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Famílias invadem terreno na Colônia Antônio Aleixo, Zona Leste de Manaus

Por falta de cumprimento dos direitos trabalhistas, cerca de 400 pessoas ocupam terreno de serraria onde prestavam serviço 15/05/2015 às 10:58
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As famílias de ex-funcionários da serraria Madebrig Madeiras tomaram posse do terreno no início da tarde de ontem
adália marques Manaus (AM)

Ao menos 400 pessoas ocupam desde ontem o terreno da serraria Madebriq Madeiras e Briquetes, situado na rua Padre Mário, no bairro Colônia Antônio Aleixo, na Zona Leste. A ação foi motivada em decorrência da suposta falta do cumprimento dos direitos trabalhistas por parte dos administradores da serraria com os antigos funcionários, após o encerramento das atividades fabris em 2008.

Segundo o auxiliar de produção da extinta serraria, Fernando Ramos, 28, que trabalhou por três anos no local, ele e os demais ex-funcionários resolveram tomar a atitude de invadir o local para reivindicar os direitos trabalhistas que até hoje, não foram sanados pela empresa. A situação também foi confirmada pelo serralheiro Franciney Paz Procópio. “Não se trata de uma invasão e sim de uma ocupação”, alegou.

De acordo com Procópio, os donos da serraria tentaram vender o terreno, mas não conseguiram porque não tinham o documento da referida área. “Como fomos lesados e nunca ressarcidos, nada mais justo que sair do aluguel e da vida difícil que estamos levando há anos, tomando de conta da terra que ocasionou esta situação”, declarou o ex-funcionário.

Segundo a cozinheira, Maria Raimunda de Souza Gomes, 46, enquanto o presidente da serraria estava à frente da empresa, “tudo funcionava perfeitamente, mas depois que ele faleceu e os filhos assumiram a administração, os funcionários, não receberam mais e a empresa faliu, e o lugar ficou abandonado”, lembrou, Maria, ao ressaltar que, depois do ocorrido, as pessoas ficaram sem saber o que fazer. “Não conseguimos emprego e aos poucos todos começaram a se manter fazendo bico”.

Temílson Batista, também foi empregado na Madebriq. Ele conta que sofreu um acidente em 2006, quando pegou um corte na cabeça porque estava sem proteção, já que segundo Batista, a empresa não cedia o equipamento de proteção. Após o acidente, Tamílson ficou com a visão prejudicada e a empresa, segundo ele, nunca prestou auxílio nos dias em que ficou internado. A reportagem tentou entrar em contato com os ex-proprietários da Madebriq, mas não obteve retorno.

Área de Preservação

Num outro ponto do mesmo bairro, também há outra área ocupada. Mas esta, trata-se de uma Área de Preservação Permanente (APP), localizada na rua 11 de Maio. O lugar foi tomado por mais de 80 famílias. No local, funcionava a serraria “Pereira”, fechada desde 2009, justamente por ser uma área ambiental. Um dos ocupantes, o eletricista Paulo César da Silva, disse que as pessoas que ali estão, não tem onde morar, a grande maioria paga aluguel.

Procurado, o Instituto de Proteção Ambiental do Amazonas (Ipaam) informou que até o momento não há nenhum registro sobre o caso citado na Colônia Antônio Aleixo. "Porém, por meio das informações repassadas no e-mail (pela reportagem de A Crítica), a denúncia será formalizada na gerência de fiscalização e uma equipe irá ao local verificar a situação", completou a nota.

Danos e multa

De acordo com os antigos funcionários, após os donos da serraria Madebriq Madeiras serem autuados pelos órgãos ambientais em mais de R$ 1 milhão, a empresa não suportou e fechou as portas. A área, segundo eles, está avaliada em aproximadamente R$ 15 milhões.


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