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Manaus
Educação

Mais de 70% dos alunos da rede pública de Manaus não sabem o que é Fies, Sisu e Prouni

Pesquisa também mostra que 39% dos alunos do ensino médio da rede pública de Manaus não sabiam que a UEA, a Ufam e o Ifam são instituições públicas, ou seja, que o estudante não precisa pagar para estudar nelas 05/02/2018 às 16:25 - Atualizado em 05/02/2018 às 16:54
Show show salvaguarda
Foto: Divulgação
Silane Souza Manaus (AM)

Quase 60% dos alunos do ensino médio da rede pública, em Manaus, que participaram de uma pesquisa do projeto Salvaguarda no ano passado afirmaram que sabem o significado ou para que serve o Exame Nacional do Ensino Médio (Enem). Contudo, quando se trata do Sistema de Seleção Unificada (Sisu), do Programa Universidade Para Todos (Prouni) e do Fundo de Financiamento Estudantil (Fies), esse percentual fica abaixo de 10%, 20% e 30%, respectivamente. 

O fundador do projeto Salvaguarda, Vinicius de Andrade, disse ao Portal A Crítica que essa falta de conhecimento dos alunos da rede pública sobre os programas de ingresso na educação superior, pública e privada, não acontece só a nível regional: é uma realidade nacional, como mostrou a pesquisa realizada com 1.645 alunos de 19 estados brasileiros.

“Embora seja um número pequeno de entrevistados, o resultado em todos os locais onde aplicamos o questionário mostrou que a falta de informação é uma realidade nua e crua no País”, afirmou.

Para ele, essa carência de informações dos alunos e a desigualdade são algo realmente grave e que precisa de ações. “Se nada mudar, esses alunos serão os próximos porteiros, jardineiros, caixas de supermercado, telefonistas e serviços gerais em alguma empresa. Nada contra essas profissões. O que me preocupa é o fato de que não necessariamente eles estejam escolhendo essas profissões. Estão, na verdade, sendo ‘empurrados’ a elas pela simples falta de informação ou apoio e isso é grave”, aponta Andrade.

Conforme ele, que é estudante de economia da Universidade de São Paulo (USP) em Ribeirão Preto (SP), o projeto começou por incentivo dos resultados de uma pesquisa realizada em 2016, em quatro escolas daquela cidade, que mostrou que alunos do último ano do ensino médio tinham, sim, interesse em ingressar no ensino superior, seja ele público ou privado, mas não tinham informações necessárias, como saber para que serve o Prouni, Fies e Sisu. 

A ampliação do estudo tinha como objetivo ressaltar a importância do apoio e informação aos alunos da rede pública em evidência. O Salvaguarda, conforme Vinicius de Andrade, não se trata de divulgar restritamente sobre a USP ou qualquer outra universidade, mas sim de empoderar os alunos de escolas públicas, mostrar que são capazes de fazer e ser o que quiserem e de os ajudar a atingir seus objetivos, em especial, o de estudar. 

O projeto visa promover uma coesão entre escolas públicas, cursinhos pré-vestibulares, vestibulares, universidades e auxílios destinados a alunos de escolas públicas.

Amazonenses não conhecem as universidades públicas

Ao todo, 39% dos alunos do ensino médio da rede pública, em Manaus,  que participaram da pesquisa do projeto Salvaguarda responderam que não sabiam que a Universidade do Estado do Amazonas (UEA), a Universidade Federal do Amazonas (Ufam) e o Instituto Federal de Educação, Ciência e Tecnologia do Amazonas (Ifam) são instituições públicas, ou seja, que o estudante não precisa pagar para estudar nelas. 

A pesquisa mostrou ainda que o conhecimento dos alunos sobre algumas aplicações do Exame Nacional do Ensino Médio (Enem) também não é muito bom. Por exemplo, 56% deles afirmaram que era possível entrar em universidades públicas através do Fundo de Financiamento Estudantil (Fies) e 67% que o Programa Universidade Para Todos (Prouni) pode ser utilizado para ingressar em universidades públicas e privadas.

Porém, o Fies é utilizado apenas para o aluno financiar a graduação em uma universidade particular e o Prouni só pode ser usado para ingresso numa instituição de ensino superior privada, com bolsas de estudo integrais e parciais. 

Ainda conforme a pesquisa, somente 33% dos alunos marcou como  ‘verdadeira’ a opção de que é possível utilizar a nota do Enem para ingressar em faculdades em outro país.

Dados da região Norte

Na região Norte do Brasil, a pesquisa envolveu 335 alunos do ensino médio da rede pública. Do total, 55% são mulheres, 45% homens, 19% trabalham (macro região com menor porcentagem de alunos que trabalham) e 16% afirmam não se sentirem estimulados em estudar. No Amazonas, o estudo foi feito em Manaus, com 45 alunos.

Suporte ‘full time’ para os estudantes

Neste ano, o Salvaguarda, conforme o fundador Vinicius de Andrade, atenderá, durante o ano todo, em Ribeirão Preto (SP),  alunos do último e segundo ano do ensino médio em três grandes frentes: conteudista, informacional e motivacional. 

Entre as ações, o projeto auxiliará os alunos das escolas parceiras em suas inscrições em todos os vestibulares, ajudará com o conteúdo, levará para visitar o campus da USP de Ribeirão Preto, promoverá workshops, ajudará com redações e levará pessoas para visitarem as escolas. 

Andrade disse que o modelo será totalmente replicável em outro lugar. Os interessados em fazer parte do projeto em Ribeirão Preto ou levar suas ações para outra cidade ou estado podem entrar em contato por telefone: (16) 99390-7355 ou e-mail vinicius2.andrade@usp.br, bem como pela página do Salvaguarda no Facebook.

Campanha para divulgar ações

Vinicius de Andrade também desenvolveu a campanha “Educação não é sonho.  É direito”,  cujo objetivo é criar um movimento em prol da educação em geral e, em especial, apoio aos alunos de escolas públicas, além de difundir informações sobre o ingresso nas universidades. Os artistas que puderem ajudar a divulgar a importância do tema podem gravar um vídeo e compartilhá-lo na página do Salvaguarda no Facebook.
 

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