Sexta-feira, 10 de Julho de 2020
CONSCIENTIZAÇÃO

Área da Manaus Moderna se adapta à pandemia do coronavírus

Consumidores e permissionários da região, antes altamente movimentada, aderem às medidas preventivas



FEIRA_A6CF0B2A-74A3-4D59-86D4-0BD0A9E96C7C.JPG Foto: Junio Matos
18/05/2020 às 06:04

A área da avenida Lourenço Braga, mais conhecida como “Manaus Moderna”, no Centro da capital, teve uma manhã de domingo bem atípica ontem.

Se por um lado alguns ainda teimavam em não seguir medidas de prevenção ao coronavírus como o uso de máscaras e evitar se aglomerar em locais como os quiosques de venda de peixe da Feira da Banana, por outro lado, a maioria estava utilizando o assessório e, diferentemente de outros finais de semana, não foram registradas aglomerações em locais de grande movimento como a área externa do Mercado Municipal Adolpho Lisboa.



No “Mercadão”, como é conhecido o centenário patrimônio cultural, aliás, o cenário era bem diferente de antes da pandemia do Covid-19: poucas pessoas estavam circulando nos corredores e nem todos os quiosques estavam abertos.

Funcionária da Casa Moraes, que vende estivas como farinhas de mandioca e outros alimentos como camarões, Adriane Silva, 35, estava dando exemplo com máscara no rosto e luvas nas mãos.

“Não está aquele movimento como antes e tivemos uma queda de quase 50% nas vendas, mas dá pra superar. Está fraquíssimo, com certeza, e em outra situação que não fosse a atual aqui estaria com bastante gente. O importante  é que todos nos cuidemos e toquemos a vida pra frente. Independentemente das situações, temos que seguir. Para mim, usar máscara é tudo, pois precisamos olhar não apenas para nós, mas para as nossas famílias, que são nosso bem maior, e para as pessoas que frequentam aqui”, afirma Adriane.

Quem também dava exemplo ao sair do Mercadão pelo acesso da Manaus Moderna era o conferente Hudson Macêdo de Matos, 38, morador do Dom Pedro, Zona Centro-Oeste, que estava em companhia da filha Debora, de 4 anos: ambos devidamente “uniformizados” de máscaras (a dela com temática infantil).

“Precisamos nos proteger nos cuidar mais e da nossa sociedade. E procurar Deus porque o Senhor está acima de tudo. Ele quer todo mundo com saúde, mas não custa nada nos prevenirmos, pois fazendo isso as coisas melhoram”, conta ele, ressaltando que a filha também usa o álcool em gel. “Ela fala ‘papai, pegue a sua máscara pra gente sair”, diz.

“A mensagem que eu deixo é que as pessoas precisam se conscientizar, pois a cada dia que passa a situação piora cada vez mais por conta do coronavírus; vejo pessoas mais conscientes atualmente e creio que a aglomeração está diminuindo nesta área da Manaus Moderna”, salienta o conferente.

Uma das balsas da orla afixou a mensagem “Proibido Entrada sem Máscara” em forma de faixa, chamando a atenção para a necessidade de utilização da mesma. Próximo a ela, o carregador de mercadorias Joyde Victor, 30, natural de Terra Santa (PA), fazia a sua parte.

“Se você não usar máscara, vai adoecer, infelizmente. Tem que usar, se proteger. Muitos não aceitam, pois acham que não está acontecendo nada, mas está, sim”, alerta ele, trabalhador há 15 anos da área. Joyde conta que na Manaus Moderna já morreram várias trabalhadores por conta da Covid-19. “Vários feirantes e carregadores que eu conhecia já morreram”, diz Joyde.

Casal dá exemplo de proteção  e cobra mais fiscalização

O uso de máscaras foi tornado obrigatório em áreas públicas a partir de decretos recentes do governo e da prefeitura, como forma de evitar a propagação da doença. Decretos também determinam a abertura apenas de comércios e serviços essenciais, caso das feiras.

Thiago Cunha e Rayssa dos Santos, ambos com 28 anos e idade e naturais de Maceió, formavam um belo casal ainda mais representativo por estarem cumprindo as normas da Organização Mundial da Saúde (OMS) de evitarem aglomerações e usarem o assessório para proteger o rosto. O casal morador da capital  estava no local para comprar alimentos. Na área da Manaus Moderna, eles só sentiram falta de mais campanhas de conscientização por parte do poder público para orientar sobre os decretos.

Durante o tempo em que estivemos na área, registramos a presença de apenas uma viatura da Polícia Militar como um policial orientando a entrada e saída da área isolada próximo ao Mercadão.  A reportagem de A CRÍTICA questionou a prefeitura e o governo sobre a fiscalização das medidas recomendadas e obrigatórias de prevenção, mas não obteve respostas.

Teimosia em não usar as máscaras

O carregador de mercadorias Cláudio dos Santos Rodrigues, 32, era uma das pessoas que teimavam em não usar máscara na área da Manaus Moderna. O argumento, segundo ele, era que seu costume era trabalhar assim. “Não tenho rinite nem qualquer outro problema, mas me incomoda usá-la. Não tenho medo de pegar a Covid”, conta ele. No entanto, o próprio fala que já sentiu, há algum tempo, “sintomas como febre e dor de cabeça” e que não “pegou o Covid, ele que me pegou”.

Ele não estava sozinho. Havia motoristas e seus acompanhantes que também não usavam o assessório, inclusive conversando normalmente, próximos. Aglomeração de veículos era mais perceptível próximo à área de verduras e legumes da Feira da Banana, antes da parte isolada pela Polícia Militar e do qual a entrada só era permitida mediante o uso de máscaras. O desrespeito também era visto por vendedores de frutas como de melancias. Engarrafamentos também foram registrados neste trecho da avenida

Já na calçada da Associação Comunitária dos Feirantes de Manaus (ACFM), havia a presença de pessoas em situação de rua dormindo, por volta de 11h, sem máscaras.

Repórter de A Crítica

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