Quinta-feira, 22 de Agosto de 2019
Imprudência no trânsito

Familiares Déborah Freitas lutam na Justiça para que a morte dela não fique impune

O carro que a empresária estava foi atingido por um caminhão, após o motorista perder o controle do veículo na avenida Cosme e Ferreira, na Zona Leste, há um ano



ACIDENTE_UM_ANO.jpg Deborah chegou a ser socorrida e internada, mas não resistiu aos ferimentos (Reprodução)
05/06/2016 às 15:22

Faz exatamente um ano que a empresária Déborah Maryneth Rubim Freitas faleceu, após passar quase dois meses internada em estado grave.  Ela foi vítima de um acidente envolvendo uma carreta com falhas mecânicas, conforme apontou laudo da perícia do Instituto de Criminalística da Polícia Civil.  O veículo perdeu a direção e atingiu pelo menos três carros em abril do ano passado, um deles era o da empresária.

Déborah não resistiu e faleceu no dia 5 de junho, aos 34 anos. Desde a morte dela, parentes e amigos clamam todos os dias por Justiça. “Não queremos que este caso seja apenas mais um nas estatísticas de mortes no trânsito. Estamos lutando na Justiça, pois além de não termos tido nenhuma assistência por parte das empresas, nós queremos um posicionamento em relação a essa imprudência, queremos mais fiscalização para que não aconteçam mais fatalidades”, desabafou o marido da vítima, o levantador de toadas Renato Freitas.

O processo está tramitando na Vara Especializada em Crimes de Trânsito de Manaus. O motorista Glauco Wilson Gil Costa dirigia um caminhão de placas BXF-3440, acoplado a uma carreta de placa OAH-3331.   No laudo de perícia, a conclusão aponta como causa determinante do acidente “a perda completa do domínio do veículo caminhão, ligado à carreta, por parte de seu condutor, oriunda de falha do sistema de freios acoplado entre o caminhão e a carreta”.

 O irmão da vítima, Adison Matos, 40, se revolta ao lembrar do acidente. “O que mais nos deixa indignados é que a gente vê esse tipo de imprudência todos os dias. São veículos pesados em péssimo estado de conservação, motoristas dirigindo em alta velocidade, que passam noites sem dormir, e até sob efeito de entorpecentes. E por outro lado, não vemos nenhuma fiscalização em relação a isso”.

‘Falta fiscalização’

Para Adison, o Departamento Estadual de Trânsito (Detran) deveria ter uma política de fiscalização mais forte em relação aos veículos pesados. “A gente se mobiliza, se solidariza com outros acidentes, mas não adianta nada se não tivermos uma resposta e uma ação efetiva de quem pode e deve fiscalizar isso, que façam valer as leis de trânsito”.

Os parentes se revoltam, principalmente porque o causador do acidente continua dirigindo normalmente. “O cavalo pertence ao senhor Raimundo de Souza Leite, a  carreta à RMS Logística e o motorista é de outra empresa terceirizada. Ambos possuem suas responsabilidades, mas o motorista deveria ter feito, no mínimo, o check-list do veículo que estava dirigindo, para que não colocasse a vida de outros em risco. Isso é o que se espera, no mínimo”, completou Renato, marido da vítima.

Neste domingo a família celebrará uma missa em homenagem a Déborah, na Igreja São José Operário, às 8h, no bairro Praça 14, Zona Sul de Manaus.

‘Tramitação regular’

O Tribunal de Justiça do Amazonas (TJ-AM) informou que os autos do processo encontram-se em tramitação regular, sendo a última movimentação um despacho em 31 de maio, determinando, em acolhimento ao pedido do Ministério Público, a expedição de Ofício ao Instituto de Criminalística, a fim de que sejam prestados esclarecimentos acerca de um laudo pericial.

A ordem fixou prazo de 10  dias para resposta do IC. Após isso, os autos serão remetidos ao Ministério Público, que  analisará se acata ou não a denúncia.

‘Fiscais nas ruas todos os dias’

Questionado sobre as fiscalizações de veículos pesados, o Instituto Municipal de Engenharia e Fiscalização do Trânsito de Manaus (Manaustrans) informou que elas ocorrem diariamente nas vias que estão incluídas nas zonas de restrição de circulação. 

No Centro, caminhões acima de 8 toneladas não podem circular de segunda a sexta-feira, no horário das 6h às 20h, e nos sábados de 6h às 17h, nas áreas delimitada. A restrição para veículos acima de 16 toneladas são as mesmas, porém, até As 20h.

As avenidas Constantino Nery, Djalma Batista, Umberto Calderaro Filho, Mário Ypiranga Monteiro e Maceió também possuem restrição de circulação de veículos pesados. O Departamento Estadual de Trânsito (Detran-AM) foi procurado para comentar sobre o assunto, mas não respondeu até o fechamento desta edição.

Punições previstas pelo CTB

De acordo com o Código de Trânsito Brasileiro (CTB), transitar com veículos com dimensões ou cargas superiores aos limites estabelecidos legalmente ou pela sinalização, é infração grave, sujeita à perda de cinco pontos na Carteira de Habilitação, com multa no valor de R$ 127,69 e retenção do veículo.

Receba Novidades

* campo obrigatório

Mais de Acritica.com

Sobre Portal A Crítica

No Portal A Crítica, você encontra as últimas notícias do Amazonas, colunistas exclusivos, esportes, entretenimento, interior, economia, política, cultura e mais.