Quinta-feira, 02 de Julho de 2020
Caso Lorena Baptista

Familiares de perita pedem condenação de dentista por homicídio em 2010

Responsável pela defesa de Milton César Freire da Silva, a advogada Carla Luz sustentou o argumento que o tiro dado por seu cliente na ex-esposa foi acidental



julgamento_68C9A8CB-17A0-43A5-A02B-D48950B87620.jpg Foto: Robson Adriano
05/02/2020 às 10:21

O odontólogo Milton César Freire da Silva, 48 anos, estará no banco dos réus na sessão do Tribunal do Júri desta quarta-feira (5). Ele é acusado de matar com um tiro a perita criminal Lorena dos Santos Baptista, 37 anos, ex-mulher dele, no dia 5 de julho de 2010, dentro de um apartamento situado no Condomínio Villa Lobos, bairro Parque 10 de Novembro, Zona Centro-Sul de Manaus 

Na entrada do plenário principal, localizado nas dependências do Fórum Ministro Henoch da Silva Reis, bairro São Francisco, Zona Sul de Manaus, defesa e acusação pontuaram como irão atuar durante o julgamento. Familiares e amigos de Lorena, vestidos com uma camisa que estampa uma foto da perita criminal acompanhada dos três filhos, pediram justiça.



Emocionada, irmã de Lorena, a psicóloga Larissa Baptista, declarou que há 10 anos não dorme direito pensando no dia desse julgamento."A minha irmã era uma mãe amada, filha amada, irmã amada. A gente vai para a luta, queremos justiça. Imagina viver nove anos de luto: durmo, acordo e penso na Lorena. Eu tenho fé em Deus, eu creio na justiça que hoje nós vamos conseguir", declarou.

Defesa sustenta tiro acidental

Responsável pela defesa de Milton, a advogada Carla Luz sustentou o argumento que o tiro foi acidental, assim como pontuou que Lorena não foi atingida na nuca pelo disparo de arma de fogo. "No dia do fato, uma autoridade policial disse que o tiro foi na nuca. E não foi. O tiro foi na têmpora (parte lateral da cabeça). A Lorena utilizou o filho para entrar no apartamento de Milton. Ela quem levou a arma", declarou a advogada.

O perito criminal Ricardo Molina, na entrada do plenário, frisou que Lorena "não é tão santa como pensam". Segundo Molina, muitas provas técnicas serão apresentadas durante o julgamento. Uma delas é uma reconstituição computadorizada de como tudo aconteceu no dia 5 de julho de 2010.

"Não há dúvida nenhuma que foi um tiro acidental. Qualquer outra teoria é fantasiosa.  A acusação está explorando aspectos psicológicos porque não tem prova material. Nós (a defesa) temos prova material. A vítima não era essa pessoa santificada que a família quer passar. Serão mostradas aqui, provas que a vítima remete a Milton desejo de morte", ponderou Molina.

Segundo Molina, a vítima usou o filho para invadir o apartamento de Milton. "Foi uma invasão. Ela foi ao imóvel com luva cirúrgica na mão e a arma de fogo engatilhada na cintura. Com certeza não tinha boas intenções. Por que ela entrou armada e de luvas? Ela era perita. Óbvio que não queria deixar sinal de nada", frisou Ricardo Molina.

A psicóloga especialista em falsas lembranças, Andréa Calçada, afirmou que Lorena  denegria imagem de Milton para os filhos, caracterizada pela psicologia como alienação parental.  "Consta nos autos mensagens de Lorena onde ela denigre a imagem do pai (Milton). Os filhos eram usados contra esse pai. Essa alienação permanece e foi ampliada, pela própria família materna, despertando nessas crianças o desejo de vingança contra o próprio pai", pontuou Andréa.

Acusação sustenta feminicídio

Pela acusação, o perito criminal Alberi Espíndola, responsável por apresentar as provas técnicas acerca do caso afirmou que não resta dúvidas que se trata de um feminicídio.

"Nós vamos mostrar a exata posição que a Lorena levou esse tiro. Vamos mostrar, inclusive, que ela estava totalmente dominada por ele (Milton). Não existe nenhum resquício de luta corporal entre eles. Só existe uma blusa levantada o que mostra que Milton levantou a blusa de Lorena e tirou a arma da cintura dela", analisou Espíndola.

Sobre as páginas do diário onde Lorena registrava as agressões sofridas por Milton, o perito declarou que a defesa solicitou a retirada dos escritos do processo, no entanto, ainda não foi decidido pelo juiz Mateus Guedes Rios, titular da 1° Vara do Tribunal do Júri, responsável por presidir a sessão. "Quem decidirá é o juiz", completou Espíndola.

Sobre o julgamento

Pelo Ministério Público do Estado do Amazonas (MPE-AM) estão os promotores José Augusto Palheta Taveira Júnior e Armando Gurgel Maia para atuar na acusação.

O acusado terá em sua defesa os advogados Felipe de Freitas Nascimento, Walter Junio Elesbão da Silva, Lino Chíxaro e Carla Dayany Luz Abreu.

Durante o julgamento serão ouvidas cinco testemunhas arroladas pelo MPE-AM e pelos advogados que atuarão como assistentes de acusação. Cinco testemunhas arroladas pela defesa do réu. Uma testemunha do Juízo. Um perito e três assistentes técnicos.


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