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Falta da vacina BCG nos postos de Manaus preocupa pais

Sem a oferta da vacina, que previne tuberculose em crianças, na rede pública, pais procuram a imunização na rede particular 24/03/2015 às 20:47
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Pais que procuram as UBSs e os Caics para vacinarem os recém-nascidos contra a BCG se deparam com a desabastecimento do estoque. A alternativa é pagar particular
Auriane Carvalho Manaus (AM)

Várias unidades de saúde de Manaus estão sem a vacina Bacillus Calmette Guérin (BCG). A imunização faz parte do calendário nacional de vacinação e é oferecida gratuitamente na rede pública de saúde em recém-nascidos para prevenir a tuberculose. 

A falta do medicamento, no entanto, tem deixado muitos pais preocupados. Alguns estão desembolsando, em média, R$ 75 na rede particular para garantir a imunização da criança. Por outro lado, o Ministério da Saúde informou, por meio de nota, que a regularização dos estoques da vacina está ocorrendo desde a última semana.

Dentre os locais que estão sem a dose da vacina está a Maternidade Nazira Daou, na Cidade Nova, Zona Norte.  Segundo uma mãe que não quis se identificar, aquele foi o segundo local que ela levou o filho, mas também não tinha dose disponível.

A mãe disse não saber o que fazer, pois havia ido à Unidade de Pronto Atendimento (UPA) do Campos Sales, Zona Centro-Oeste e na Unidade Básica de Saúde (UBS) do Santa Etevina, mas sem sucesso. Ela também afirmou estar com medo do filho adoecer.

Além dos locais citados pela mãe, os Centros de Atenção Integral à Criança (CAICs) e outras unidades básicas de saúde como a de Petrópolis, Zona Sul, a Sávio Belota, Zona Norte, também não possuem a medicação. No Caic Dr. Gilson Moreira, localizada na comunidade Mundo Novo,  Zona Norte, uma funcionária da unidade  informou que a orientação da secretaria de saúde é priorizar apenas as maternidades e as UBSs.

Foto: Antônio Lima

O aviso indica os dias de vacinação, mas há duas semanas não tem BCG na UBS de  Petrópolis

“Este mês não recebemos a BCG. Sabemos apenas que o estoque está crítico. Inclusive, as vacinas para febre amarela e tetra viral (previne a catapora) acabaram antes do previsto. No entanto, temos em estoque outras vacinas, até mesmo a contra o HPV”, disse a funcionária, que preferiu não se identificar com medo de represália.

Ainda segundo os funcionários, os problemas no fornecimento de vacinas pelo Ministério da Saúde (PM) começaram no ano passado em várias cidades brasileiras, mas a situação se agravou no País no mês de fevereiro, quando o governo repassou apenas 50% da quantidade necessária para abastecer a cidade. Em março, ainda não houve repasse.

O diretor-presidente da Fundação de Vigilância Sanitária (FVS), Bernardino Albuquerque, informou que até o final desta semana será encaminhado ao Amazonas mais  4,5 mil doses da BCG. Ele disse que a quantia será insuficiente para   abastecer todo o Estado.

“Por isso, iremos priorizar as maternidades da capital e os municípios que possuem a maior demanda de nascimento. O Ministério da Saúde prometeu regularizar o repasse no mês de abril”, destacou.

“Tínhamos a vacina até sexta-feira  passada, mas acabou. Estou aguardando um posicionamento do PNI (Programa Nacional de Imunização) da Susam, que nos faz o repasse quinzenalmente. No momento, temos apenas doses contra hepatite B, febre amarela e a tríplice viral”, desabafou.

Secretaria Municipal da Saúde culpa Ministério

A Secretaria Municipal de Saúde informou, em nota, que o descumprimento do cronograma de entrega da BCG pelo Ministério da Saúde (MS) ocorreu por uma necessidade de readequação no processo de aquisição do imunobiológico por meio de convênio entre o governo federal e o laboratório produtor Fundação Ataupho de Paiva (FAP).

Além disso, os lotes entregues a partir do mês de dezembro encontram-se bloqueados aguardando análise do Instituto Nacional de Controle de Qualidade em Saúde (INCQS), resultando o desabastecimento em Manaus.

A nota informou, ainda, que a maioria das doses restantes está nas maternidades. A secretaria pede, em média, entre 5 a 10 mil vacinas/mês para atender às necessidades da rede municipal de saúde.

Em janeiro de 2015, apesar do pedido de 10 mil doses, não houve repasse algum. O último repasse foi em fevereiro, quando apenas 5 mil doses foram encaminhadas. Em março ainda não houve repasse.

Em fevereiro 2014, a Coordenação Geral do Programa Nacional de Imunizações (CGPNI) comunicou por meio de Mensagem às coordenações estaduais, responsáveis por informar as coordenações municipais, sobre a dificuldade no atendimento da demanda de alguns imunobiológicos, incluindo a BCG.

O coordenador do ambulatório da Maternidade Nazira Daou, enfermeiro Jordoval Santos, informou que o recém nascido pode tomar a BCG até o segundo mês de vida sem prejuízos a saúde.

Previsão

A regularização dos estoques de vacinas, segundo nota enviada pelo Ministério da Saúde (MS),  iniciou na última semana, com o envio de 180 mil doses para todo o País. No dia 31 de março, a previsão é de que sejam liberadas mais 522 mil doses, e no dia 02 de abril, 410 mil doses. 

O coordenador do ambulatório da Maternidade Nazira Daou, enfermeiro Jordoval Santos, admitiu a falta da BCG na instituição. Segundo ele, na última quinzena, foi repassado apenas 100 doses do medicamento, menos da metade encaminhada a entidade nos meses passados, que variava entre 300 a 400 unidades do produto a cada 15 dias.

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