Segunda-feira, 24 de Fevereiro de 2020
A Parada é Séria!

Falta de estrutura em paradas de ônibus de Manaus deixa usuários à deriva

Quem utiliza o transporte coletivo chama a atenção para o antigo problema da falta de padronização desses abrigos em todas as zonas da cidade



paradas1_287841BE-6291-4744-94B8-19CEC6D067AF.JPG Ponto de ônibus da alameda Cosme Ferreira, no Coroado, Zona Leste da cidade: usuários do transporte ficam sujeitos ao Sol e chuva / Fotos: Eraldo Lopes/Freelancer
20/01/2020 às 07:15

O soldador Francivaldo Rocha, 45, costuma pegar ônibus executivos junto com colegas de trabalho em um ponto na avenida Oitis, no Distrito Industrial, zonas Leste e Sul de Manaus. Não há cobertura, e as folhagens de uma árvore são insuficientes para protegê-los do sol ou da chuva. Nessas ocasiões, eles utilizam pedaços de papelão. 

“No Zumbi, onde moro, as paradas têm estrutura”, afirma Rocha, chamando a atenção para um antigo problema: a falta de padronização desses abrigos em todas as zonas da cidade. “No Jorge Teixeira, a situação é pior”, lamenta o desempregado Edvaldo Paiva. Enquanto aguarda um coletivo na Alameda Cosme Ferreira, no Coroado, Zona Leste, Paiva elenca uma série de procedimentos que deixam de ser observados pelo poder público nessa questão.



“Primeiro, devem fazer um acabamento na rua. Não adianta colocar uma parada na frente de poça de lama. Falta rede de esgoto na beirada da rua. Os ônibus passam e molham todo mundo. No período de chuvas, a gente tem que se esconder, e as coberturas não protegem da chuva. A água cai de lado”.

Calçadão

Na parada de ônibus do calçadão da Ponta Negra, reinaugurada em agosto de 2019 pelo custo de R$ 207 mil, há música ambiente e uma estrutura incomum para os padrões manauaras, como bancos e coberturas em dimensões adequadas. Mesmo tanta modernidade arquitetônica não impediu que a população reclamasse de problemas como, por exemplo, a vulnerabilidade à chuva.  

Em agosto do ano passado, durante a inauguração da específica parada, o Instituto Municipal de Planejamento Urbano (Implurb) informou que a estrutura, construída em uma área nobre da cidade, tem materiais utilizados diferentes dos de um abrigo convencional, que em média custa R$ 44 mil, segundo o órgão da Prefeitura. 

O Implurb também lembrou que, desde 2012, já existem outras paradas de ônibus nos mesmos moldes da construída no Complexo Ponta Negra, como forma de padronizar a estrutura do local, “e que a Ponta Negra tem um parque construído visando a população e os turistas; é um projeto padrão que já está em andamento desde 2012”.

Medo

Para evitar longas caminhadas até o local, a terapeuta Simone Santos, 32, pega ônibus em um ponto na frente da entrada do Hotel Tropical, do lado do condomínio onde presta atendimento, mas a estratégia se tornou arriscada.

“Ficamos com medo, não há movimento. Só temos um banco de madeira lá”, diz Simone, que sai do trabalho por volta das 19h e já foi assaltada ali perto sob a vista de policiais. “Eles não fizeram nada”.

Atualmente existem 2.532 pontos de ônibus na capital amazonense, entre paradas, plataformas centrais, pontos com placas e terminais de bairros e integração de acordo com o Instituto Municipal de Mobilidade Urbana (IMMU) a partir de matérias publicas pelo próprio jornal A Crítica.

A reportagem enviou à IMMU uma série de questões a respeito da falta de padronização dos pontos de ônibus, mas não recebeu resposta até o fechamento desta edição.

News d amorim 845c88c9 db97 48fa b585 f1c0cb967022
Repórter de Cidades
Formado em Comunicação Social/Jornalismo pela Universidade Federal do Amazonas (Ufam). Além de A Crítica, já atuou em uma variedade de assessorias de imprensa e jornais, com ênfase na cobertura de Cidades e Cultura.

Mais de Acritica.com

Sobre Portal A Crítica

No Portal A Crítica, você encontra as últimas notícias do Amazonas, colunistas exclusivos, esportes, entretenimento, interior, economia, política, cultura e mais.