Terça-feira, 17 de Setembro de 2019
PARADA DE 'LUXO'

‘Faria 20 com o mesmo valor usado nessa da Ponta Negra', diz engenheiro

Manaus Hoje conversou com usuários do transporte coletivo e especialistas em construção. Todos lamentam o alto custo da obra



fdfdsfdsfsd_0F4413C8-44E2-4A22-AE27-7419D861823A.JPG Foto: Junio Matos
22/08/2019 às 09:03

Pedras Portuguesas, porcelanatos, teto climatizado, lâmpadas de LED, bancos de madeira, plantas ornamentais, Wi-Fi e música ambiente... Não, não se trata da sala de um apartamento luxuoso, estamos falando da parada de ônibus na orla da Ponta Negra, ou melhor, terminal de embarque e desembarque, como definiu o prefeito de Manaus, Arthur Neto. 

O outro lado da moeda

Se na Ponta Negra a parada de ônibus é a “cara da riqueza”, o mesmo não se repete no resto da cidade. A equipe do MANAUS HOJE fez uma vistoria nas paradas da cidade e a situação é bem precária para quem de fato utiliza transporte público. São paradas sem identificação, sem coberturas, com bancos quebrados e a noite, até sem iluminação.

Mediante a situação do resto da cidade, a parada de R$ 207 mil da Ponta Negra acaba sendo um acinte à população menos favorecida. “Só nós sabemos o que é andar pela cidade e não ter sequer uma placa em muitos lugares. Quando tem uma cobertura, já é muito, é o mínimo que poderiam nos oferecer debaixo desse sol escaldante”, completou irritada a pedagoga Flávia Oliveira, de 30 anos.

Transporte coletivo e paradas de ônibus, são um caso sério na cidade de Manaus. “Não adianta ter uma parada com tanto glamour se a situação dos ônibus são uma vergonha, não bate, sabe? É como uma panela com tampa velha”, comentou outra usuária de transporte coletivo.

Orçamento popular

Com tantas obras que precisam ser construídas e outras que precisando de reparos, R$ 207 mil é uma grana que parece fazer muita diferença e para ter uma noção do valor da obra a equipe do MH, procurou um engenheiro e fez um orçamento de uma parada comum, com medidas e o material sugerido. 

Para o engenheiro Francisco Alberto, a obra custaria o valor de R$ 10 mil, ou seja, daria para fazer 20 paradas pela cidade.Conversamos ainda com o pedreiro Flavio Cavalcante, que afirmou que com R$ 5 mil conseguiria construir uma “parada muito bem paga”. Flávio trabalha com obras há 10 anos. 

A obra da prefeitura que custou R$ 207 mil é preço de cinco paradas de ônibus comuns em outros bairros da cidade.O capricho foi tanto que ganhou notoriedade nacional. Na entrevista o prefeito Arthur Virgílio Neto falou que não se trata de um ponto de ônibus, “isso aqui não é uma parada de ônibus, isso foi u m vacilo do Implurb, só porque fica um amontoado de gente,que agora vão ficar aqui dentro, a frescura aqui é grande e frescura custa dinheiro”, disse ele aborrecido por chamarem a obra de parada de ônibus.

*Esta matéria foi atualizada para corrigir informações sobre o número de paradas

Repórter

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