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Manaus
GUERRA DE FACÇÕES

Familiares de suposto 'segurança do tráfico' em Manacapuru contestam versão da PM

Segundo irmã de Anderson Feitoza, morto em tiroteio na quarta-feira (12), irmão não tinha envolvimento com o tráfico. "Ele nem tinha porte físico para ser segurança", disse. Após mortes, clima na cidade é de tensão 14/10/2016 às 10:10 - Atualizado em 14/10/2016 às 13:45
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Segundo a polícia, Anderson era segurança de "Joaninha", preso pela polícia (Foto: Euzivaldo Queiroz)
Oswaldo Neto Manaus (AM)

Familiares de Anderson Naúna Pedrosa Feitoza, 26, morto por Marcos Antônio da Silva Ataíde, 24, em um tiroteio na quarta-feira (12) no bairro São José, em Manacapuru (distante 88 quilômetros de Manaus) afirmam que a vítima não possuía vínculo com o tráfico de drogas, bem como não era segurança do traficante Jhonatas Bandeira, o “Joaninha”. Entretanto, Anderson é apontado pela polícia como integrante de facção criminosa que tem deixado o município em clima de terror.

O enterro da vítima ocorreu na quinta-feira (13). A reportagem não foi autorizada a acompanhar a cerimônia. Nesta sexta-feira (14), a irmã de Anderson, Thaís Feitoza, 25, disse por telefone que o irmão não tinha envolvimento com o crime na cidade.

Segundo ela, o tiroteio ocorreu após o irmão sair do velório de Diego Maradona de Souza, 27, conhecido como “Olhão”. Ele foi morto a tiros na terça-feira (11). A polícia acredita que “Olhão” tinha envolvimento com o tráfico de drogas, e Anderson era uma espécie de segurança do traficante “Joaninha”, irmão de “Olhão”.

“As pessoas estão dizendo que o meu irmão era primo do Diego, mas não é verdade. Ele não tinha nenhum laço de sangue com ele. Ele apenas estudou com ele e foi pro enterro como qualquer pessoa”, disse a irmã da vítima.

Segundo ela, o irmão trabalhava como mecânico de refrigeração e estava morando há dois meses no município. Ele teria voltado a morar na cidade após se separar da ex-mulher, que vive em Manaus. Thaís afirma que a versão da polícia é mentirosa e o irmão estava passando pelo local quando foi baleado.

“Ele foi atingido com um tiro nas costas. Eles disseram que meu irmão estava armado e tinha drogas, mas não é verdade. Só foi encontrado o celular e R$ 47. A polícia devia ter visto as câmeras e falado com a família antes de tudo. Ele nem tinha porte físico para ser segurança de traficante”, declarou.

Terror

Após a morte de “Olhão” e Anderson, o clima no município é de terror. Isso porque, segundo a polícia e moradores, vários áudios de supostos traficantes ligados a “Olhão” e “Joaninha” prometem “fazer justiça com as próprias mãos” contra traficantes de facções rivais. Postagens em redes sociais de que supostos criminosos da facção FDN estariam indo de Manaus para matar integrantes do PCC estão sendo investigadas pela polícia. 

O secretário de Segurança Pública do Amazonas, Sérgio Fontes, disse ontem que enviou uma equipe de polícia judiciária para auxiliar nas investigações. “Tenha a certeza que esses criminosos serão identificados e presos”, prometeu Fontes.

Na quarta-feira, o comandante de Policiamento Especial (CPE) da Polícia Militar, Cleitman Coelho, disse que enviou duas equipes da Ronda Ostensiva Cândido Mariano (Rocam) para reforçar o policiamento na cidade de Manacapuru. 

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