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Família aguarda condenação de rapaz que planejou a morte do pai, mãe e irmão

No dia 5 de abril de 2011, Alciney Silveira pôs em prática o plano de matar pai, mãe e irmão; Agora, a família espera a condenação dele 08/04/2013 às 18:05
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Alcidenor, pai de Alciney e único sobrevivente dos crimes, ao lado das tias do rapaz, disse esperar que a justiça seja feita e que o filho receba uma condenação severa
Florêncio Mesquita ---

Dois anos depois de matar brutalmente a própria mãe, o irmão e ter tentado matar o pai, num crime que chocou a cidade, o réu confesso Alciney Gomes da Silveira, hoje com 21 anos, será julgado no próximo dia 18. A dor da perda continua insuperável para o pai de Alciney, Alcidenor Pereira Silveira, que sobreviveu ao ataque, mas perdeu o filho mais novo e a mulher, e para a família da mãe do assassino, Maria Lita Pereira da Silveira, à época com 41 anos, que se ergueu sob a esperança de ver justiça para o crime, que considera injustificável.

A pouco mais de uma semana do julgamento, ainda é difícil falar do assunto sem que as lágrimas surjam sem querer, porém Alcidenor e as tias maternas de Alciney, Maria José Gomes de Castro e Ileida Pereira Gomes, conversaram com A CRÍTICA e externaram o que sentem. O relato emocionado do pai e das tias é repleto de pesar, dor, decepção e saudade de Maria Lita e do irmão de Alciney, Alan Gomes da Silveira, que tinha 14 anos, mortos em casa de forma tão trágica no dia 5 de abril de 2011.

Alcidenor carrega as cicatrizes das facadas nas costas e dos golpes de pé de cabra na cabeça, que recebeu do próprio filho. A forma de agir de Alciney foi muito semelhante à do caso Jimmy Robert, 33,  acusado de planejar a morte do pai, da prima e da tia, no dia 22 de janeiro deste ano.

A exemplo de Jimmy, Alciney também é homossexual, mas mantinha a orientação em segredo. Mas, ao contrário de Jimmy, Alciney planejou e executou o crime sozinho. Dois dias depois de cometer o crime, ele disse em entrevista a A CRÍTICA que matou a mãe e o irmão porque os pais não aceitavam sua homossexualidade e fez críticas à mãe, alegando maus tratos.  

Na época, entretanto, as tias e seu pai ficaram consternados e procuraram se reservar. A versão da família não foi ouvida e ficou a impressão, segundo as tias, que os argumentos de Alciney eram verdadeiros. Segundo a família, a versão foi mais uma das invenções de Alciney, que desde os 5 anos de idade apresentava alterações psicológicas e criava histórias que prejudicavam pessoas próximas para satisfazer o prazer pessoal. O comportamento foi um dos motivos para que ele fosse encaminhado para fazer exame neurológico e terapia.

Ciúmes e raiva

Desde criança, ele nutria ciúmes e raiva do irmão mais novo e se dizia excluído da família. Tudo que queria, conseguia por meio de ameaças aos pais. A mãe dele sempre cedia aos gostos de Alciney, que nunca conheceu limites até a vida adulta. Quando ficou mais velho, as ameaças contra o irmão eram de agressão. Fora de casa, ele apresentava, para quem achava conveniente, um comportamento educado, com uma simpatia que cativava. No entanto, no seio familiar, intensificava as ameaças em tom de brincadeira. 

Um dos principais motivos para a família se manifestar, neste momento, é o desejo que a Justiça do Amazonas aplique a Alciney uma pena à altura dos crimes que ele cometeu. Os familiares temem que, a exemplo de outros casos que repercutiram, como o do ex-goleiro do Flamengo, Bruno, acusado de mandar matar a ex-namorada Eliza Samúdio, que Alciney receba uma pena branda na qual cumpra apenas cinco ou sete anos de prisão e seja solto em seguida. O temor maior, a partir da soltura dele, que deve ocorrer em poucos anos, é que Alciney atente contra a vida de outros familiares e cumpra a promessa de matar o pai.

 

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