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Manaus
SEM CASA E ALUGUEL

Famílias que moravam na comunidade Pico das Águas ainda esperam por ajuda

As 85 famílias vinham recebendo há quatro anos o auxílio aluguel no valor de R$ 400, mas há três meses foram informadas que o pagamento foi cancelado 25/03/2017 às 12:46
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Famílias que não aceitaram a indenização e apostaram no Prosamim (Foto: Evandro Seixas)
Rita Ferreira Manaus (AM)

Sem casa própria e sem dinheiro para pagar o aluguel. Esta é a realidade de 85 famílias que foram desapropriadas de suas moradias na comunidade Pico das Águas, no bairro São Geraldo, zona Centro-sul de Manaus.

Há quatro anos elas vinham recebendo do Governo do Estado o auxílio aluguel no valor de R$ 400, mas há três meses foram informadas que o pagamento foi cancelado. No mesmo terreno onde antes estavam situadas as palafitas onde elas moravam deveria ter sido construído um conjunto, por meio do Prosamim, mas o projeto não saiu do papel.

De acordo com os moradores, na época da desapropriação ocorrida em 2012, a Secretaria de Habitação (Suhab) ofereceu uma indenização no valor de R$ 35 mil ou o auxílio aluguel até que as novas residências fossem construídas.

Como o prazo para a conclusão das obras era de apenas dois anos, as 85 famílias optaram por aguardar a entrega dos apartamentos, conforme informado pela Suhab. No entanto, as obras nunca foram iniciadas e pagamento do auxílio aluguel foi cortado há três meses.

A manicure Glaudiane Muniz, 29, relata que foi despejada da casa que alugava e, atualmente, mora de favor num quarto cedido pela irmã no mesmo bairro. “Eu tenho dois filhos, um deles está dormindo num colchão no chão porque não tenho espaço pra por uma cama pra ele”, relatou.

Esse também é drama vivido pela idosa Neide Alves de Souza, de 77 anos, que se diz indignada pela demora pela entrega da casa e, principalmente, pelo corte do auxílio aluguel. “Eu vivo de um pensão que recebo. O auxílio que o Governo me dava era de R$ 400 e o aluguel que eu pago é de R$ 800, ou seja, eu ainda tinha que completar. Mas agora está atrasado porque eu não tenho como pagar sem ele. Ainda bem que o dono da casa onde eu moro é legal comigo e ainda não me despejou de lá.

A idosa conta que não aceitou a indenização em 2012 porque preferia morar no local onde esteve a maior parte da vida e que, assim como as demais famílias, não pretende aceitar a oferta de indenização do estado. “Se eu quisesse teria aceitado naquela época, agora quero morar aqui onde a localização é boa e onde é minha casa”.

Segundo os moradores, o projeto que seria implementado no local e apresentados a eles pela Suhab previa a construção de apartamentos, uma creche, um campo de futebol e uma área de lazer destinada às crianças. Mas, o que se vê no local é muito barro, colocado durante um trabalho de terraplanagem, que de acordo com eles foi ineficiente.

Procurada pela reportagem, a Unidade Gestora que administra os projetos do Prosamim da Cachoeira Grande informou que as obras estão paralisadas porque o projeto está em análise no Ministério das Cidades. Já a Secretaria que o Governo do Estado não tem mais recursos para custear o auxílio aluguel das famílias.

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