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Famíliares das universitárias mortas em acidente em janeiro cobram velocidade no inquérito

Brenda Bastista e Rayssa Claudino foram a Presidente Figueredo no dia 3 de janeiro e, na volta, o motorista perdeu o controle da direção e capotou o carro 15/03/2015 às 20:25
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Testemunhas apontam que o motorista dirigia em alta velocidade e tinha ingerido bebidas alcoólicas
Cinthia Guimarães Manaus (AM)

Passados dois meses do acidente na BR-174 que resultou na morte das universitárias Brenda Braga Batista e Raysa Rossi Brito Claudino, as mães das vítimas reclamam da morosidade do caso e cobram  providências da Polícia Civil sobre a punição dos eventuais responsáveis pela fatalidade.

No dia 3 de janeiro, Brenda e Rayssa e um grupo de mais cinco amigos saiu de Manaus às 8h30 para passar o dia em Presidente Figueiredo e voltar no fim da tarde, para comemorar a despedida de uma amiga de escola chamada Camila, que estava voltando de férias para São Paulo.

Às 4h, quando voltavam para Manaus, o motorista Thiago Fish perdeu o controle da direção da Pajero Dakar (de cor prata e placas OAO-3639) no km 55 da rodovia federal e capotou o carro, que caiu em uma ribanceira, ficando totalmente destruído. 

Testemunhas apontam que Thiago dirigia em alta velocidade e que ele tinha ingerido bebidas alcoólicas. Ele ainda teria se recusado a fazer o exame de bafômetro pela Polícia Rodoviária Federal após o acidente e o exame de sangue no hospital para onde as vítimas feridas foram encaminhadas.

Até agora não se sabe se o acidente foi causado por imprudência do condutor, por alta velocidade ou ultrapassagem proibida ou falha mecânica e de manutenção.

O Boletim de Acidente de Trânsito (BAT), feito pela Polícia Rodoviária Federal, apontou que o veículo estava cheio de bebidas alcoólicas. Segundo testemunhas, o motorista estava alcoolizado e dirigindo em altíssima velocidade, o que indica que ele foi o responsável pelo acidente que matou as garotas, mas até agora nada aconteceu com ele.

A mãe de Brenda, Antônia Batista, quer justiça pela morte de sua filha, que tinha 21 anos e era estudante de Direito. “Ninguém sabe como aconteceu, por que aconteceu (o acidente). Só sabemos que o rapaz está estava bêbado e em altíssima velocidade. Até onde eu sei isso é crime. Não sei que providências serão tomadas, se será aberto inquérito. É o que queremos saber e não temos informação de nada”.

Procedimentos

Antônia disse que foi chamada para comparecer à Delegacia Geral da Polícia Civil no dia 27 de fevereiro, mas chegando lá a delegada que falaria com ela não estava no local, ninguém soube informar o que ela deveria fazer e nada foi resolvido. 

O caso foi registrado na delegacia de Polícia do Município de Presidente Figueiredo, mas pela falta de estrutura e pelo fato das vítimas serem de Manaus, quem ficará responsável pelo inquérito é a Delegacia de Acidente des Transito (DEAT). Mas, até agora, a portaria que transfere a competência das investigações para Manaus não foi publicada no Diário Oficial do Estado.

“Eu quero justiça para a minha filha, não quero nada demais. Saber o que aconteceu e pedir a punição dos responsáveis. Minha filha tinha o carro dela, nunca pegou uma multa de trânsito, era muito responsável”, desabafou Antônia.

O delegado titular da Delegacia Especializada em Acidente de Trânsito (Deat), Luiz Humberto, informou, através da asessoria de imprensa da Polícia Civil, que o caso estava sendo investigado pela 36ª Delegacia Interativa de Polícia (DIP) da Presidente Figueiredo (a 107 quilômetros de Manaus) pelo fato de o acidente ter acontecido na circunscrição da DIP. 

No entanto, a investigação foi transferida à Deat, que dará prosseguimento aos procedimentos e possivelmente chamará o condutor Thiago Fish a ser oitivado novamente.

A autoridade policial informou ainda que ele poderá responder por homicídio culposo qualificado. A reportagem não localizou o condutor Thiago Fish para comentar o assunto.

Sem informações

Antônia disse que só conhecia Thiago como “namorado de Bruna”, uma das amigas de Brenda que também estava no carro que capotou. Bruna, que é filha do deputado estadual Bosco Saraiva, teve traumatismo craniano na ocasião, mas já está recuperada. “Soube que a índole dele não era legal, que era um péssimo motorista, imprudente”, disse.

A nutricista e mãe de Rayssa Brito Claudinho, Rossi Brito, disse que a única informação que tiveram foi através do Boletim de Acidente de Trânsito, da PRF. “O BAT não é conclusivo. Diz como foi o acidente, que ele (o motorista) se recusou ao bafômetro. Assim como no hospital ele se recusou a coletar sangue”, relatou.

A mãe de Rayssa teme que este seja mais um acidente causado por imprudência no trânsito que termina impunemente no Brasil. “Só realmente quem é penalizado é quem se vai, quem deixou de viver, e quem fica com aquela dor. Meu sentimento em relação à perda da minha filha é indescritível. São as únicas pessoas que pagam pelo que acontece. Infelizmente nós é quem somos punidos, a dor não tem tamanho, nem dia para terminar. As pessoas, quando bebem e pegam um volante, não têm a consciência de pensar nas outras pessoas. De pensar: como vai ficar a família de quem eu matei?”, desabafou.

Na Justiça

Acidentes envolvendo álcool e direção acontecem diariamente, mas alguns deles, com vítimas fatais, viraram casos de homicídio e foram parar nos tribunais.A primeira condenação por homicídio doloso no trânsito no Amazonas envolveu o motorista Cristian Silva de Souza, condenado a 31 anos de prisão pelo atropelamento de Mateus Alves Gomes, 4 anos, em junho de 2010.

O menino foi atropelado enquanto assistia à procissão em homenagem a Santo Antônio, na calçada da casa da avó, na rua Evangelista Brow, bairro Santo Antônio, Zona Oeste, por um Corsa Classic  dirigido por Cristian, que invadiu uma área restrita à procissão.

“O que moveu a nossa persistência foi o amor pelo nosso filho. E a nossa fé nos deu forças para acreditar que a Justiça seria feita”, disse o pai de Mateus, o administrador Fernando Cavalcante Gomes.

Preso na cadeia pública Desembargador Raimundo Vidal Pessoa, na avenida 7 de Setembro, Centro, à espera de julgamento, o auxiliar administrativo Renato Benigno responde a processo por homicídio doloso no trânsito.

Embriagado, conforme laudo da perícia, Renato voltava de uma casa de forró no dia 12 de maio de 2014, no Tarumã, Zona Oeste, e dirigia em alta velocidade a picape modelo S-10, que atingiu a traseira de uma picape Strada que vinha sendo empurrada pelas vítimas. Henrique Galvão, 18, e Keyllene Almeida, 28, tiveram os corpos esmagados e morreram na hora.

O próximo dia 29 de março vai marcar um ano da maior tragédia no trânsito de Manaus, quando o motorista Ozaias Costa de Almeida, 36, que dirigia em alta velocidade uma caçamba atingiu um microônibus debaixo do viaduto da avenida Mário Ypiranga Monteiro, matando 15 pessoas. O motorista, que também morreu no acidente, havia ingerido bebida alcoólica e consumido cocaína horas antes do acidente.

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