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Fechada para reforma, Praça da Matriz esconde velhos problemas

Há um ano, a Praça 15 de Novembro foi fechada para reforma. Enquanto nada é feito, o local está tomado por usuário de drogas 12/10/2014 às 21:06
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Praça da Matriz à espera de reforma
Camila Leonel Manaus (AM)

A praça 15 de Novembro, localizada nas ruas 7 de Setembro e 15 de Novembro, em  frente à Catedral Metropolitana de Manaus (Matriz), no Centro, Zona Sul, foi fechada há cerca de um ano como parte das obras de revitalização. À época, barracas de alimentação e camelôs foram retirados do local para que a praça passasse por uma restauração do seu projeto original. Um ano depois e com a proximidade do aniversário de Manaus, no próximo dia 24, o que se vê é um estado de abandono. A praça, cercada por tapumes, foi tomada pelo mau cheiro e por moradores de rua e usuários de drogas. Não há sinal de obras, somente mato e depredação das estruturas existentes na praça.

No terminal da Matriz, os tapumes forçam os pedestres a andar pela rua bem perto dos ônibus. Em algumas situações, a distância entre o ônibus e os pedestres é mínima, colocando em risco a vida dos que precisam passar por lá. A autônoma Simone Freire, 46, disse que evita passar pela praça desde que as obras começaram, mas mesmo assim precisa fazer esse trajeto pelo menos uma vez por semana.  Ela reclama do mau cheiro e dos constantes assaltos. “Eu até evito passar por aqui porque é um mau cheiro e tanta gente de noite aqui  usando droga. É muito perigoso isso aqui, eu não sei porque fizeram isso se não fazem nenhuma obra. É um descaso com a população”, declarou.

O perigo não se restringe apenas ao trânsito. Desde que a praça foi fechada, ambulantes, fiéis que frequentam a igreja e pedestres reclamam dos constantes assaltos que ocorrem quase que diariamente tanto no terminal como na praça. O universitário Adeson Pedro, 19, faz curso nas proximidades e passa todo dia pela praça. Ele relata que é comum ver assaltos, moradores de rua agredindo pessoas, cometendo atos de vandalismo e pedindo dinheiro dos frequentadores da igreja. “Já fui assaltado duas vezes. Uma vez eles levaram minha mochila e da outra o meu celular. Aqui era para ser uma área de lazer, aí fizeram esse cerco e ficou muito perigoso. De dia dá pra ficar aqui, sentar um pouco, mas depois das 17h não”, disse o estudante.

Os comerciantes que têm lojas perto da praça também se queixam da falta de segurança. Uma comerciante que não quis ter o nome revelado, disse que desde o mês de abril, a  loja foi assaltada quatro vezes. Ela contou que as portas, mesmo com reforço, foram arrombadas durante a noite. A comerciante lamenta o fechamento da praça e ressalta que logo após a retirada dos ambulantes, o local virou banheiro público, lugar de mendigo e de cheira cola. Quanto ao movimento de clientes, a comerciante diz que diminuiu cerca de 60%, mesmo com o dia das crianças, pois as pessoas ficaram com medo de se aproximar.

Na praça, há um posto da Guarda Municipal que funciona dando apoio à  Secretaria Municipal de Feiras, Mercados, Produção e Abastecimento (Sempab) e para manter a ordem. A equipe é formada por seis guardas. O guarda municipal B. Sena disse que a segurança fica a cargo da polícia militar, mas caso presenciem algo de anormal, eles não ficam omissos.

Obra será entregue em até um ano

As obras de requalificação urbanística da Praça 15 de Novembro, jardins, entorno e restauração do Relógio Municipal ainda estão em fase de ação preparatória . De acordo com o diretor das obras do PAC Histórico em Manaus, Antônio Nelson, o entrave nas obras se deve a não liberação da verba feita pela Caixa Econômica Federal

“Há alguns meses estamos pleiteando a aprovação dos orçamentos. Demos a entrada, a Caixa Econômica analisa durante dez dias, mas eles sempre encontram alguma inconsistência no projeto”, frisou o diretor  Antônio Nelson.

Ele disse que foram enviadas para a Caixa três análises finais das obras da Matriz e entorno e, no momento, a Secretaria Municipal de Infraestrutura (Seminf) aguarda o resultado da análise. O projeto foi aprovado pelo Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan). O Diretor das obras explicou que quando a obra for aprovada e contratada, a previsão para conclusão das obras será de um ano, mas segundo ele, o Prefeito de Manaus Arthur Neto pretende “enxugar esse cronograma e entregar antes do prazo”.

Personagem: Ivanildo Oliveira, 61,  Vendedor ambulante

  Eu vendo frutas  há 15 anos na   Praça da Matriz. A praça virou esconderijo de ladrão. Pode vir qualquer hora que ta cheio deles aí. Na minha opinião, teria que ter feito primeiro um camelódromo e depois colocado o camelô lá. A praça, antes, era um lugar de movimento, agora é assalto direto, todo dia. Assaltam gente na porta do ônibus, é gente puxando celular das pessoas de dentro do ônibus, gente correndo. Inclusive na sexta, um rapaz assaltou uma mulher aqui, saiu correndo e pegaram ele lá na frente. Aqui a população está vulnerável, os ladrões roubam, pulam os tapumes e somem. Antes de fecharem a praça, a gente saía daqui às 9h da noite agora não, tem que fechar de 6h a 7h da noite, justamente pra não ser assaltado porque mais tarde aqui é perigoso.


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