Segunda-feira, 19 de Agosto de 2019
COLETES E SALVA-VIDAS

Febre entre os manauaras, flutuantes devem garantir segurança aos banhistas

Até junho desse ano, 15 flutuantes foram notificados pela Marinha, a maioria por questões de segurança



555_3F235C9B-54CE-4406-BA40-B0766800C710.JPG Foto: Márcio Silva
21/07/2019 às 19:03

A combinação sol, cerveja e flutuante tem sido tentadora nesses dias de temperatura elevada em Manaus. No entanto, a morte por afogamento de dois jovens no último dia 13, após um caiaque virar na região do Tarumã, na Zona Oeste de Manaus, levantou uma questão: os flutuantes, uma das principais opções de lazer do manauense, oferecem a segurança necessária aos banhistas?

Antes, é preciso ressaltar que os flutuantes são considerados embarcações, logo, pelo menos em tese, todos os banhistas deveriam estar usando coletes salvas vidas. “Uma maneira imprescindível para melhorar a segurança é que todo flutuante tenha guarda vidas (habilitado) de plantão para que monitore e fique fazendo a prevenção dos banhistas”, explica o cabo José Dival, do Corpo de Bombeiros Militar do Amazonas (CBMAM).

A combinação excesso de álcool e a correnteza do rio, aliás, é um arranjo que pode aumentar as chances de acidentes entre os frequentadores dos flutuantes. “Há um grande risco de uma pessoa, sob o efeito de álcool, diminuir o seu reflexo, a noção de profundidade da água, e com isso, muitas vezes, perder a noção do perigo, podendo acontecer o afogamento. É muito esporádico este acontecimento. Não tem um dado exato. O atendimento de ocorrência, muitas vezes, é feito pelos usuários destes flutuantes, e em caso de submersão, afogamento e desaparecimento é chamada a equipe de mergulhadores do Corpo de Bombeiros”, afirma Dival.

Só em 2018, a Marinha do Brasil notificou 20 flutuantes, a maioria em função de irregularidades em equipamentos de segurança. Só no primeiro semestre desse ano, 15 desses estabelecimentos foram notificados.

“As fiscalizações realizadas pelas Agências, Delegacias e Capitanias acontecem diariamente, sendo que em feriados e em finais de semana, estas fiscalizações são intensificadas pela Equipe de Inspeção Naval da Capitania Fluvial da Amazônia Ocidental (CFAOC)”, explicou a Marinha, em nota.

De acordo com as Normas da Autoridade Marítima da Diretoria de Portos e Costas (DPC), e as Normas e Procedimentos da Capitania Fluvial da Amazônia Ocidental, que trata sobre bares flutuantes, residências e estabelecimentos comerciais Flutuantes, os mesmos deverão estar regularizados perante a Marinha do Brasil e devem cumprir alguns requisitos, como apresentar plano de estabilidade, capacidade máxima de pessoas, plano de incêndio com rotas de fuga demarcadas, iluminação de emergência, coletes e boias salva-vidas. Também devem ter banheiros químicos aprovados pelos órgãos ambientais estaduais e muncipais.

A Marinha do Brasil recomenda também que os flutuantes ponham boias de demarcação de áreas para banhistas, moto aquática, “Stand Up Paddle” (SUP) e lanchas de recreio.

Parecer

A construção de um flutuante sobre as Águas Jurisdicionais Brasileiras (AJB) depende de um parecer da Autoridade Marítima emitido pelas capitanias, delegacias e agências subordinadas. Isso não exime o proprietário de outras obrigações administrativas e legais perante outros órgãos responsáveis pelo controle da atividade em questão, sejam elas municipais, estaduais, federais ou, ainda, as de cunho ambiental.

Responsáveis afirmam preocupação

Ontem, A Crítica esteve em três flutuantes localizados nos bairros Tarumã e Puraquequara e conversou com os responsáveis por esses locais. Apesar de todos manifestarem preocupação em proporcionar um lazer seguro aos visitantes, em um dos estabelecimentos, a reportagem não visualizou salva-vidas ou bombeiro civil disponíveis para os banhistas.

Localizado no bairro Puraquequara, o flutuante em que foram verificadas falhas na segurança existe há 18 anos e apesar de contar com coletes, nem todos os visitantes fazem uso do equipamento. Ontem, apenas uma criança utilizava o recurso no momento em que a reportagem esteve no local. Foi possível detectar ainda boias, equipamento que não garante total segurança aos clientes.

Segundo a proprietária do estabelecimento, Yazodara de Abreu Leão, o local passa por recorrente manutenção e nunca houve registro de acidentes no espaço.

“Sempre passamos por manutenção, a madeira estraga muito, o flutuante mexe com a estrutura pelo rio subir e descer, fora que não podemos mais utilizar madeira. Nunca aconteceu nada por aqui durante esses anos”, contou.

Já nos dois flutuantes visitados no bairro Tarumã, foram identificadas medidas como a presença de salva-vidas, coletes e a delimitação da área mais segura para banho.

“A gente é super preocupado com os clientes, inclusive a segurança está em primeiro lugar. Como nós somos uma casa de show em cima da água, a gente tem uma equipe preparada, formada para prestar todo o apoio de primeiros socorros. Temos três bombeiros civis, eles são especializados em resgate”, afirmou a gerente operacional de um dos flutuantes visitados, Dérika Tourinho.

De acordo com ela, afogamentos acontecem, mas o estabelecimento atende todas as normas da capitania. “Graças a Deus que durante esses anos de funcionamento nunca aconteceu nada grave. Geralmente, fica um bombeiro nas pontas e um fica no meio, justamente para ter essa visualização dos banhistas”, destacou.

Em outro flutuante no mesmo bairro, o gerente, Messias Nascimento afirma que a orientação é imprescindível antes de frequentadores caírem no rio Negro.  “Nós temos a nossa clientela fiel, e acreditamos que por isso é que eles confiam no trabalho. Temos um salva-vidas, e ele geralmente orienta aquela pessoa que não sabe nadar. Ele mesmo amarra o colete na criança ou no adulto e explica que ali tem seis a sete metros de profundidade. Mas o ideal que essas pessoas fiquem somente na beira”, explica.

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Repórter do caderno de Cidades - Jornal A Crítica

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