Publicidade
Manaus
Manaus

Falta de estrutura e sinalização dificulta travessia na avenida Torquato Tapajós, em Manaus

Com aproximadamente 18 quilômetros de extensão que ligam a Zona Norte ao Centro da cidade, a via é uma das mais longas e movimentadas da capital 09/01/2015 às 10:00
Show 1
A travessia é arriscada ao longo da avenida Torquato Tapajós, especialmente nos trechos próximos ao Hospital e Pronto Socorro da Zona Norte
Oswaldo neto Manaus (AM)

Para atravessar a avenida Torquato Tapajós em frente ao Hospital e Pronto Socorro da Zona Norte, a auxiliar de cozinha Ana Maria da Cunha, 45, aguarda um bom tempo até que o fluxo de veículos diminua. A falta de sinalização e de fiscalização, segundo ela, transforma uma simples travessia em uma “aventura”, especialmente para quem procura atendimento médico no pronto-socorro. “Tenho que esperar a boa vontade dos motoristas. Isso acontece todos os dias quando saio do trabalho e preciso atravessar para chegar ao ponto de ônibus. Já estou ‘craque’, mas ainda sinto medo”, conta.

Com aproximadamente 18 quilômetros de extensão que ligam a Zona Norte ao Centro da cidade, a via é uma das mais longas e movimentadas da capital. Nela trafegam uma grande quantidade de veículos pesados, carros, motocicletas e cerca de 59 linhas de ônibus que atendem todas as zonas da capital, inclusive a rural. A avenida também é conhecida por dar acesso às rodovias Manoel Urbano (AM-010) e BR-174, trajeto daqueles que desejam chegar aos municípios da Região Metropolitana como Rio Preto da Eva e Presidente Figueiredo.

Outro que vê de perto o perigo da via é o comerciante José Roberto Ferreira, 54. Há oito anos, o vendedor trabalha em uma banca situada ao lado do Hospital e Pronto Socorro Delphina Rinaldi Abdel Aziz, no bairro Colônia Terra Nova, Zona Norte, inaugurado em 2014. Ele critica a ausência de sinalização no local. “Aqui tem acidente todos os dias. Essa semana mesmo teve uma colisão entre um ônibus e um caminhão”, afirmou.

Em frente à unidade de saúde, A CRÍTICA constatou a inexistência de qualquer faixa de pedestres. A situação se complica para deficientes, que ficam impedidos de atravessarem a via por conta dos canteiros centrais, que possuem valas com quase 20 cm de profundidade. “Acho que uma passarela ou uma faixa resolveria o problema. Já vieram aqui várias vezes e ninguém faz nada”.

Mortes

A avenida oferece perigo também em outros pontos, causando principalmente mortes por atropelamento. Segundo dados de 2012 do Instituto Municipal de Engenharia e Fiscalização do Trânsito (Manaustrans), 16 pessoas morreram naquele ano ao tentarem realizar travessias na Torquato Tapajós. Em 2013, o número aumentou: foram 18 pessoas envolvidas em acidentes fatais. O Manaustrans ainda não possui os dados de 2014.

Canteiros são obstáculo

Outro gargalo enfrentado por quem quer apenas passar de um lado para o outro da avenida Torquato Tapajós são os canteiros centrais. As divisões pretendem dar segurança aos motoristas que andam em sentidos opostos, ao passo que trazem insegurança para cadeirantes e pedestres.

A estudante Lavínia Gomes, 25, ia em direção ao hospital e segurava com força a mão da filha de cinco anos. Ao ser entrevistada, ela tropeçou ao pisar em um buraco dentro do canteiro central. “Está vendo? Não dá pra andar aqui! Corremos o risco de morrer atropelados simplesmente porque pisamos nesse buraco”, afirmou.

Por meio de nota, a Secretaria Municipal de Infraestrutura (Seminf) informou que existem estudos para melhorias dos canteiros, mas nada foi concluído até agora. O órgão salienta que até o fim do primeiro semestre os canteiros devem ser revitalizados.

O Instituto Municipal de Engenharia e Fiscalização do Trânsito (Manaustrans) informou que a implantação de sinalização é competência do órgão, mas não forneceu mais detalhes sobre possíveis obras.

Publicidade
Publicidade