Publicidade
Manaus
Manaus

Família procura mulher agredida por cobradora em ônibus, desaparecida há dois anos

A agressão foi registrada em vídeo e noticiada por A CRÍTICA nesta terça (24). O vídeo deu uma nova pista para que Maria de Jesus dos Santos Oliveira, desaparecida desde 2013, seja encontrada 28/03/2015 às 12:29
Show 1
O paradeiro de Maria de Jesus continua desconhecido
Lucas Jardim Manaus (AM)

Nesta semana, Márcia Cristina dos Santos Oliveira, 36, viu sua mãe pela primeira vez em pelo menos dois anos. O contexto, porém, não poderia ser mais desalentador: sua mãe aparecia em um vídeo na internet, no qual era agredida e expulsa de um ônibus por uma cobradora.

O vídeo, que repercutiu nas redes sociais e foi noticiado pelo A CRÍTICA na última terça-feira (24), deu uma nova pista para Márcia, que procura sua mãe, Maria de Jesus dos Santos Oliveira, desaparecida desde 2013. Segundo Márcia, sua mãe sofre de esquizofrenia aguda, condição que a leva a perambular pela cidade aparentemente a esmo.

“Ela costumava sair por aí, pegar ônibus e ir de terminal em terminal. Ela geralmente ficava no T3, no T4, no T5 e chegava a ir até o Centro, mas sempre voltava para casa, que fica na região do Mauazinho”, disse Kátia dos Santos Lima, sobrinha da desaparecida.

No entanto, nem sempre a volta era tranquila: Maria de Jesus costuma perambular pelada, o que a deixa sujeita a vários tipos de ataques e agressões. “Quando ela ainda voltava para casa, ela chegou a aparecer violentada uma vez, foi horrível”, disse sua irmã mais velha Maria Aldeíza dos Santos Lima, 57.


A irmã ainda conta um caso que aconteceu cerca de um ano do desaparecimento de Maria de Jesus. “Em 2012, um cara trouxe ela para casa ameaçando-a com um revólver dizendo que ela tinha ficado nervosa e danificado o carro dele, e que queria pagamento pelo que ela tinha quebrado. Meu pai acabou pagando”, contou Maria Aldeíza.

“Foi ficando complicado cuidar dela. Minha vó, mãe dela, costumava cuidar dela mas ela faleceu em 2002. Meu avô foi ficando debilitado e hoje não tem mais condição de cuidar de ninguém”, explicou Kátia. Para complicar, a própria Márcia também tem esquizofrenia, segundo a família, mas segue tratamento regular, trabalha e tem uma vida normal.

Antes de sumir, Maria de Jesus costumava voltar por conta própria para casa de suas andanças. Segundo a família, ela foi internada várias vezes no Hospital Eduardo Ribeiro, especializado em enfermidades mentais, porém, nos anos anteriores ao seu desaparecimento, ela era tratada em casa.

No entanto, em determinado dia em julho de 2013, ela saiu de casa e não voltou mais. Isso colocou a família em uma busca que continua até hoje. “Já saímos distribuindo cartazes, pregando cartazes em terminais, indo em lugares a que sabíamos que ela costumava ir, perguntando das pessoas e pedindo auxílio de todo mundo, mas não conseguimos mais encontrá-la”, desabafou Kátia.

A procura

De lá para cá, a família tem se esforçado para checar todas as pistas que aparecem, uma missão hercúlea, para dizer o mínimo. “Surgiram muitos rumores nesse meio tempo. Alguns conseguimos confirmar, outros não. Já nos deram notícia de que esteve em vários municípios do interior, dos quais visitamos alguns”, explicou Maria Aldeíza.

Segundo sua irmã, Maria de Jesus esteve em Iranduba anos atrás, mas desapareceu novamente antes da família chegar ao município, localizado a nove quilômetros de Manaus. “Lá foi um dos poucos lugares em que encontramos indícios claros e muitas testemunhas apontando a presença dela. Nos contaram que ela foi pedir comida em um mercadinho e que, na hora, a espancaram e a enxotaram de lá. Pessoas como a minha irmã são muito indefesas, não têm como se defender”, lamentou a senhora de 57 anos.

Ela ainda contou que a última vez que participou de uma busca por sua irmã foi em agosto do ano passado, quando foi a Manacapuru (a 84 Kms de Manaus) pois de saber que Maria de Jesus poderia estar lá. “De lá para cá, eu adoeci e tive que pausar essas minhas saídas para achar minha irmã”, comentou Maria Aldeíza.

Novas pistas

Quem ficou a par do caso recentemente foi o tenente da Polícia Militar Matheus Andrade, 22, lotado na 4ª Companhia Interativa Comunitária (Cicom), que atende o bairro Grande Vitória, Zona Norte de Manaus, onde Márcia mora. Ele foi contatado pela filha de Maria de Jesus depois que ela reconheceu a mãe no vídeo que circulou esta semana nas redes socais.

“Ela (Márcia) viu o vídeo e procurou a polícia dizendo que a mulher agredida nas imagens era a mãe dela. Ele entrou em contato comigo, que estou lotado na Cicom da área onde ela mora, e me pediu ajuda para contatar outros policiais e informá-los da situação. O que já sabemos é que ela foi vista recentemente no T4 e no T5 novamente”, relatou o tenente. Nesse ínterim, a família toda aguarda a oportunidade de ver Maria de Jesus bem novamente, e não somente através da tela de um computador.

Quem tiver informações sobre o paradeiro de Márcia Cristina pode entrar em contato com os familiares pelo telefone (92) 9 9429-3612.

Publicidade
Publicidade