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FDN ameaça promotores, juiz e ex-secretário que atuaram no caso Oscar Cardoso

As ameaças chegaram ao conhecimento das autoridades de segurança no último fim de semana por meio de um “salve”. A SSP-AM informou que está investigando o caso 01/05/2018 às 07:34
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No recado, a ameaça diz que as autoridades serão "mandadas para o inferno" (Foto: Winnetou Almeida)
acritica.com Manaus (AM)

O racha da facção criminosa Família do Norte (FDN) sobrou para promotores e um juiz que atuaram no julgamento e condenação dos assassinos do delegado de Polícia Civil Oscar Cardoso, realizado no mês passado. O grupo que foi condenado por ter matado o delegado, agora, ameaça os promotores Ednaldo Medeiros e Geber Mafra, um juiz, além do ex-secretário de Inteligência (Seai), Thomaz de Vasconcelos Dias.

O Ministério Público do Estado do Amazonas (MP-AM) informou que está tomando medidas de segurança para garantir a integridade dos promotores, assim como a presidência do Tribunal de Justiça do Amazonas (TJ-AM). “Eu já acionei a chefia da segurança institucional e dei o comando para que sejam tomadas todas as medidas para garantir a segurança, não só deles, mas de outros promotores”, afirmou o procurador geral do MPAM, Fábio Monteiro.

As ameaças chegaram ao conhecimento das autoridades de segurança no último fim de semana por meio de um “salve” (uma espécie de recado aos integrantes do grupo criminoso com decisões tomadas pela alta cúpula e ordens que devem ser executadas) provavelmente da cúpula da FDN. No recado,  a ameaça diz que os promotores, o juiz e o ex-secretário serão “mandados para o inferno”.

O secretário de Segurança Pública do Amazonas (SSP-AM), Anésio Brito de Paiva, disse que assim que tomou conhecimento das ameaças, encaminhou a mensagem para a Secretaria Executiva Adjunta de Inteligência (Seai) para que investigue o caso e verifique a veracidade do comunicado.  Paiva  não confirmou se houve um pedido de reforço na segurança dos ameaçados.

Os promotores Ednaldo Medeiros e Geber Mafra atuaram na acusação dos réus João Pinto Carioca, o “João Branco”,  Marcos Roberto Miranda da Silva, o “Marcos Pará”, Diego Bruno de Souza Moldes e Messias Maia Sodré, no julgamento do homicídio do delegado Oscar Cardoso. Já Thomaz  Vasconcelos  foi testemunha. O “recado” não informa o nome do juiz ameaçado.

Os promotores  foram procurados por A CRÍTICA, mas eles preferiram que deixar o MP-AM se manifestar sobre o assunto. O secretário de administração Penitenciária (Seap), Cleitman Coelho, também não quis falar sobre as ameaças, mas afirmou  que, se forem verdadeiras, são consideradas gravíssimas.

Coordenada

 Ontem, por meio da sua assessoria de imprensa, o presidente do TJ-AM, Flávio Pascarelli, disse que as medidas de segurança necessárias vêm sendo adotadas para resguardar a integridade física dos magistrados. “Nunca descuidamos, desde a primeira ameaça”, disse o presidente que preferiu não entrar em detalhes sobre as medidas adotadas até o momento. O TJ-AM não revelou quantos juízes e desembargadores estão sofrendo ameaças e quantos andam com escoltas.

Alvos de ameaças

Os promotores Ednaldo Medeiros e Geber Mafra  atuaram na acusação dos réus João Pinto Carioca, o João Branco,  Marcos Roberto Miranda da Silva, o “Marcos Pará”, Diego Bruno de Souza Moldes e Messias Maia Sodré, no julgamento do homicídio do delegado Oscar Cardoso. Já Thomaz  Vasconcelos  foi testemunha. O “recado” não informa o nome do juiz ameaçado.

