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Família de ciclista atropelado por ônibus segue sem assistência

Filho de Antônio Simão de Lima, atropelado e morto por um coletivo na av. Djalma Batista, não recebeu o apoio anunciado pela empresa de ônibus Líder 26/05/2015 às 11:05
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Empresa nega falta de assistência e diz que o funeral foi pago por ela; família também receberá o seguro obrigatório
isabelle valois Manaus

Após cinco dias do acidente que ocasionou a morte do ciclista, Antônio Simão de Lima, 61, na última quinta-feira, na avenida Djalma Batista, familiares dele afirmam que até ontem a empresa Auto Líder Transportes não havia prestado nenhuma assistência a eles.

Filho de Antônio, Cristiano da Silva Araújo, 37, contou que após o enterro do pai a empresa chegou a ligar para seu número particular e informou que dariam uma ajuda de R$ 500, porém, depois deste contato, não retornou a procurá-lo.

“Como meu pai era aposentado, estamos procurando as formas de minha mãe, que era dependente dele, receber a pensão. Após isso, vamos correr na Justiça, pois o acidente foi total imprudência do motorista”, disse Cristiano.

Ele contou que a única assistência que a família teve foi das pessoas que o Antônio trabalhava. “Por isso que conseguimos realizar o velório e o sepultamento”, reforçou.

De acordo com o filho da vítima, os familiares decidiram que vão, além de processar a empresa, também processar a prefeitura. “Em nenhum momento a prefeitura se pronunciou sobre o caso e, se tivessem concluído com os projetos de ciclovia para cidade, esta tragédia não teria acontecido em minha família. Vamos lutar para que outros ciclistas, como era meu pai, não continuem sendo vítimas da imprudência”, reforçou.

Para o filho de Antônio, o motorista do ônibus de linha 440, Robert de Oliveira Mota, 29, teve culpa, pois era um profissional e sabia das leis destinadas ao trânsito. Por causa disso, a família do ciclista reforçou que vai buscar todas as formas para que o motoristas responda pelo crime doloso - quando tem a intenção de matar - do que culposo - quando não há a intenção de matar - como ocorre na maioria dos casos.

Para uma das coordenadoras do Movimento Pedala Manaus, Cláudia Valente de Oliveira, o poder público precisa realizar ações urgentes, principalmente campanhas educativas voltadas aos motoristas da cidade. “Os proprietários das empresas de transporte público e também de ônibus alternativos têm a obrigação de realizar reciclagem e conscientização urgente com seus motoristas, que são incapacitados para conduzir veículos de grande porte na cidade, se levarmos em consideração que sequer conhecem as normas de trânsito e, se conhecem, as ignoram completamente”, explicou.

Promessa

No dia do acidente, o Sindicato das Empresas de Transporte de Passageiros do Amazonas (Sinetram) informou por nota que a empresa Auto Líder Transportes iria prestar assistência necessária à família do cilista Antônio Simão de Lima Araújo, 61, que morreu durante um acidente envolvendo um ônibus da linha 440, que pertence à empresa. Laudo contestado O Sindicato e a empresa também fizeram divulgar um suposto laudo técnico isentando o motorista de responsabilidade na morte de Antônio. O tal laudo, que não é assinado por um perito, foi prontamente questionado nas redes sociais porque imagens de câmeras de vigilância mostram o momento exato em que o ônibus tira um fino da bicicleta de Antônio.

Em números

10 ciclistas morreram em acidentes de trânsito em Manaus nos últimos três anos. De acordo com o Instituto Municipal de Engenharia e Fiscalização do Trânsito (Manaustrans), este ano, Antônio foi o primeiro ciclista morto em acidente de trânsito.

Blog: Cláudia Valente, funcionária pública

“Eu costumava usar a bicicleta nos meus deslocamentos para o trabalho, porém há mais de um mês que não utilizo como meio de transporte porque os motoristas de ônibus estavam colocando a minha vida em risco com muita frequência. Cheguei a registrar dois boletins de ocorrência em apenas uma semana e percebi que teria que deixar de fazer uma das coisas que mais me dão prazer para preservar minha vida. A última vez que um motorista jogou o ônibus pra cima de mim, foi em cima da passagem de nível da Constantino Nery (chegando na Torquato Tapajós) e, para evitar que matasse, eu fui obrigada a jogar a bicicleta na mureta, depois disso não tive mais condições de pedalar sozinha. Isso tem me causado uma angústia sem tamanho, mas depois do que houve com o senhor Antonio eu percebi que tomei a decisão certa”.

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