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Manaus
Grande Vitória

Famílias de desaparecidos do Grande Vitória pedem prisão de PMs e paradeiro dos jovens

Em manifestação pelas ruas do bairro, eles exigiram também mais resultados nas investigações para localizar as vítimas, desaparecidas há um mês 20/11/2016 às 11:11 - Atualizado em 20/11/2016 às 11:46
Kamyla Gomes Manaus (AM)

Familiares e amigos dos três jovens que desapareceram há cerca de um mês no bairro Grande Vitória, na Zona Leste de Manaus, se reuniram na manhã deste domingo (20) pelas ruas da comunidade para manifestar e pedir mais resultados das autoridades nas investigações sobre o paradeiro das vítimas e a prisão dos policiais militares apontados com envolvimento no desaparecimento das três vítimas. A Polícia Civil acredita que os três jovens estão mortos.

Com cartazes com dizeres pedindo por justiça, eles se concentravam na av. Magalhães, uma das principais do bairro, para iniciar uma caminhada até o local onde os jovens foram vistos pela última vez. “Quero saber onde estão os corpos. Temos o direito de saber. E também queremos que os policiais continuem presos”, disse Arlete Roque, mãe de Alex, um dos desaparecidos. O ato contou com cerca de 200 pessoas, e também com a presença de PMs.

Nas faixas e cartazes, os manifestantes também expuseram fotos dos desaparecidos e dos PMs suspeitos do crime, com a legenda “assassinos PMs somem com jovens”. “Queremos que a Justiça seja feita. Tem sido péssimos dias e não temos resposta de mais nada. Eu sou mãe e sei o que estou passando”, disse Lindalva Castro, 43, mãe de Rita, outra desaparecida.

Os três desaparecidos são Alex Julio Roque de Melo, a atendente de caixa Rita de Cássia Castro da Silva e Weverton Marinho, que sumiram no dia 29 de outubro após terem sido abordados por duas guarnições da 4ª Companhia Interativa Comunitária (Cicom), do Grande Vitória. No mesmo dia, amigos e familiares iniciaram buscas por conta própria e também fizeram intensas manifestações pelas ruas do bairro, inclusive incendiando pneus, madeira e veículos.

Sem pistas concretas

Familiares das vítimas criaram um grupo no WhatsApp onde buscam informações que levem ao paradeiro dos desaparecidos. Porém, até ontem, não havia nenhuma pista que levasse ao paradeiro dos jovens. A única informação que eles conseguiram foi que Alex, Rita d e Weverton foram levados para a mata na picape de placa NOT-5687 de um dos envolvidos: o tenente Luiz Ramos.

PMs envolvidos

Continuam presos, após terem as prisões prorrogadas por mais cinco dias, até a próxima terça-feira (22), os aspirantes Luiz Ramos e Fabiano Alves, o sargento Ribeiro Costa, os cabos Isaac Silva e Cortez Costa, e os soldados Cleydson e Denilson Correa, por serem suspeitos de envolvimento no desaparecimento dos três jovens. Todos estavam detidos desde o dia 8 de novembro.

Já os policiais Telmo Filho, Francisco Alterly e outro identificado apenas como “Edelson” foram colocados em liberdade no dia 13 de novembro porque acabou o prazo da prisão temporária deles, que é de cinco dias, e também porque a investigação entendeu que não havia necessidade de mantê-los segregados, segundo informou na semana passada o delegado Ivo Martins, titular da Delegacia Especializada em Homicídios e Sequestros (DEHS).

Quanto aos demais policiais que permanecem presos, delegado explicou no caso deles houve prorrogação e que a necessidade de mantê-los presos ainda está sob análise. Martins não descartou a possibilidade de alguns destes terem suas prisões temporárias transformadas em preventivas, quando não há limite de dias.

Morte de comunitária

Antes do desaparecimento de Alex, Rita e Weverton, a DEHS já investigava o assassinato de uma líder comunitária no Grande Vitória, Rosenira Soares de Souza, 47, executada com sete tiros na madrugada do dia 27 de julho deste ano. Após investigações, a polícia concluiu que Alex foi um dos sete autores do crime. O motivo do assassinato foi porque o grupo criminoso do qual Alex fazia parte se sentia incomodado com o fato da líder comunitária denunciar o tráfico de drogas para a polícia.

Ameaças contra PMs

Ainda de acordo com a Polícia Civil, o desaparecido Alex tinha planos de executar três PMs da 4ª Cicom, entre eles o aspirante Luiz Ramos, que está preso. Segundo o delegado Ivo Martins, foram interceptadas três ligações telefônicas de Alex feitas ao traficante Ronaldo Maricaua Flores, o “MK”, 33, apontado como chefe do tráfico de drogas do Grande Vitória. Nas ligações, Alex pediu autorização para matar os PMs.

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