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Manaus
INÍCIO

Família que teve casa destruída em incêndio tenta 'recomeçar' após doações

Costureira Ciluza Ferreira, de 47 anos, viu o ateliê ser consumido pelas chamas porque decidiu salvar um dos seus cachorros. História comoveu publicitário que decidiu ajudar a mulher 21/01/2019 às 09:08
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Foto: Arquivo/AC
Alik Menezes Manaus (AM)

Há pouco mais de um mês, um incêndio no bairro Educandos, na Zona Sul da capital amazonense, destruiu mais de 600 casas e deixou mais de 730 famílias desabrigadas. Além de perderem tudo que conquistaram ao logo de uma vida, muitas pessoas enfrentam dificuldades porque trabalhavam como autônomas dentro das suas próprias residências. Uma delas é a costureira Ciluza Ferreira Santos, de 47 anos, que viu seu ateliê ser consumido pelas chamas. 

As cenas da tragédia ainda estão vivas na memória da costureira e do marido dela, o técnico em refrigeração Valdecir Ferreira Souza, mas, na manhã de sábado, o casal teve uma surpresa e momentos de felicidade. Um grupo de voluntários doou três máquinas de costura, tecidos, linha e outros materiais para a dona Ciluza começar a produzir. “É um recomeço para quem perdeu tudo. É muito bom sentir que ainda existem pessoas de bom coração”, disse. 

'A vida é mais importante'

O ateliê da costureira ficava em um dos três cômodos da casa. Ela disse que ainda cogitou entrar na casa para pegar uma das máquinas, pois com a atividade ela ajuda o marido no sustento do lar, mas decidiu salvar os animais. Dos dois cachorros, gatos e codornas, Ciluza conseguiu salvar um cachorro. Outro cachorro do casal, o Trump, se escondeu em baixo de um armário e sobreviu, apesar de queimaduras. “Eu optei por salvar vidas. O material a gente reconstrói, mas a vida é mais importante”, disse segurando um dos animais no colo. 

A doação, feita pela loja de máquinas de costura Limaq foi articulada pelo publicitário Arnaldo Rocha, de 35 anos, que desde o dia da tragédia no Educandos se solidarizou e atua como voluntário. “Lembro de ter visto dona Ciluza no dia do incêndio e dias depois vi uma foto dela numa rede social que me deixou sem chão. Ela segurava uma cachorro no colo e olhava para o local das chamas. Me tocou muito e procurei saber quem era, quis conhecê-la”. 

Amizade

Foi o início de uma grande amizade entre uma família que perdeu tudo e alguém que saiu do conforto da sua própria casa para ajudar o próximo em um momento desesperador. Na manhã de sábado, o voluntário chegou cedo à casa que o casal está morando. “Nós estamos morando ali em cima. Meu cunhado está nos abrigando na parte de cima da casa dele”, disse dona Ciluza enquanto abria o portão e recebia voluntário e equipe de reportagem com um largo sorriso no rosto. Apesar da tragédia, ela é demonstra gratidão por ter sobreviivido e ter ajuda de pessoas que conheceu recentemente. 

“É difícil imaginar que a gente vai encontrar pessoas que vão nos ajudar, nos abraçar e dar carinho, sabe? No dia do incêndio, meu marido entrou e saiu várias vezes da casa para tirar freezer, geladeira e fogão. Tentou ao máximo que pode salvar algo, colocou a vida em risco, mas teve pessoas que não respeitaram a nossa dor e roubaram nossas coisas da frente de casa. Naquele dia encontramos pessoas ruins pelo caminho, mas também encontramos anjos que nos ajudam até hoje”, disse sorrindo. 

Arnaldo contou que entrou em contato com uma amiga e, juntos, conseguiram  doação das máquinas, linhas e material para a costureira recomeçar. “Eu já estou falando para todo mundo encomendar alguma costura com ela”, disse o voluntário. 

O gerente da Limaq, localizada na avenida Epaminondas, Centro, Dejacyr Costa, disse que o único objetivo da empresa foi colaborar com o recomeço de vida de uma família. “Nosso objetivo foi somar na vida de alguém, foi ajudar. Estamos felizes porque eles estão felizes”, disse.

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