Sábado, 20 de Julho de 2019
DEFENSORIA PÚBLICA

Familiares denunciam falta de material para neurocirurgia no HPS João Lúcio

Denúncia foi feita no plantão da Defensoria; diretor da unidade disse não ter materiais para o procedimento



20160703120916hps__joao_lucio_foto_josemar_antunes__pz_67240695-2C3D-4552-89D0-11956FFBE509.jpg Foto: Divulgação
30/12/2018 às 14:33

A Defensoria Pública do Estado do Amazonas (DPE-AM) impetrou uma ação no Tribunal de Justiça do Amazonas (TJAM) pedindo a realização de neurocirurgia no paciente Rodrigo da Silva Araújo, 35, paciente de câncer na cabeça que desde setembro espera pelo procedimento no Hospital Pronto Socorro Doutor João Lúcio. No entanto, ao fazer o pedido pela segunda vez neste sábado (30), de acordo com a DPE-AM, o diretor do HPS informou que a a cirurgia não pode ser realizada por conta da falta de materiais para e execução do procedimento. 

Uma ação pedindo a realização imediata da cirurgia já havia sido impetrada no Tribunal de Justiça pela Defensoria Especializada na Promoção e Defesa do Direitos Relacionados à Saúde, mas com o agravamento do caso, os familiares do paciente Rodrigo da Silva Araujo, 35, recorreram ao plantão da DPE-AM.

De acordo com o irmão de Rodrigo, Roberto Araújo, após a ação da Defensoria, a única providência tomada no hospital foi a transferência de Rodrigo para uma enfermaria com assistência de enfermeiros por 24hs.


Em setembro, Rodrigo foi vítima de um atropelamento por um ônibus e ao ser internado, foi descoberto um nódulo na cabeça, mas ele à época resistiu em fazer a cirurgia com medo de sequelas graves que poderiam ocorrer. No entanto, com o crescimento do nódulo, foi necessário abrir o crânio dele, procedimento que foi feito em outubro e se mantém sem que a cirurgia seja feita.


“É preciso que seja feita retirada de massa tumoral, mas a direção do hospital diz não ter material e a Susam informou que o hospital tem autonomia para comprar, pois procurei a Ouvidoria deles para reclamar”, denuncia Roberto, pedindo que providências sejam tomadas para evitar danos maiores ao irmão. A cirurgia poderia ser feita ou na Fundação Centro de Oncologia do Amazonas (FCecon) ou no Hospital Universitário Getúlio Vargas (HUGV), mas segundo informações da direção do João Lúcio, não há vagas.


Roberto Araújo desconfia da falta de leitos e da impossibilidade da cirurgia no próprio João Lúcio, pois disse que todas as terças e quintas-feiras, são feitas cirurgias em pacientes, mas nunca sobram vagas para os que estão internados. “Eles só operam os que vêm de fora”, lamenta, revelando que todos os dias há morte de pacientes nessa enfermaria onde está o irmão dele. Outro problema grave apontado por ele é a falta de materiais como esparadrapo ou gaze para um procedimento mínimo no irmão.

Para o defensor Arlindo Gonçalves dos Santos Neto, da Defensoria Especializada na Promoção dos Direitos Relacionados à Saúde, o caso do Rodrigo retrata o estado de abandono em que se encontra a saúde no Amazonas. “E é algo que não faz sentido, pois gastamos muito com a saúde. A cada R$ 100 do Estado, R$ 24 vão para a saúde. Algo precisa ser feito para reparar essa falta com nosso povo”, disse ele, revelando continuar buscando solução para esse caso.

Como medida tomada, foi solicitado orçamento para o procedimento na rede privada, cujas respostas foram juntadas aos autos do processo. “A Defensoria pediu bloqueio de verbas públicas para que o procedimento seja realizado porque, mesmo entendendo que essa solução traz ônus para o Estado, não se pode ficar indiferente diante da situação grave vivida por esse paciente”, finalizou o defensor.

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