Segunda-feira, 18 de Novembro de 2019
DENÚNCIA

Familiares denunciam maus-tratos de presos por agentes da UPP

Denúncia relata supostas humilhações sofridas por detentos da Unidade Prisional do Puraquequara. Seap diz que desconhece denúncias citadas



show_upp_2A8D1882-E2A3-4ED3-A0E5-BAB3B5118368.jpg Foto: Arquivo/AC
18/10/2019 às 18:37

Familiares de detentos da Unidade Prisional do Puraquequara (UPP) denunciam possíveis maus-tratos aos internos no local. A denúncia foi feita ao jornal Manaus Hoje nesta sexta-feira (18). Em dois bilhetes conhecidos como ‘catatau’, repassados pelos familiares ao jornal, um detento e um agente penitenciário que discorda das ações cometidas por outros agentes, relataram o que tem acontecido dentro do presídio. A Secretaria de Estado de Administração Penitenciária (Seap) disse desconhecer os casos.

De acordo com a dona Léia Castro - nome fictício usado para preservar a identidade da personagem – os maus-tratos iniciaram há aproximadamente um mês. Ela conta que, nas últimas duas semanas, o esposo dela, que responde pelo crime de roubo (artigo 157) e que está preso há seis meses, relatou a ela que agentes da Seap, Umanizzare Gestão Prisional e do Grupo de Intervenção Penitenciária (GIP) têm os colocado, durante o banho de sol, despidos de frente um para o outro, os obrigando a realizarem movimentos repetitivos com os seus órgãos genitais.



“Eles colocaram os internos em uma quadra, nus, e os agentes os mandaram brincar com os pênis deles. Eles ficavam rindo dos detentos. Um dos internos questionou o motivo deles estarem fazendo aquilo, então eles agrediram ele e mandaram ele abrir os olhos e jogaram spray de pimenta. Eu sei que erraram, sim (detentos) e estão lá cumprindo suas sentenças e pagando por seus crimes, mas eles devem ser tratados como seres humanos. Uma outra situação é a questão da comida deles, que eles dizem às vezes chegar estragada. Não podemos nem entrar com alimentação saudáveis para eles, lá”, disse.

Nos bilhetes, um possível detento descreve que, durante as visitas, agentes do GIP têm os acompanhado, os impedindo de passar qualquer informação negativa do presídio para os familiares. Ainda conforme o interno, 40 detentos foram isolados, pois, para eles (agentes), os internos pertencem a facções criminosas. Já no outro bilhete, que seria de um agente penitenciário, o profissional diz que os presos têm sido agredidos fisicamente e que, além disso, há celas que abrigam mais de vinte detentos.

Sheila Silva – também um nome usado para preservar a identidade da personagem –, esposa de um dos detentos que responde por tráfico de drogas (artigo 33), disse que houve uma manifestação em frente à sede do governo do Amazonas, no dia 9 de outubro, onde ela e outras famílias pediram para que as autoridades competentes fossem até a unidade verificar o que de fato estaria acontecendo no local. Ainda segundo Sheila, líderes do governo informaram aos manifestantes que dariam uma resposta nesta sexta-feira (18), porém, deram um novo prazo de resposta para segunda-feira (21).

Seap se manifesta

Em nota, a Secretaria de Estado de Administração Penitenciária (Seap) informou que desconhece as denúncias citadas, e que os procedimentos internos adotados nos presídios, como revistas, visam a segurança dos internos, dos agentes de ressocialização e dos familiares.

A Seap informou ainda que o fornecimento das refeições é fiscalizado diariamente e que o Grupo de Intervenção Penitenciária (GIP) não possui contato com os internos. 

A secretaria possui a Ouvidoria Penitenciária (Ouvpen), responsável por atender denúncias e reclamações sobre o sistema prisional. A formalização de eventuais irregularidades será apurada para a tomada das medidas cabíveis.


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