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Manaus
Briga fundiária no brasileirinho

Para expulsar moradores, casal manda incendiar e demolir casas em ramal

Famílias denunciam casal que contratou homens para expulsá-las das terras que ocupam há duas décadas. Eles relatam que os capangas chegaram ao local sem mandado judicial e com apoio de policiais 20/04/2016 às 05:40 - Atualizado em 20/04/2016 às 10:15
Luana Carvalho Manaus (AM)

Moradores do 'ramal do quilômetro 12', no ramal  do Brasileirinho, Zona Leste, foram surpreendidos durante a madrugada da última quinta-feira (14) com tiros e fogo. “Incendiaram  e demoliram as casas dos nossos vizinhos. Depois jogaram os galões com gasolina em frente às nossas casas para nos assustar. Isso tudo  por volta de meia noite”, relata o mestre de obras Olavio Cavalcante, 48, que vive na comunidade há 28 anos.  

Um dos tiros por pouco não atingiu o pai do motorista Luiz Sérgio, 55. “Os capangas chegaram com tratores e com o apoio de policiais. Eles não tinham nenhum mandado judicial de desapropriação, mas mesmo assim agiram com truculência. E mesmo se tivessem, não é certo fazer isto durante a madrugada assustando centenas de famílias que moram há  muitos anos nesta comunidade”, comentou o motorista. 

A confusão, segundo os moradores, foi causada por um casal de empresários que se dizem donos das terras. “Existe um processo tramitando na Justiça há quase 10 anos sobre essa área. Nós chegamos primeiro aqui,  abrimos esse ramal, e este casal diz que comprou as terras depois e agora querem a posse de qualquer jeito, nem que para isso tenham que agir com violência”, complementou Luiz. 

Uma das casas do ramal, que aparentemente estava sem móveis, foi demolida por tratores. Em outra casa, os suspeitos atearam fogo com todos os móveis e eletrodomésticos dentro. A agricultora Raimunda Barbosa, 64, que mora no ramal há 23 anos, está assustada e não consegue dormir direito depois do ocorrido. 

“Estamos apavorados. Criei meus 10 filhos neste lugar, e  agora estamos com medo de ficar em nossas próprias casas. Aqui a gente planta nossas verduras e frutas, é onde moramos e tiramos nossos sustento. Não é justo o que estão fazendo”, lamenta.

Denúncia 

Os proprietários das casas que foram destruídas procuraram o 4º Distrito Integrado de Polícia, na última sexta-feira, para formalizar o boletim de ocorrência. A Defensoria Pública do Estado, por meio da Defensoria de Interesses Coletivos, está tomando conhecimento da situação e deve se pronunciar hoje sobre o caso. 

“Nós acompanhamos o caso desta comunidade e ainda estamos nos colocando a par do que aconteceu. Assim que os líderes comunitários nos comunicarem, iremos pedir providências”, afirmou o defensor Carlos Alberto Filho.

Infraestrutura pedida

Além deste problema, os moradores alegam que solicitaram diversas vezes a pavimentação para o ramal. A Secretaria Municipal de Infraestrutura (Seminf) informou que o ramal não é asfaltado e que não há precisão para o serviço, mas que hoje uma equipe averiguará a situação para programar a terraplanagem.

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