Terça-feira, 18 de Junho de 2019
Abandonados

Família vítima de explosão de cilindro de gás vive em subterrâneo antigo

Há cinco meses uma família inteira, incluindo três crianças, procura com as próprias forças retomar a vida no subterrâneo de uma estrutura da antiga



familia.JPG Família vive entre paredes com infiltrações e temperatura nada agradável (Foto: Aguilar Abecassi)
15/08/2016 às 05:00

Eles foram obrigados a viver em situação lamentável e estarrecedora. Há cinco meses uma família inteira, incluindo três crianças, procuram com as próprias forças retomar a vida no subterrâneo de uma estrutura da antiga Cosama (Companhia de Saneamento do Amazonas), na rua Jacundá, na comunidade Novo Reino, no bairro Tancredo Neves, Zona Leste.

Mas, o que levou a família “Pereira” a se alojar ali? A fatalidade que o destino lhes impôs. Eles   jamais esquecerão  a trágica  tarde do dia  8 de março de 2016, quando  uma explosão de cilindro de gás na empresa Lest Plast, destruiu a casa ocupada por eles e causou a morte de duas pessoas, deixando outras 14 feridas em graus variados, incluindo sete da família “Pereira”.

No ultimo sábado (13), A CRÍTICA voltou ao local da tragédia, que ficará marcado na  memórias do moradores das ruas do entorno da Lest Plast pelo resto de suas vidas, mas principalmente das vítimas do sinistro que sofreram danos psicológicas, além dos prejuízos sociais para toda a família.

 “Estamos dando graças a Deus que todos estão vivos, mas a casa foi destruída, o que temos aqui foi o que sobrou... pois tudo virou cinzas”, declarou Lidiane Pereira, 28. Além do abalo emocional, Lidiane contou que ficou triste por ver seus pais e irmãos  sem terem para onde ir depois da explosão do tanque de gás. A  irmã dela, Luciane, 23,  sofreu queimaduras em 70% do corpo. Ela pouco fala, apesar de esboçar  sorriso, Luciane, não esquece o trauma e momentos de pânico que viveu durante o acidente. O acidente deixou cicatrizes  em seu corpo que impressionam e dificilmente não se nota, assim como em sua filha, uma menina de 7 anos.

Hoje, alojados numa espécie de abrigo subterrâneo, há 500 metros do local da explosão, a família Pereira lamenta a falta de apoio maior por parte da Lest Plast. “Eles no deram assistência por três meses e agora só vale transporte, todos estamos desempregados e ainda temos três pessoas que tiveram quase todo o corpo queimado e não foram indenizados”, lamentou Lidiane. Na rua Rosa Linda, próximo a Lest Plast, a casa Joede Brito, 34, teve as janelas, portas e telhado destruídos.

O impacto também deixou sequelas na família. A mulher de Joede estava grávida de 8 meses e teve parto prematuro devido ao susto. “Na hora de toda aquela agonia, eu só pensava na minha família, foi um barulho terrível, pensei que um avião havia caído”, lembrou Joede Brito. 

Durante  a reportagem o que se ouviu das famílias e vítimas  foi que a assistência com medicamentos, pequenas quantias em dinheiro, serviços  psicológicos foram ofertados pela empresa, mas quanto as pessoas que sofreram danos físicos, estas não foram indenizadas.

Ainda, conforme relatos, nenhuma das famílias recebeu a visita de algum órgão público ou instituições não-governamentais oferecendo apoio, seja ele jurídico, psicológico ou financeiro. No dia em esteve na localidade a reportagem tentou contato com a Plast Lest, mas não obteve êxito.

Ao menos 14 ficaram feridos

Ao menos 14 pessoas ficaram feridas durante a explosão de um cilindro de gás, no bairro Tancredo Neves, na Zona Leste.   O acidente ocorreu depois que um tanque de gás liquefeito de petróleo (GLP) que estava sendo retirado da LestPlast rolou da plataforma do caminhão munck (tipo guincho) que iria transportá-lo, em seguida uma válvula rompeu, causando a explosão e, posteriormente, o incêndio no veículo.

O sinistro ocorreu no fim da tarde do dia 8 de março deste ano, também atingiu residências. Duas das 14 vítimas morreram no hospital em decorrência da explosão: Flávia Costa Hoyos, 28, (cuja avó morreu de enfarto ao receber a notícia) e Wildevane de Souza Colares, 37. Flávia faleceu três dias após a explosão, em decorrência das complicações causadas pelo acidente.


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