Terça-feira, 16 de Julho de 2019
Invasão

Familiares de presos que cumprem pena no Compaj invadem área próxima ao local

Parentes de presos que cumprem pena no Compaj estão, aos poucos, ocupando as margens de um ramal que dá acesso às unidades prisionais do regime fechado



18/12/2016 às 05:00

O que deveria ser uma área de segurança, aos pouquinhos está sendo invadida por familiares de presos do Complexo Penitenciário Anísio Jobim (Compaj), no km 8 da rodovia BR-174 (Manaus-Boa Vista)

A invasão inusitada acontece no final do ramal que dá acesso ao complexo e fica muito próxima da entrada da penitenciária de segurança máxima e do prédio onde estão os presos do sistema semi-aberto.

Pelo menos oito barracas de camping estão montadas no local. Nelas há energia elétrica instalada com ligações clandestina, vários colchões e alguns eletroeletrônicos e ventiladores. Esses invasores, que dizem ser parentes dos presos, disseram que a alimentação, almoço, café da manhã e água gelada vem de dentro das unidades prisionais.

Rosa Lopes, 21, disse que é mulher de um interno que cumpre pena por tráfico de droga e é colombiano. Ela está morando no local há uma semana, depois que ele progrediu de regime, saindo do fechado para o semiaberto. “Eu sou do município de Benjamim Constant (a 1.120 quilômetros de Manaus) e não tenho onde ficar”, diz.

Rosa Lopes mora em uma das barracas com o filho de quatro anos de idade, que agora conta com a presença do pai diariamente. O marido de Rosa consegue sair durante o dia para ficar com a mulher. Ela garante que durante a noite ele dorme na prisão. Ela contou que chegou a alugar um quarto para ficar com o filho, mas ficou sem dinheiro para pagar as contas.

As outras barracas estavam fechadas quando A CRÍTICA esteve no local, mas conforme pessoas que ficam do lado de fora das unidades prisionais, os invasores passam a noite no local e durante o dia vêm para a cidade trabalhar. Alguns presos do semi-aberto que passam o dia do lado de fora confirmaram que os donos das barracas moram lá e que recebem a proteção e o apoio dos internos.

De acordo com os internos, durante a noite a movimentação no local é intensa, quando as donas das barracas voltam para passar a noite juntamente com os seus filhos. “Elas ficam aqui e a gente dá proteção para elas com os filhos”, disse um dos presos do semi-aberto que estava do lado de fora.

Além das barracas de camping, no local há um banheiro improvisado. As barracas também são usadas como proteção contra a chuva e o sol por familiares de presos que aguardam a entrada para visita ou para fazer a entrega de alimentos. Ainda há outras barracas improvisadas onde são vendidos alimentos, principalmente café da manhã.

O coordenador do sistema penitenciário da Secretária de Administração Penitenciária (Seap), Enderson Navegante, disse que já estão sendo tomadas providências, embora não seja competência da secretaria porque as barracas estão do lado de fora. “Nós estamos encaminhando servidores da reintegração social para conversar com esse pessoal e ver porque estão ficando ali”, disse.

Autoridades prometem atenção

Há suspeita de que as pessoas que estão ficando nas barracas estejam sendo usadas para levar informações do que está acontecendo aqui fora para dentro das muralhas, muitas vezes em tempo real, já que do lado de fora da cadeia não há interceptação de telefones celulares.

De acordo com Enderson Navegante, o local é uma área de segurança e que a Polícia Militar é a responsável pela segurança externa, portanto deveria estar atenta para o comportamento dessas pessoas.

O presidente do Grupo Permanente de Monitoramento e Fiscalização do Sistema Penitenciário do Tribunal de Justiça do Amazonas, desembargador Sabino Marques, disse que o problema das barracas instaladas em frente das unidades prisionais não é de sua alçada, porém causou um pouco de estranheza e merecerá uma atenção maior de vigilância e segurança.

O promotor de justiça da Vara de Execuções Penais (Vep) Álvaro Granja, disse que não tinha conhecimento da situação, mas que entrará em contato com os diretores das unidades prisionais para verificar se a presença dos novos “moradores” está influenciando ou incomodando o funcionamento das unidades.

Proteção do sol e chuva

Além das barracas de camping, no local há um banheiro improvisado entre elas assim como outras que servem de proteção da chuva e do sol para os familiares de presos ficarem enquanto aguardam para entrar para visita ou para fazer a entrega de alimentos. Ainda há outras barracas improvisadas onde são vendidos alimentos, principalmente café da manhã.

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