Quinta-feira, 27 de Junho de 2019
Manaus

Familiares de jovens agredidos denunciam violência policial

Policiais militares espancaram uma adolescente de 15 anos e agridem outros dois homens durante a madrugada de quarta-feira



1.jpg Segundo as vítimas, três policiais, um deles encapuzado, desceram da viatura, renderam os jovens e iniciaram as agressões
07/05/2015 às 22:04

Familiares de três jovens de 15,18 e 22 anos denunciam três policiais militares da Força Tática por agressão e tortura. O crime teria acontecido na madrugada da última quarta-feira, na comunidade Jesus me Deu, na Zona Norte, onde o trio foi agredido com socos, pontapés e pauladas.

Segundo as vítimas, três policiais, um deles encapuzado, desceram da viatura, renderam os jovens e iniciaram as agressões. Todos eles ficaram com hematomas pelo corpo. “Quero que a justiça seja feita”, afirmou a mãe da adolescente, Maria das Graças Nascimento Coelho, 37.

A ação foi gravada pelas câmeras de segurança de uma pizzaria que fica próxima ao local. As imagens mostram o momento em que os PMs descem da viatura e abordam primeiro o auxiliar de padaria L.F.C.P., 22. Ele é empurrado para a parede  de uma mercearia e agredido com tapas e pontapés.

“Eu estava lanchando aqui na frente quando eles chegaram e mandaram eu ir para parede e já foram me batendo. Não me revistaram, nem me algemaram e mandaram eu ajoelhar”, disse a vítima. Ainda segundo o jovem, um dos policiais pegou um pedaço de madeira e bateu pelo menos 16 vezes nas costas e nas nádegas. “Não tinha motivo para eles fazerem isso. A gente não estava fazendo nada de errado”, afirmou.

A versão foi confirmada pela adolescente C.C.S, que disse ter levado 20 pauladas. Ela também foi agredida com tapas nas costas, obrigada a tirar a roupa na frente dos militares e depois a obrigaram bater nos colegas.

“Eles mandaram eu ficar sem roupa e mandaram eu me abaixar. Um deles chegou a encostar o cuturno nas minhas partes íntimas, mas eu levantei. Depois eles mandaram eu bater nos meninos, senão eu ia apanhar mais. Tive que bater”, contou a menina que para sentar, precisa usar uma almofada, já que os glúteos dela também ficaram com muitos hematomas. 

Os moradores do local disseram estar amedrontados e revoltados com tanta violência e afirmam ter medo que cenas como essa voltem a se repetir no bairro. “Isso nunca aconteceu aqui e a gente não entende o porquê deles terem feito isso. Estamos com muito medo”, disse uma mulher que preferiu não se identificar. 

O caso foi registrado no 18º Distrito Integrado de Polícia (DIP), no Novo Israel, Zona Norte. Ontem, as vítimas também denunciaram o caso à Corregedoria.

Vítimas ouvidas

O corregedor auxiliar da Polícia Militar coronel Euler Cordeiro disse que a denúncia chegou à Corregedoria na manhã desta quinta-feira (7), por meio das vítimas. Elas foram ouvidas pelo oficial do dia que tomou o depoimento delas e diante da gravidade do caso foi encaminhado ao Comando Geral da Polícia Militar para que seja instaurado um Inquérito Policial Militar (IPM).

De acordo com Cordeiro, as vítimas  foram submetidas a exame de corpo de delito quando  foram a corregedoria. As vítimas apresentaram fotografias das lesões causadas pelo espancamento. Na corregedoria foi instaurada uma sindicância para verificar a conduta disciplinar dos policiais envolvidos e foi solicitado o afastamento dos policiais autores da agressão.

Para o corregedor  auxiliar,  a ação dos policiais pode ser vista no mínimo como lesão corporal, mas  também como tortura ou abuso de autoridade. “Nós  estamos trabalhando para identificar a guarnição e intimá-las a prestar depoimento”, disse o corregedor auxiliar.

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