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Falha no transporte coletivo é driblada pela população com novos meio de mobilidade

Demora dos ônibus faz passageiros utilizarem  catraias para irem ao trabalho. Antes, gastavam duas horas de ônibus, agora demoram 5 minutos de catraia 02/08/2015 às 20:05
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Além das belas paisagens do rio Negro e do encontro das águas, usuários das catraias afirmam chegar em menor tempo no seu destino
Kelly Melo Manaus (AM)

Figuras muitos comuns até a década de 80, quando poucas pontes interligavam os bairros recortados pelos igarapés ao Centro de Manaus, os catraieiros permanecem em atividade nas áreas mais distantes da capital. Seu Alberto Melo de Oliveira, 64, o “Cici” é um desses que atuam entre a Colônia Antônio Aleixo e Puraquequara, na Zona Leste. Há 15 anos ele faz questão de trabalhar atravessando as pessoas da comunidade Bela Vista para a 11 de Maio, no entorno do Lago do Aleixo, que separa os dois bairros.

Cici conta que atualmente é um dos mais antigos do bairro a continuar na atividade, que resiste ao tempo devido a distância entre os bairros. “É mais fácil atravessar do Puraquequara para a Colônia Antônio Aleixo pelo rio, do que pela estrada. Por isso continuamos aqui”, afirma ele.  O catraieiro acrescenta, ainda, que do bairro é possível chegar até ao Centro pelo rio ou mesmo para outros municípios, passando pelo encontro das águas (um dos principais pontos turísticos da cidade).

O ritmo não para. Basta um descer da catraia (barco de pequeno porte) para outro entrar e seguir para outro destino. Só seu Cici transporta em média 60 pessoas diariamente desde  às 5h até às 19h. A passagem é R$ 3. Mas ele não é o único prestador do serviço. Nos três portos existentes na área do Lago do Aleixo pelo menos 20 homens fazem a travessia de clientes em embarcações de pequeno porte.

Algumas dessas canoas possuem toldos para proteger do sol, mas a maioria delas atravessam mesmo debaixo de um sol escaldante ou chuva. “Essa é a melhor época pra gente trabalhar porque o rio está cheio e muitos moradores não têm barco próprio. Mas quando seca, uma ponte é construída no meio do canal e as pessoas acabam atravessando a pé e a gente fica sem trabalhar”, disse o catraieiro.

Preferência

A estudante Geovana Siqueira dos Santos, 16, conta que sempre atravessa a comunidade de catraia e tem esse transporte como o seu preferido. “Eu gosto de andar na catraia porque é divertido e não é igual aos ônibus, que sempre estão lotados. Aqui a gente segue a viagem mais tranquila”, afirma ela.

A agente de saúde Ediléa Cardoso Pereira, 45, pensa um pouco diferente. Na opinião dela, o transporte é perigoso, mas a agilidade dele acaba falando mais alto. “Eu moro na Colônia e trabalho no Puraquequara. Para mim é melhor atravessar de catraia porque demoro cinco minutos para chegar em casa. Se fosse de ônibus demoraria umas duas”, exemplificou.

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