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Família de jovem morto com suspeita de dengue hemorrágica crê em negligência de hospital

Parentes do jovem morto com suspeita de dengue hemorrágica ou leptospirose vão processar pronto socorro Platão Araújo e médico 18/05/2015 às 19:56
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Orlando foi sepultado ontem em clima de muita desolação dos familiares, que pretendem processar pronto socorro
luana carvalho ---

A família do estudante Orlando da Silva Júnior, 15, morto  na madrugada de domingo por suspeita de dengue hemorrágica ou leptospirose, processará o Hospital Pronto Socorro Platão Araújo e o médico, responsável pelo atendimento do jovem, por negligência. Eles alegam que Júnior deu entrada no hospital com hemorragia na última sexta-feira, foi medicado com dipirona, não passou por exames e em seguida foi liberado, falecendo dois dias depois.

Desolados, familiares enterraram o jovem na manhã de ontem. A irmã dele, Mayara Lima, 26, conta que além da negligência médica, a necropsia no Instituto Médico Legal (IML) demorou quase sete horas para ser realizada. “Só tinha o corpo dele para realizarem o procedimento, mas não tinha médico plantonista para fazer. Demorou tanto que tivemos que pagar o embalsamento para velarmos o Júnior”.

Na última quarta-feira o estudante ajudou a mãe a limpar a residência que havia sido alagada por conta de uma forte chuva. No dia seguinte ele passou a sentir dores nas articulações e a ter sangramento na garganta. Os sintomas pioraram na sexta-feira, quando ele foi levado ao Pronto Socorro Platão Araújo, na Zona Leste.

 “O médico sequer olhou a garganta dele e disse que era apenas um ‘arranhão’. Nem receita médica ele deu para identificarmos o nome dele”. A hemorragia piorou e o jovem foi levado novamente ao pronto socorro no sábado, desta vez sangrando muito. No laudo, consta que ele morreu por suspeita de dengue hemorrágica ou leptospirose. “Se ao menos tivessem realizado os exames na primeira vez, ele poderia ainda estar entre nós”, lamenta Mayara.

A família também teme que a investigação não seja concluída com sucesso, uma vez que eles não têm a certeza de que o sangue do jovem foi coletado no hospital para realização dos exames. “Ainda não tivemos nem acesso ao prontuário. Só queremos que a morte dele seja investigada e que Justiça seja feita. Pois o que aconteceu foi uma irresponsabilidade”.

Investigação

A Fundação de Vigilância em Saúde do Amazonas (FVS-AM) informou que a investigação está em andamento e que hoje uma equipe da Secretaria Municipal de Saúde (Semsa) realizará uma investigação domiciliar. O diretor-presidente da FVS, Bernardino Albuquerque, declarou que a fundação ainda está esperando posicionamento do hospital para saber se o sangue do paciente foi coletado para sorologia.

A Polícia Civil, responsável pelo Instituto Médico Legal (IML) informou que o órgão tem a competência de realizar necropsias em casos de morte que envolva violência, como homicídios, por exemplo. “No caso de morte por doença a responsabilidade é do Sistema Único de Saúde (SUS). Porém, mesmo cientes disto, os legistas realizam o exame a fim de liberar o corpo para os familiares o mais rápido possível”, ressaltou a PC.

Susam

 A Secretaria de Estado de Saúde informou que adotaria procedimentos cabíveis para apurar se houve falhas no atendimento ao paciente. O tempo para esclarecimento do caso pode levar até 30 dias, diz a secretaria.


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