Quarta-feira, 20 de Novembro de 2019
CASO FLÁVIO

Família acredita que Mayc foi forçado a confessar ter matado engenheiro

Reportagem ouviu familiares e amigos do suspeito, além da família de Flávio Rodrigues, encontrado morto após participar de uma festa na casa de Alejandro Valeiko, enteado do prefeito de Manaus, no fim de setembro



show_WhatsApp_Image_2019-10-08_at_20.14.58_BDA42AE8-7708-4405-BFB7-1D58C07C432F.jpeg Foto: Jair Araújo
25/10/2019 às 07:04

O vigilante Carlos Alan Parede, 43, irmão mais velho lutador de MMA Mayc Vinicius Teixeira Parede, 37, ainda está tentando entender o que levou o irmão a confessar à polícia ser o autor da morte do engenheiro Flávio Rodrigues. “Para mim ele foi obrigado a fazer isso para preservar a família, ou alguém. Quem conhece o meu irmão sabe que ele é incapaz de fazer o mal para alguém”, disse o vigilante.

Para Alan, Mayc podia estar blefando quando confessou à polícia ser o assassino do engenheiro Flávio Rodrigues, morto a facadas no dia 29 do mês passado, depois de uma festa na casa do enteado do prefeito Arthur Neto, Alejandro Valeiko, no condomínio Passaredo, bairro Tarumã, Zona Oeste de Manaus.



Alan disse que já esteve com Mayc depois de ele estar preso e que, quando perguntou ao irmão o que o levou a confessar o crime do engenheiro, o lutador apenas chorou muito e não falou nada. O irmão aponta fatos que estão acontecendo que, segundo ele, fortificam a suspeita de que Mayc assumiu um crime que ele não cometeu.

Sobre a transferência do suspeito da Delegacia Especializada em Homicídios e Sequestros (DEHS) para o Centro de Detenção Provisório Masculino (CDPM), Alan disse acreditar que o irmão não queria.

O vigilante disse ainda que a família não acredita que as duas cartas que chegaram para eles como sendo enviadas por Mayc sejam dele, porque as assinaturas são diferentes. De acordo com ele, os contatos com o irmão foram poucos.

“Nós não sabemos de quase nada, como os motivos que levaram a transferência, assim como quem está pagando o advogado (Josimar Berçout) que está fazendo a defesa dele, para mim ele disse só que era um amigo”, disse o irmão. De acordo com Alan, a família é humilde e não tem recursos para bancar as despesas de um advogado.

Alan contou que Mayc é o penúltimo de uma família de cinco irmãos, filhos de um pedreiro e de uma dona de casa. A família começou no bairro do Japiim, depois se mudou para o bairro do Mauazinho, na Zona Leste, onde foram criados. “Mayc era diferente da gente, sempre interessado em estudar e chegou concluir o ensino médio”, descreveu.

De acordo com o irmão, o lutador de MMA entrou para o Exército, onde ficou dez anos e saiu como 3º sargento. Casou e foi morar no bairro Cidade de Deus, uma casa de alvenaria simples com dois cômodos. O casal teve dois filhos gêmeos e, depois de um tempo, acabaram se separando.

Mayc sempre trabalhou para dar o melhor para os filhos, conforme o irmão. Ele trabalhava como segurança, agente de portaria e também dava aulas de Jiu-Jítsu em academias. Atualmente estava trabalhando como agente de portaria em uma escola municipal, que ele não soube informar o endereço.

Conforme Alan e os irmãos passaram a viver longe um do outro morando em bairros diferentes, mas nunca deixaram de se falar. “As vezes ele chega a ligar pra gente mais de uma vez no dia. Por isso eu digo que o meu irmão não fez isso, ele é inimigo da violência”, afirmou Alan.

Conforme o vigilante, a família toda está abalada com a situação. A mãe Maria do Perpetuo Socorro Parede demonstra tranqüilidade, já o pai está abalado assim como os irmãos, aguardando o desenrolar das investigações.

Desconfiança

A confissão do lutador Mayc Parede não convenceu apenas a própria família, como também gera desconfiança de familiares de Flávio Rodrigues, vizinhos, colegas da academia onde ele era treinador e da polícia, que busca provas para que o verdadeiro assassino apareça.

Na noite de segunda-feira, familiares de Flávio foram a Delegacia Especializada em Homicídios e Sequestros (DEHS) onde Elizabeth Valeiko, mãe de Alejandro, prestava depoimento. Com faixas e cartazes, na saída de Elizabeth, familiares do engenheiro gritavam “queremos a verdade, queremos a verdade”.

Na quarta-feira (23), a irmã de Flávio, Aline Rodrigues, disse que ainda não há convencimento. “Se nem a polícia está acreditando que ele é o assassino, imaginem nós. Estamos esperando a conclusão das investigações”, disse Aline.

Para o industriário Gleison dos Santos, 47, morador do bairro Cidade de Deus, Mayc não está falando a verdade.  “Ele treinava a gente na academia, é uma pessoa super do bem e jamais tiraria a vida de uma pessoa”, disse.  O jovem disse que não consegue imaginar o motivo que levou o lutador a assumir o crime.

A dona de casa Ângela do Nascimento é vizinha do lutador e disse que não acredita que ele tenha matado o engenheiro. “Conheço ele há mais de um ano, e ele é uma pessoa do bem”, pontuou ela.“Para mim ele era uma pessoa que vivia para o trabalho, não tinha muitas amizades. Às vezes quando chegava do trabalho com fome perguntava se eu não tinha um caldinho para dar para ele. Eu não acredito no que aconteceu”, acrescentou.

Outra vizinha de Mayc, Mara Costa, 35 anos, disse que conhece o lutador desde quando ela tinha 14 anos. Para ela ele sempre foi uma pessoa tranqüila, que trabalha e vive para os filhos, dois meninos de 15 anos de idade. “Ele chegava do trabalho, pegava os filhos e iam juntos para a academia. Quando soube que ele tinha assumido o crime achei que era apenas uma brincadeira”, disse.

Sem detalhes

Em seu depoimento prestado à Polícia Civil, Mayc confessa ser o autor do crime, sem explicar detalhes de com matou o engenheiro Flávio. Ele contou também que é amigo do sargento Elizeu Paz, também preso, pelo crime, há mais de 20 anos e contou ainda que deve vender um terreno que possui para pagar os honorários do advogado que está fazendo a sua defesa.

Repórter de A Crítica

Caso Flávio



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