Sábado, 06 de Junho de 2020
CIÊNCIA

Fapeam quer aumentar índice de mulheres realizando pesquisas no AM

Segundo a Unesco, apenas 28% dos pesquisadores do mundo são mulheres. No sistema da Fapeam em torno de 54%  dos pesquisadores cadastrados são mulheres.



hu1_EF00B4FD-8853-4F71-9189-6D53038F6C01.JPG Foto: Divulgação/Fapeam
02/03/2020 às 09:32

Com o intuito de estimular a atuação das mulheres, em todas as suas faixas etárias, na ciência, uma série de programações está sendo desenvolvida em comemoração ao Dia Internacional de Mulheres e Meninas na Ciência. A data é celebrada no dia 11 de fevereiro e foi instituída pela Organização das Nações Unidas para a Educação, a Ciência e a Cultura (Unesco) e pela ONU Mulheres.

As atividades serão realizadas pela Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado do Amazonas (Fapeam), que adotou esta data especial em seu calendário. A segunda atividade da programação acontecerá hoje no Centro de Educação Tecnológico do Amazonas (Cetam), unidade Escola de Educação Profissional Padre Estélio Dálison, localizada no bairro São Jorge, Zona Oeste de Manaus. 



A atividade é voltada apenas para alunas de cursos técnicos nas áreas de massoterapia, podologia, estética, dentre outros, que estudam na instituição. Dentro da programação, ocorrerá a palestra da doutora e pesquisadora Ani Beatriz Matsuura, do Instituto Leônidas & Maria Deane (ILMD/Fiocruz Amazônia), a qual abordará a diversidade microbiana, objeto de seus estudos, além de contar sua trajetória e inspirar as jovens. 

Ani Matsuura afirma que os estudos científicos com fungos patogênicos de humanos, principalmente os causadores de candidemia e criptococose, têm o objetivo de conhecer as particularidades das espécies de fungos que causam a doença. “Para isso usamos a biologia molecular e também são feitos testes para conhecer o comportamento desses fungos frente aos antifúngicos que estão disponíveis para tratamento”, explicou Ani, destacando que as pesquisas são realizadas em parceria com pesquisadores da Fundação de Medicina Tropical Doutor Heitor Vieira Dourado (FMT-HVD) e do Instituto Nacional de Pesquisas da Amazônia (INPA).

“Além disso, estudamos também o ambiente para conhecer onde estão esses fungos, o que é importante para evitar infecções ou reinfecções e também para tomada de decisões para os órgãos de vigilância. Esse trabalho está em andamento e é tema de uma tese de doutorado de uma aluna minha e vou falar também sobre esse trabalho”, completou a pesquisadora, que relembrou a trajetória na ciência desde a época em que cursou o Programa Institucional de Bolsas de Iniciação Científica (PIBIC).

Desigualdade ainda é grande em cargos de relevância 

Segundo a Unesco, apenas 28% dos pesquisadores do mundo são mulheres. No sistema da Fapeam em torno de 54%  dos pesquisadores cadastrados são mulheres. Entretanto, quando se busca qualificar essa informação para saber qual posição elas ocupam há uma inversão e os homens passam a ser 54% como coordenadores de projetos. Diante desse cenário, a Fapeam tem promovido atividades como “Mulheres e Meninas na Ciência” para estimular que esse índice aumente e mostrar que as mulheres também participam da ciência, bem como estimular que novas meninas e mulheres adentrem no campo científico.

“O que vimos atualmente é que na maioria das vezes elas eram deixadas fora dos créditos das novas descobertas ou então vistas como pesquisadoras secundárias, geralmente como assistentes e não como pesquisadoras principais. Temos uma boa participação de mulheres na pesquisa, nos programas de pós-graduação e recentemente é muito bom ver essas mulheres ocupando cargos de chefias. Mas, isso precisa ser fortalecido. Precisamos sempre lutar pelo igualitário", avaliou a pesquisadora, sobre a participação das mulheres no meio científico.

Última ação na sexta-feira

A primeira atividade  em celebração ao movimento Mulheres e Meninas na Ciência aconteceu no dia 11 de fevereiro de 2020, na Feira Itinerante da Aparecida,   e foi aberta ao público. Durante o dia, foram apresentados  projetos coordenados por mulheres, que atuam no campo científico do Amazonas, como a da doutora e pesquisadora Geina Faria, professora da Universidade Federal do Amazonas (Ufam), no município de Coari (AM), que levou a iniciativa intitulada “Brownies de açaí e castanha sem glúten, sem leite e com redução lipídica: perfil sensorial e estudo de consumidores”.

A terceira e última atividade será realizada nesta sexta-feira (6), das 9h às 10h, com estudantes do Colégio Militar da Polícia Militar do Amazonas V Tenente Coronel Cândido José Mariano, no Auditório Vânia Pimentel na Universidade Nilton Lins, bairro Flores, com uma roda de conversa com a doutora e pesquisadora do Inpa, Elizabeth Gusmão, que atua principalmente nos seguintes temas: sistemas de produção de peixe, estresse fisiológico, nutrição e fármacos para fins terapêuticos das espécies de peixes.

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Repórter de Cidades
Jornalista formada pela Uninorte. Apaixonada pela linguagem radiofônica, na qual teve suas primeiras experiências, foi no impresso que encarou o desafio da prática jornalística e o amor pela escrita.

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