Publicidade
Manaus
AUXÍLIO

Famílias desalojadas em incêndio fazem protesto durante posse de Wilson Lima

Cerca de 300 pessoas realizam manifestação no Largo São Sebastião, onde ocorre a posse do governador. Moradores cobram pagamento de benefícios prometidos pelo Governo após incêndio no Educandos 01/01/2019 às 18:50 - Atualizado em 02/01/2019 às 15:10
Show protesto 504feb83 35b3 434b b20f 1abed7135b03
Foto: Yasmin Feitosa
Paulo André Nunes Manaus (AM)

Um grupo de famílias desalojadas após o incêndio no bairro de Educandos, na Zona Sul da cidade, realiza uma manifestação no Largo São Sebastião, onde ocorre a posse do governador Wilson Lima nesta terça-feira (1). Eles reivindicam o pagamento dos benefícios prometidos pelo Governo do Estado quando do sinistro, ocorrido no último dia 17 de dezembro.

Os manifestantes - em torno de 300 pessoas e inclusive crianças, segundo o comando da mobilização - se concentraram desde às 15h na frente da Igreja Católica Nossa Senhora do Perpétuo Socorro, na rua Inocêncio de Araújo, uma das principais do bairro, e de lá foram em passeata para o Largo São Sebastião, gritando palavras de ordem e reivindicando, por exemplo, o repasse de R$ 900 de auxílio-humanitário e a continuidade do mesmo, em vez do pagamento de parcela única.

Eles, inclusive crianças, portam vários cartazes de cartolina com frases como "A Favela de Educandos merece respeito", "Socorro, nos ajude governador", "Só queremos o nosso cantinho de volta" e "Somos todos Educandos". Uma fileira de PMs e outra do batalhão da Ronda Ostensiva Cândido Mariano (Rocam) separam os manifestantes da via em frente ao Teatro Amazonas, na qual o governador vai fazer revista das tropas em instantes.

Além de cobrar uma solução, os manifestantes reclamaram que as famílias atingidas pelo incêndio e que foram remanejadas para abrigos estão tendo mais “prioridades”, e que os dias estão “passando sem uma resposta para os desalojados que buscam auxílio”.

A industriária Alcinéia Amaral é uma das pessoas desalojadas. Ela afirma não ter o que comemorar nesta ano que se inicia, e diz estar alojada na casa do pai, no bairro Mundo Novo, na Zona Centro-Sul, e que gasta dinheiro para se locomover daquela localidade até o Educandos em busca de respostas para o pagamento do auxílio de R$ 900.

 “Nossa expectativa é de que comparecesse ‘todo mundo do povo de baixo’ que foi prejudicado pelo incêndio. Nós não recebemos nada do Governo do Estado, exceto cestas básicas de alimentação, e aguardamos o auxílio-aluguel. Não tenho casa e nem o que comemorar neste novo novo”, comentou ela.

A dona de casa Mirandolina de Souza Barros pediu apoio do Governo do Estado empunhando um cartaz com os dizeres "O Povo de Educandos chora: queremos moradia". Ela e sua família composta pelo marido, uma filha e cinco netos perderam tudo, e estão no Largo cobrando benefícios.

"Não estamos aqui pra criticar o Wilson Lima, mas para apoiá-lo e incentivá-lo a trabalhar para nós. Estou morando na casa da minha comadre, que me viu na praça e me deu apoio. Queremos os R$ 900 para alugar um lugar para ficar e sair da casa dos outros. O que aconteceu foi uma fatalidade e já era pra há muito tempo o Governo do Estado ter nos tirado de lá daquela área. A bronca, agora, é com o Wilson", comentou ela, que teve a casa e a vila que alugava quartos destruídos no sinistro da Zona Sul.

Também presentes à manifestação, o diretor do Instituto de Cidadania e Desenvolvimento Social do Amazonas (ICDSAM), Gil Eanes, frisou que a comunidade educandense "deu uma expressiva votação" para o novo governador e que, além de pedir apoio de Lima, o propósito era apoiá-lo para que "ele seja o melhor governador da história política do Estado do Amazonas".

"Nós queremos saber o que o Governo do Amazonas e a Prefeitura podem fazer por essas famílias. Viemos apresentar essa demanda, esse drama coletivo que atinge mais de 600 famílias vítimas daquele terrível e destruidor incêndio que ocorreu no último dia 17 de dezembro de 2018", frisou ele, cuja entidade abriga 32 pessoas vitimadas.

Publicidade
Publicidade