Segunda-feira, 21 de Outubro de 2019
Manaus

Farinha de mandioca duas vezes mais cara do que o feijão

Disparada do preço transformou o produto no item mais enviado de barco dos municípios do interior para a capitalA alta do preço da farinha de mandioca, duas vezes mais carado que o feijão, que já foi um dos itens mais caros do prato da culinária doamazonense, provocou um fenômeno atípico no movimento de encomendas enviadas dointerior do Estado para a capital. A observação é de Dennis Coimbra, dono dobarco Densis Coimbra, que há 17 anos faz viagens entre Borba (AM) e Manaus. Mais do que manter o costume de rever amigos na chegada dobarco, a busca pela farinha nossa de cada dia no porto da cidade responde aoaumento de mais de cerca de 250% que o produto registrou na região Norte desdeo ano passado. No vale do Juruá, de onde a cidade de Manaus compra grande parteda farinha, o preço registrou subida de até 240%.O ajudante de pedreiro Moisés Silva, 35, que tem família noMunicípio de Borba conta que depois que o preço farinha aumentou em Manaus sócome o produto quando o sogro envia. “Ele manda porque é mais fácil e porque,em Manaus, a farinha está sendo vendida pelo dobro do preço de um ano atrás”,disse o pedreiro.No serviço de encomenda dos barcos, a velha carta, meio decomunicação ultrapassado frente aos modernos aplicativos telefônicos e doe-mail, ainda são um capitulo a parte. Segundo Denis Coimbra, pelo menos cincocartas e bilhetes são enviados a cada viagem que faz. As pessoas esperamansiosas pelo contato dos familiares e, em muitos casos, quando o barco demorapara chegar ou não faz a viagem as pessoas ficam com raiva pela demora. E as tradições não param nas cartas, o livro de encomendas,que faz o controle de tudo que vai a bordo, é uma verdadeira relíquia quedocumenta e guarda os detalhes do costume amazônico. O conferente MarlonCastro, 36, explica que o método de registrar as encomendas no livro que tambémfaz parte da tradição dos rios amazônicos é muito importante por que com ele épossível evitar confusões que acontecem quando alguém pega a encomenda e dizque não pegou. “Já me livrei de algumas confusões por que guardo os livros deregistro”, acrescentou o conferente.ConfiançaPara a dona de casa Maria Evita Pereira, 28, enviar ereceber encomenda por barco é mais seguro do que utilizar os correios. Arelação de confiança criada entre quem manda a encomenda e o conferente dobarco, responsável por entregar o pacote ao destinatário, chega ser uma questãode fidelidade. “Enviar e receber encomendas é melhor porque nós conhecemos obarco e as pessoas que trazem que normalmente são da cidade”, disse a dona decasa. Os itens enviados são os mais variados segundo o conferenteMarlon Castro, 36, e vão desde o peixe, a farinha, as frutas e cartas atéquantias em dinheiro que poderiam ser depositadas facilmente nas agenciasbancárias. De acordo com Marlon quem manda encomenda por barco se sente maisseguro pela confiança passada por quem transporta a mercadoria.



1.jpg Porões das embarcações, grandes e pequenas quantidades de farinha são enviadas do interior para a capital
02/10/2013 às 10:22

A alta do preço da farinha de mandioca, duas vezes mais cara do que o feijão, que já foi um dos itens mais caros do prato da culinária do amazonense, provocou um fenômeno atípico no movimento de encomendas enviadas do interior do Estado para a capital. A observação é de Dennis Coimbra, dono do barco Densis Coimbra, que há 17 anos faz viagens entre Borba (AM) e Manaus.

Mais do que manter o costume de rever amigos na chegada do barco, a busca pela farinha nossa de cada dia no porto da cidade responde ao aumento de mais de cerca de 250% que o produto registrou na região Norte desde o ano passado. No vale do Juruá, de onde a cidade de Manaus compra grande parte da farinha, o preço registrou subida de até 240%.



O ajudante de pedreiro Moisés Silva, 35, que tem família no Município de Borba conta que depois que o preço farinha aumentou em Manaus só come o produto quando o sogro envia. “Ele manda porque é mais fácil e porque, em Manaus, a farinha está sendo vendida pelo dobro do preço de um ano atrás”, disse o pedreiro.

No serviço de encomenda dos barcos, a velha carta, meio de comunicação ultrapassado frente aos modernos aplicativos telefônicos e do e-mail, ainda são um capitulo a parte. Segundo Denis Coimbra, pelo menos cinco cartas e bilhetes são enviados a cada viagem que faz. As pessoas esperam ansiosas pelo contato dos familiares e, em muitos casos, quando o barco demora para chegar ou não faz a viagem as pessoas ficam com raiva pela demora.

E as tradições não param nas cartas, o livro de encomendas, que faz o controle de tudo que vai a bordo, é uma verdadeira relíquia que documenta e guarda os detalhes do costume amazônico. O conferente Marlon Castro, 36, explica que o método de registrar as encomendas no livro que também faz parte da tradição dos rios amazônicos é muito importante por que com ele é possível evitar confusões que acontecem quando alguém pega a encomenda e diz que não pegou. “Já me livrei de algumas confusões por que guardo os livros de registro”, acrescentou o conferente.

Confiança

Para a dona de casa Maria Evita Pereira, 28, enviar e receber encomenda por barco é mais seguro do que utilizar os correios. A relação de confiança criada entre quem manda a encomenda e o conferente do barco, responsável por entregar o pacote ao destinatário, chega ser uma questão de fidelidade. “Enviar e receber encomendas é melhor porque nós conhecemos o barco e as pessoas que trazem que normalmente são da cidade”, disse a dona de casa.

Os itens enviados são os mais variados segundo o conferente Marlon Castro, 36, e vão desde o peixe, a farinha, as frutas e cartas até quantias em dinheiro que poderiam ser depositadas facilmente nas agencias bancárias. De acordo com Marlon quem manda encomenda por barco se sente mais seguro pela confiança passada por quem transporta a mercadoria.

Correios também usam barcos

De acordo com conferente Marlon Castro, as pessoas esperam ansiosas pelo contato dos familiares. E os preços das encomendas variam de R$ 5 a R$ 50, conforme o valor do produto. E os Correios, líder em enviar encomendas para qualquer lugar do Brasil, também se rende ao serviço. Segundo Dennis Coimbra, para o Município de Borba onde os correios não chegam em todas as comunidades é utilizado o método antigo. É dada uma concessão pelos correios e nas comunidades ribeirinhas quem leva é os barcos.

Segundo Manoel Alves, 68, as frutas, peixes e a farinha são os produtos mais enviados dos interiores para os parentes da capital. E há quem aproveite a facilidade e a abundância do produto para revender como é o caso do comerciante, Pedro Nunes, 45, que pede dos familiares farinha para revender por um preço mais baixo. Enquanto nos supermercados a farinha está sendo vendida a R$ 12 o quilo o comerciante vende pela metade do preço.


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