Quinta-feira, 18 de Julho de 2019
Manaus

Famílias são notificadas para deixar prédio conhecido como ‘Titanic’ no Centro de Manaus

De acordo com representantes da Defesa Civil Municipal, o ‘Titanic’ não tem condições de abrigar as famílias que estão no local



1.jpg Pelo menos 15 famílias devem deixar o 'Titanic'. O prédio apresenta péssimas condições de moradia
20/05/2013 às 12:42

Pelo menos 15 famílias que residem no prédio conhecido como ‘Titanic’, localizado na rua Mundurucus, Centro de Manaus, devem deixar o local até a próxima segunda-feira (20).

A decisão foi tida em conjunto pelas Secretaria do Centro, Defesa Civil, Conselho Regional de Engenharia e Agronomia do Amazonas (CRE-AM), Secretaria Municipal de Assistência Social e Direitos Humanos (Semasdh), Eletrobras Amazonas Energia, Instituto Municipal de Planejamento Urbano (Implurb) entre outros, após a constatação de risco eminente à vida dos moradores e vizinhos do local.

As famílias foram informadas da ordem de desocupação na tarde desta sexta-feira (17). Já o proprietário do prédio, um homem conhecido como Ivan, terá que apresentar um Plano de Demolição Voluntário, após 24 horas da notificação expedida pela Defesa Civil.

Caso ele não responda a notificação, ele receberá um auto de infração da Prefeitura de Manaus, que cobrará o cobrará com multa. Após, este período o Poder Publico poderá demolir o espaço e enviar ao proprietário os valores gastos na ação.

Sem luz

Para pressionar a desocupação das instalações a concessionária Manaus Energia, cortou a rede elétrica do prédio. De acordo com o engenheiro do Implurb, Jocimar Milon, a permanência das pessoas no local é inaceitável, já que lá correm os mais variados riscos.

“São irregularidades de todas as ordens, a estrutura encontra-se danificada, e rede elétrica está completamente exposta. Sem falar há falta de higiene, animais dos mais variados vivem junto com os moradores, incluindo crianças”, explicou.

Vivendo no ‘Titanic’ há 14 anos, o pedreiro Alexandre Gomes Ferreira ,34, diz que todos conhecem os risco de viver no prédio condenado. Mas, segundo ele vale apena assumir o risco, quando não se tem dinheiro e nem onde morar.

“É muito fácil condenar nossa moradia aqui. Mas, não é em todo lugar que se acha um aluguel de R$ 130. Se tivéssemos como pagar algo melhor, não estaríamos nesta situação lastimável”, desabafou.

Irregularidades

No prédio visitado nesta sexta-feira pela reportagem é possível observar a existência de várias infiltrações, e inúmeras ligações clandestina de água e luz. Para residir em um dos quartos do ‘Titanic’ os moradores tem que desembolsar mensalmente R$ 130, e ainda dividir o uso dos poucos banheiros entre si.

Mãe de um menino de 11 anos e uma menina com necessidades especiais de 8, a dona de casa, Ionara Lucy Rebelo da Silva, 38, resolveu morar no prédio quando seu filho mais velho tinha um ano e seis meses, ela está dividida entre a esperança de conseguir um lugar para morar com seus filhos e marido, e o medo de ser abandona a própria sorte. Ionara, afirma que a renda do marido não suporta o pagamento de um aluguel acima do que atualmente pagam.

“Eu garanto que se pudesse não estaria aqui com meus dois filhos. Quando chove isso aqui é uma tormenta, molha tudo e chega até a tremer. Se tivermos que sair daqui, teremos que morar debaixo da ponte”, lamentou.

Insalubre

O prédio é composto por sete andares, o térreo contém garagem e uma escada que leva ao outros compartimentos. Pela falta de paredes de tijolo, os moardores tiveram que construir paredes de papel e compensado, que nos dias de chuva muitas vezes são arrancados pelo vento.

Além da péssima estrutura, o local é dominado por mofo, entulho e animais. Ao menos 10 crianças dividem o espaço, com gatos, cachorros, ratos entre outros. As escadas que levam aos andares mais altos não possuem qualquer grade de proteção, e vizinhos do ‘Titanc’ reclamam de circulação e consumo de entorpecentes no local.

“Acho a iniciativa uma boa não só para resguardar a vida de quem mora ai, mas também para a nossa segurança. Trabalho nas proximidades do prédio e perdi as contas de quantas vezes vi pessoas se drogando ai”, relatou uma mulher que trabalha próximo ao prédio e não quis se identificar com medo.



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