de Janeiro.

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