Publicidade
Manaus
Manaus

Falta de escolas gera altos custos com transporte público

Três escolas começaram a ser construídas para atender ao residencial do Viver Melhor, na Zona Norte de Manaus, porém, duas estão no baldame e uma concluída 01/07/2013 às 09:49
Show 1
Uma unidade com 12 salas já está concluída, mas ainda não foi inaugurada para atender às famílias do Viver Melhor
FLORÊNCIO MESQUITA ---

Pais de estudantes que moram no residencial do Viver Melhor, na Zona Norte, gastam quase R$ 300 por mês com passagens de ônibus para levar os filhos para as escolas. O valor daria para pagar a mensalidade em uma escola particular, pelos cálculos feitos por eles. O gasto com transporte ocorre porque o residencial foi entregue sem nenhuma escola e os pais acompanham os filhos que estudam em bairros próximos. Eles precisam pagar a própria passagem e a dos estudantes. Em um único dia o gasto chega a R$ 14,5, sendo quatro passagens inteiras ainda com a tarifa de R$ 2,90 e duas meias a R$ 1,45. Por semana, o gasto sobe para R$ 72,5 e em um mês para R$ 290. A partir desta segunda-feira (01), a tarifa de ônibus passa a valer R$ 2,75 e a meia passagem R$ 1,35.

“Não deixo minha filha ir sozinha para aula. É perigoso em todos os sentidos. Se acontecesse alguma coisa com ela no caminho para escola e eu não estivesse acompanhando iam dizer que fui a culpada. Tenho que ir com ela e todo o dia o gasto com passagens é muito alto. Se tivesse a escola aqui no conjunto não precisaria pagar seis passagens de ônibus por dia”, contou a doméstica Solange Moura, 33.

Ela completou dizendo que o gasto só diminui quando consegue fazer integração temporal. “Quando está no tempo da integração, em vez de duas passagens na ida ou na volta, pago só uma. Só que dá certo apenas nos ônibus das linhas que não começam com zero. Por isso que tem gente que só deixa ou busca o filho na escola para não gastar tanto. No Viver Melhor temos as linhas 458, 456, 028 e 041 e todo ônibus que começa com zero não temos direito a integração temporal”, disse.

Quatro escolas estavam previstas para serem construídas no residencial, situado na avenida Torquato Tapajós, mas apenas três estão em obras. A primeira deveria ter sido entregue pelo Governo do Estado, conforme o cronograma da obra, em fevereiro deste ano, mas foi adiada para maio e ainda continua fechada. A obra está orçada em R$ 3.335.393,60.

Aproximadamente 3,5 mil famílias moram no residencial, sendo que a maioria tem crianças e adolescentes com idade escolar. Para não perder o ano letivo, as crianças continuam estudando, mas em escolas localizadas em bairros próximos. Grande parte dos estudantes do ensino fundamental e médio está dividida entre as escolas Sebastião Augusto, Zilda Arns, João Goulart e Airton Sena, na Zona Norte, revelam os moradores, que se queixam também da ausência de outros serviços oferecidos próximo do conjunto.

 A exceção é para alunos da rede municipal. A Prefeitura de Manaus disponibilizou ônibus escolares para quem mora no Viver Melhor e estuda em instituições municipais. A maioria estuda nas escolas municipais Solange Nascimento, na BR-174 e Antônio Medeiros, no bairro União da Vitória. O primeiro semestre letivo do ano no ensino público foi encerrado sem que a promessa da inauguração da primeira escola do Viver Melhor fosse cumprida.

Unidade da Seduc só em setembro

A Secretaria de Estado de Educação (Seduc) informou que a empresa responsável pela construção das casas do conjunto residencial Viver Melhor, “por motivos burocráticos”, só autorizou a realização das obras de construção da nova escola em fevereiro deste ano, período em que a obra deveria ter sido entregue. No entanto, a obra só começou efetivamente a ser feita no mesmo período. Conforme a pasta, a escola só deve ser concluída em setembro deste ano.  Ela terá 12 salas de aulas, com capacidade para atender 1,4 mil alunos somando os três turnos.

De acordo com a Seduc, a construção de um Centro de Educação de Tempo Integral (Ceti), com capacidade para atender a mil estudantes também está confirmada. Porém, não foi informada a data do início ou término da obra. A Seduc acrescentou que o atendimento escolar para o ensino fundamental, muito requisitado pelos moradores, embora realizado de forma suplementar pela rede pública estadual, é de responsabilidade do município.

Publicidade
Publicidade