Quinta-feira, 20 de Fevereiro de 2020
NADA DE ARTESANATO

Fechada para reforma, Central do Artesanato Branco e Silva está abandonada

Espaço está fechado desde 2014 para reformas e a situação chama a atenção de quem passa pela área



costa_silva_C3B64B78-062B-402A-8D9C-0C85ABDBC1B9.JPG Foto: Euzivaldo Queiroz
26/01/2020 às 17:38

Inaugurada em 1984, a Central de Artesanato Branco e Silva, na avenida Mário Ypiranga, no bairro Adrianópolis, Zona Centro-Sul de Manaus, foi um ponto reconhecido em todo o Brasil, reunindo artistas que produziam obras com matérias-primas típicas da região Amazônica, como palha de tucumã, fibra, cipó, entre outros. Desde 2014, o espaço encontra-se fechado para reformas e a situação aparente de abandono chama a atenção de quem passa por ali.

Elizeu Souza lembra com alegria o período em que trabalhou na Central, de 2006 a 2014. “Era um lugar maravilhoso, com acessibilidade. Saímos na gestão do (ex-governador) José Melo. Ele declarou que iria torná-lo um espaço do primeiro mundo para receber os turistas da Copa de Futebol. Nos pegaram de surpresa”. Alguns remanescentes montaram pontos de venda nas feiras da avenida Eduardo Ribeiro e do Manauara Shopping, enquanto outros preferiram participar de feiras itinerantes.



“Espero que a Central volte a funcionar. Nossa categoria é grande: temos artesãos da capital, do interior, vinculados à cooperativas e comunidades indígenas”, elencou Elizeu, hoje permissionário do Shopping de Artesanato e Economia Solidária, na Djalma Batista, Zona Sul de Manaus. “Quanto mais gente trabalhando com a mão, melhor”, enfatiza.

No ano retrasado, foi feita a reforma do telhado e pintura da estrutura do prédio, porém as alterações não atenderam às exigências e órgãos de fiscalização alertaram sobre possíveis riscos aos usuários.

De acordo com a artesã Ednelza Lobo, o espaço se encontra em perfeitas condições para receber o público. “Ainda não sabemos o que vai acontecer, se vão cobrar dinheiro dos artesãos. Sou contra essa medida”, afirmou. “Atualmente, há vários bazares, mas muitos não podem pagar para participar. Por que há falta de apoio?”, questiona Ednelza.

Crescimento

No ano passado, o número de vendas do artesanato amazonense cresceu 44% em comparação a 2018, passando de R$1,348 milhão para R$1,946 mi, informou a Secretaria Executiva de Trabalho e Empreendedorismo (Semtep).

Reformas, ajustes e nada até agora

O nome da Central de Artesanato Branco e Silva faz referência ao artista plástico Leovegildo Ferreira da Silva, autor do retrato do ex-presidente da República Getúlio Vargas. A obra em questão encontra-se em exposição permanente do Palácio do Catete, no Rio de Janeiro. 

A primeira reforma na Central de Artesanato ocorreu em 2001, e compreendeu ajustes nas 27 lojas que funcionavam no local, além do restaurante, oficinas, sala de gerência, banheiro e cozinhas.

Em 2014, foi iniciada nova reforma e ampliação da Central Branco e Silva, incluindo lojas, mini-palco, sala de gerência, cozinha, quiosques, praça de alimentação (com capacidade para 120 pessoas), oficinas, marcenaria coletiva, banheiros e barracas para exposição.

Em função disso, a Setrab sugeriu que um grupo de permissionários fosse transferido para o Porto de Manaus. No entanto, a medida gerou críticas por parte dos artesãos, que temiam perder seus lucros no período em que a cidade sediaria alguns jogos da Copa do Mundo de Futebol, pois a entrega das obras estava prevista para agosto daquele ano.

A Setrab, no entanto, solicitou que os serviços (totalizando R$ 1.873.542,71) fossem finalizados dentro de quatro meses. Esse valor recebeu um aditivo de R$ 500 mil, e os artesãos acabaram sendo realocados para espaços localizados em dois hotéis de Manaus.

Há dois anos, os permissionários da Central de Artesanato Branco e Silva também foram convidados a participar da amostra de artesanato e economia solidária na Galeria +, na Djalma Batista, Zona Centro-Sul. O espaço funciona até hoje com 84 lojas e atende 70  artesãos, empreendimentos solidários e beneficia indiretamente 300 famílias que sobrevivem do artesanato.

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Repórter de Cidades
Formado em Comunicação Social/Jornalismo pela Universidade Federal do Amazonas (Ufam). Além de A Crítica, já atuou em uma variedade de assessorias de imprensa e jornais, com ênfase na cobertura de Cidades e Cultura.

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