Réus condenados

O narcotraficante João Pinto Carioca, o “João Branco”, e os comparsas  Marcos Roberto Miranda da Silva, o “Marcos Pará”, Diego Bruno de Souza Moldes e Messias Maia Sodré foram condenados no mês passado pelo assassinato do delegado da Polícia Civil Oscar Cardoso. O crime aconteceu em março de 2014, no bairro São Francisco, na Zona Sul de Manaus.

“João Branco”  foi condenado  a 30 anos e dois meses de prisão em regime fechado, pelos crimes de homicídio qualificado e associação armada, enquanto  Marcos Roberto Miranda da Silva, o “Marcos Pará”, e Diego Bruno de Souza Moldes foram condenados a 25 anos e 11 meses. O quarto réu, Messias Maia Sodré, foi condenado a 21 anos e quatro meses. Outro réu no caso, Mário Jorge Nobre de Albuquerque, o “Mário Tabatinga”, foi condenado na primeira sessão do julgamento ocorrido em agosto do ano passado.

Recado não inibe membros do MP

O procurador geral do Ministério Público do Estado do Amazonas (MP-AM), Fábio Monteiro, informou  que assim que tomou conhecimento das ameaças contra os promotores, determinou que seja feito um rastreamento para saber a veracidade e  identificar a origem delas. O chefe do MP-AM também acionou a chefia da segurança institucional do órgão para garantir a segurança de todos os seus membros.

Para Fábio Monteiro,  a atividade do Ministério Público é um trabalh  de risco e, portanto,  é natural que pessoas que estão sendo denunciadas tenham um sentimento negativo em relação aos membros do MP. 

Em relação ao “salve” enviado possivelmente pela FDN, Monteiro acredita que  o objetivo é amedrontar e fazer com que os promotores e procuradores  recuem  nos seus trabalhos. “Isso não alcança o seu objetivo. Nenhuma ameaça desestimula a instituição  a fazer o seu papel. A gente apura  para ver o grau de risco que o colega está sofrendo e para tomarmos as medidas necessárias”,  afirmou ele.

 Disputa

 Os criminosos da facção criminosa “Família do Norte” (FDN) são considerados de alta periculosidade pelas autoridades de segurança e, mesmo presos, ainda comandam as ações das quadrilhas nas ruas de Manaus, praticando homicídios, sequestros e expulsando pessoas de suas casas.

Os juízes e promotores ameaçados foram responsáveis por decisões que atrapalharam a ação da organização criminosa. Eles queriam vingança por conta da prisão e condenação do grupo de João Branco.

Além disso, o racha dentro do da FDN, que domina o tráfico de droga no Estado  e no sistema penitenciário, já resultou em mortes dentro e fora das unidades prisionais.

Atualmente a facção está sendo comandada pelo traficante José Roberto Fernandes Barbosa, o “Zé Roberto da Compensa”, e João Pinto Carioca, o “João Branco”. Do outro lado ficou Gelson Carnaúba,  o “Mano “G”, aliado ao Comando Vermelho (CV).

No salve, integrantes da FDN acusam o grupo de Carnaúba de comprar juízes e promotores para promoverem ações de condenação de seus integrantes, beneficiando Mano G,  para que este controle o tráfico no estado.

Segurança para juízes

 Por questão de segurança, o julgamento do “massacre do Compaj” deve ser realizado por um colegiado formado por três juízes com o objetivo de trazer mais segurança à vida dos magistrados que julgam casos que envolvam organizações criminosas que possibilita aos magistrados proferirem decisões, de modo que não seja revelado qual deles veio a definir seu desfecho. Por se tratar de um caso complexo, que possui 213 réus e 56 vítimas, os magistrados ainda não se arriscam em sugerir uma data para a conclusão e julgamento dos réus. Segundo  as investigações, o massacre foi orquestrado pelos líderes da FDN para eliminar os rivais do Primeiro Comando da Capital (PCC), em janeiro do ano passado.

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